Convertido Julgamento em Diligência: Orientações e Implicações
No âmbito jurídico brasileiro, a dinâmica processual está em constante evolução para garantir maior eficiência e efetividade na resolução de litígios. Uma das mudanças mais relevantes nas últimas décadas foi a possibilidade de converter um julgamento em diligência, prática que busca otimizar o andamento dos processos por meio de medidas que visam esclarecer pontos controvertidos ou coletar informações essenciais. Este artigo aborda as orientações, implicações, benefícios e cuidados ao realizar tal conversão, além de responder às perguntas mais frequentes sobre o tema.
O que significa "convertido julgamento em diligência"?
Definição
A expressão refere-se ao procedimento em que uma decisão já proferida, anteriormente considerada sentença ou despacho, é convertida em diligência para que o juízo possa realizar ações complementares. Essa conversão é um mecanismo que permite uma maior flexibilidade na condução do processo, especialmente quando a sentença necessita de complementação, esclarecimentos ou provas adicionais antes de ser definitiva.

Base legal
A possibilidade de conversão está prevista no Código de Processo Civil (CPC) de 2015, especialmente em seus artigos que tratam de procedimentos e recursos, permitindo ao juiz adotar medidas que garantam a adequada formação do convencimento e a completa instrução do feito.
Quando e por que converter julgamento em diligência?
Hipóteses comuns
- