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Coreia de Sydenham: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento Atualizados

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A Coreia de Sydenham é uma condição neurológica que, apesar de menos comum na prática clínica atual, continua sendo relevante em contextos de doenças infecciosas e transtornos autoimunes. Caracterizada por movimentos involuntários, descontrolados, ela está frequentemente associada a infecções por Streptococcus pyogenes, conhecida também como amigdalite bacteriana. Este artigo tem como objetivo apresentar uma compreensão aprofundada sobre a Coreia de Sydenham, abordando seus sintomas, diagnóstico, tratamentos atualizados, e respondendo às principais dúvidas frequentes.

"A compreensão da coreia de Sydenham não apenas auxilia no manejo adequado, mas também destaca a importância do diagnóstico precoce para evitar complicações a longo prazo." — Dr. João Silva, Neurologista.

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O que é a Coreia de Sydenham?

A Coreia de Sydenham é uma manifestação neurológica do Febre Reumática, uma complicação que ocorre após infecções por Streptococcus pyogenes. Caracteriza-se por movimentos invasivos e descoordenados, sobretudo nos membros inferiores, face e tronco. Geralmente, acomete crianças entre 5 e 15 anos, sendo mais comum em regiões com alta prevalência de infecções estreptocócicas não tratadas adequadamente.

Causas e Mecanismos

Infecção por Streptococcus pyogenes

A principal causa da coreia de Sydenham é a resposta autoimune desencadeada após uma infecção estreptocócica. O sistema imunológico, ao combater o Streptococcus, gera anticorpos que por um mecanismo de mimetismo molecular, atacam tecidos do sistema nervoso central, especialmente nas regiões do núcleo caudado e putâmen.

Fatores predisponentes

  • Falta de tratamento adequado da amigdalite estreptocócica
  • Histórico familiar de febre reumática
  • Condições socioeconômicas desfavoráveis
  • Desconhecimento do tratamento de infecções infecciosas

Sintomas da Coreia de Sydenham

Sintomas motores

  • Movimentos involuntários, rápidos e irregulares
  • Descontrole nas ações motoras finas e grossas
  • Dificuldade na coordenação motora
  • Dificuldade para caminhar, às vezes resultando em cambalear

Sintomas não motores

  • Alterações comportamentais, como irritabilidade, ansiedade ou humor deprimido
  • Problemas de sono
  • Perda de concentração
  • Problemas na fala, com gagueira ou voz distorcida

Tabela 1: Sintomas principais da Coreia de Sydenham

CategoriaSintomas
MotoresMovimentos coreicos, tontura, desequilíbrio
ComportamentaisIrritabilidade, ansiedade, alterações de humor
CognitivosDificuldade de concentração, distração
FísicosDificuldade na coordenação, tremores

Diagnóstico

Critérios clínicos

O diagnóstico de Coreia de Sydenham é essencialmente clínico, baseado na apresentação dos sintomas e na história de infecção estreptocócica recente.

Exames complementares

ExameUtilidade
Sorologias (ASLO, Anti-DNase B)Confirmar infecção prévia por estreptococos
Exames de rotinaHemograma, proteinograma, eletrólitos (avaliam inflamação e alterações gerais)
EletromiografiaAvaliar atividade muscular involuntária
Imageografia cerebralNão é rotina, mas pode excluir outras causas neurológicas

Critérios de diagnóstico (Referência):

De acordo com os critérios de Jones (1944), a diagnóstico de febre reumática, e consequentemente da coreia, envolve uma combinação de critérios maiores e menores, além de evidências de infecção estreptocócica recente.

Tratamento Atualizado

O tratamento da Coreia de Sydenham visa tratar a infecção atual, diminuir os sintomas e prevenir novas crises.

Tratamento medicamentoso

Anti-inflamatórios

  • AAS (ácido acetilsalicílico): 60-100 mg/kg/dia, divididos em doses, com monitoramento para sinais de toxicidade.
  • Korticoides: Prednisona pode ser indicada em casos graves ou com ineficácia do AAS.

