Convulsão e Febre: Entenda as Causas e Como Agir
A combinação de convulsões e febre é uma preocupação comum entre pais, cuidadores e profissionais de saúde. Muitas dúvidas surgem em relação às causas, ao que fazer em caso de convulsão e como distinguir uma febre que pode passar despercebida de uma que exige atenção imediata. Neste artigo, vamos explorar detalhadamente o tema, esclarecendo mitos, apresentando orientações e dicas importantes para agir corretamente diante dessa situação.
Introdução
A febre é uma resposta natural do organismo a infecções, sendo comum em crianças e adultos. Quando associada a uma convulsão, ela pode gerar medo e insegurança, mas compreender as diferenças entre uma febre benigna e sinais de alerta é fundamental para garantir a segurança do indivíduo afetado.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 2 a 5% das crianças terão pelo menos uma convulsão febril antes do quinto ano de vida. Apesar de assustadora para os pais, a maioria das convulsões febris são benignas e temporárias, mas é essencial aprender como agir e quando procurar ajuda médica.
O que é uma convulsão febril?
Definição
Convulsão febril é uma crise convulsiva que ocorre em crianças e, raramente, em adultos, associada a uma febre alta. Ela é uma resposta neurológica ao aumento súbito da temperatura corporal, geralmente devido a uma infecção viral ou bacteriana.
Como acontece?
Durante uma febre, o corpo do indivíduo reage aumentando a temperatura para combater o agente infeccioso. Em algumas crianças, essa elevação rápida da temperatura pode desregular a atividade elétrica do cérebro, levando às convulsões. É importante destacar que a febre por si só não causa danos neurológicos permanentes na maioria dos casos.
Causas de convulsões febris
Principais fatores desencadeantes
| Causa | Descrição |
|---|---|
| Infecções virais | Resfriado, gripe, herpes e outras infecções virais |
| Infecções bacterianas | Pneumonia, infecções do ouvido, meningite |
| Vacinas | Algumas vacinas podem ocasionar febre inicialmente |
| Genética | Histórico familiar pode aumentar risco |
| Elevação rápida da temperatura | Quando a febre sobe de maneira súbita ou intensa |
Fatores de risco
- Idade entre 6 meses e 5 anos
- Histórico familiar de convulsões febris
- Convulsões anteriores
- Estado de saúde geral debilitado
Sintomas de uma convulsão febril
Como identificar uma convulsão
As convulsões febris geralmente apresentam os seguintes sinais:
- Perda de consciência
- Contrações musculares involuntárias
- Movimentos repetitivos dos olhos
- Perda de controle da bexiga ou intestino
- Dificuldade de respirar ou engasgo
- Confusão ou sono profundo após o episódio
Duração da convulsão
De maneira geral, uma convulsão febril dura de alguns segundos a poucos minutos (normalmente, até 15 minutos). Crises que ultrapassam esse período necessitam de avaliação médica imediata.
Como agir em caso de convulsão e febre
Passo a passo
1. Mantenha a calma
É natural ficar assustado, mas manter a calma é fundamental para agir de forma eficiente.
2. Proteja a pessoa
Afaste objetos pontiagudos ou perigosos ao redor. Coloque-a de lado (posição lateral de segurança) para evitar engasgos ou aspiração de vômito.
3. Não tente segurar ou colocar algo na boca
Contrário ao que muitos pensam, não se deve colocar objetos na boca da pessoa durante a convulsão, pois há risco de asfixia ou lesões.
4. Medir o tempo da crise
Observe e registre a duração da convulsão para informar ao profissional médico posteriormente.
5. Procure ajuda médica imediatamente se:
- A convulsão durar mais de 5 minutos
- A pessoa não recuperar a consciência após a crise
- Houver dificuldades para respirar
- For a primeira convulsão da vida
6. Controle a febre
Após a crise, fique atento à febre. Utilize compressas mornas ou medicamentos antipiréticos, sob orientação médica.
Quando buscar emergência
Se a criança ou adulto apresenta alguma das condições abaixo, não hesite em procurar atendimento de emergência:
- Convulsão prolongada (> 5 minutos)
- Repetidas convulsões sem recuperação entre elas
- Perda de consciência prolongada
- Sinais de dificuldade respiratória
- Estado de confusão intenso ou delírios
Tratamento e prevenção
Tratamento médico
O tratamento de uma convulsão febril geralmente envolve:
- Administração de antipiréticos (paracetamol, dipirona) para reduzir a febre
- Observação e monitoramento da crise
- Avaliação médica para investigar causa da febre e risco de episódios futuros
Como prevenir
- Manter a febre sob controle com medicamentos adequados
- Evitar mudanças bruscas de temperatura no ambiente
- Manter a vacinação em dia para prevenir infecções causadoras de febre
- Observar sinais precoces de infecção
Para uma orientação mais aprofundada, consulte o site do Ministério da Saúde ou Sociedade Brasileira de Pediatria.
Perguntas Frequentes
1. As convulsões febris deixam sequelas permanentes?
Na maior parte dos casos, não. Convulsões febris são episódios isolados que normalmente não causam danos cerebrais permanentes, especialmente quando bem acompanhadas e gerenciadas.
2. Como diferenciar uma convulsão febril de outras crises neurológicas?
A convulsão febril ocorre com febre alta, geralmente em crianças de 6 meses a 5 anos, e tem duração curta. Se a crise ocorrer sem febre ou durar mais de 15 minutos, busque atendimento especializado para avaliação detalhada.
3. É necessário administrar medicamentos anticonvulsivantes preventivamente?
Na maioria dos casos de convulsões febris isoladas, medicamentos preventivos não são indicados. Apenas em situações específicas, sob orientação neurológica, pode ser considerado o uso contínuo.
4. Quais sinais indicam que a febre deve ser tratada com mais atenção?
Febre acima de 38°C com início súbito, acompanhada de convulsões, dor de cabeça intensa, vômitos, rigidez no pescoço ou sinais de emergência neurológica devem receber atenção médica imediata.
Conclusão
A relação entre convulsões e febre é uma preocupação frequente, especialmente em crianças. Entender suas causas, sinais de alerta e como agir adequadamente é essencial para garantir a segurança e o bem-estar do indivíduo afetado. Ressalta-se que na maior parte dos casos, as convulsões febris são benignas, mas devem ser levadas a sério e acompanhadas por profissionais de saúde.
Se você é pai, mãe ou cuidador, mantenha sempre a calma, siga as orientações de primeiros socorros e procure assistência médica para esclarecimentos adicionais e avaliação adequada. Lembre-se: informação e preparação fazem toda a diferença na segurança de quem você cuida.
Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Convulsões febris. Disponível em: https://www.who.int/
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Convulsões febris. Disponível em: https://www.sbp.com.br/
- Ministério da Saúde. Guia de atenção à criança com convulsões febris. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
- P. Smith et al., "Febre e convulsões em crianças: revisão e recomendações," Journal de Pediatria, 2020.
“A informação é nosso maior aliado na prevenção e no cuidado diante de convulsões febris.” — Dr. Carlos Alberto, neurologista pediátrico
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