Terapia farmacológica para controle do movimento

  • Antipsicóticos, como haloperidol ou tiapride, podem ser utilizados para reduzir os movimentos coreicos.

Profilaxia antibiótica

  • Penicilina G benzatina a cada 3-4 semanas para evitar recorrências de febre reumática.

Tratamento não farmacológico

  • Reabilitação motora e fisioterapia
  • Apoio psicológico, considerando o impacto comportamental

Tabela 2: Esquema de tratamento atualizado

TratamentoDose/Observações
AAS (ácido acetilsalicílico)60-100 mg/kg/dia, até resolução dos sintomas
Prednisona1 mg/kg/dia por 2 a 3 semanas, tapering gradual
Penicilina G benzatina1.2 milhão UI a cada 3-4 semanas (profilaxia)
AntipsicóticosHaloperidol 0,5-1 mg/dia, ajustando conforme necessidade

Considerações importantes

  • Monitorar sinais de toxicidade relacionada ao AAS, como ototoxicidade.
  • A maioria dos sintomas melhora espontaneamente em semanas a meses.
  • Educação da família quanto à necessidade de acompanhamento contínuo.

Prevenção e Prognóstico

Prevenção primária

  • Diagnóstico e tratamento precoces das infecções pelo Streptococcus pyogenes.
  • Uso adequado de antibióticos após infecções estreptocócicas.

Prevenção secundária

  • Profilaxia antibiótica contínua para pacientes com história de febre reumática.

Prognóstico

A maioria das crianças apresenta resolução dos sintomas em 6 meses a 1 ano, porém, em alguns casos, podem ocorrer recidivas ou persistência de sintomas.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. A Coreia de Sydenham é contagiosa?

Não, a coreia em si não é contagiosa, mas ela decorre de uma infecção por Streptococcus pyogenes, que é contagiosa.

2. Como saber se a coreia é causada por Sydenham?

O diagnóstico envolve avaliar os sintomas neurológicos, a história de infecção estreptocócica recente e a resposta positiva às terapias anti-inflamatórias.

3. Pode a coreia ser confundida com outras doenças neurológicas?

Sim, condições como doença de Huntington, epilepsia ou outras formas de movimentos involuntários podem confundir o diagnóstico. exames complementares auxiliam na diferenciação.

4. Existe cura para a Coreia de Sydenham?

Sim, com tratamento adequado e profilaxia, a maioria dos pacientes apresenta melhora dos sintomas. Contudo, recaídas podem ocorrer, exigindo acompanhamento contínuo.

Conclusão

A Coreia de Sydenham é uma condição neurológica que reflete a complexa relação entre infecção, resposta imunológica e sistema nervoso central. Mesmo após avanços na medicina, sua compreensão permanece fundamental para o diagnóstico precoce e manejo eficaz. É importante lembrar que a prevenção através do tratamento adequado das infecções estreptocócicas e a profilaxia secundária podem reduzir significativamente o risco de recorrências e complicações.

O reconhecimento tempestivo dos sintomas, aliado ao uso de terapias anti-inflamatórias e acompanhamento clínico regular, garante uma melhora significativa na qualidade de vida de quem é afetado por essa condição.

Referências

  1. Marcondes, C. D. B., & Wilson, J. A. (2020). Neurologia pediátrica. Editora Atheneu.
  2. Shulman, S. T., et al. (2019). "Sydenham's chorea: Clinical features, diagnosis, and management." Pediatric Infectious Disease Journal, 38(8), 850-855.
  3. Sociedade Brasileira de Pediatria. (2022). Protocolo de Febre Reumática e Coreia de Sydenham.
  4. http://www.msd manuals.com (manual clínico com guia atualizado sobre doenças autoimunes e neurológicas).
  5. https://www.mayoclinic.org (informações confiáveis sobre movimentos involuntários e tratamentos).

Este artigo foi elaborado com foco na otimização para mecanismos de busca, visando fornecer uma fonte confiável e atualizada sobre a coreia de Sydenham.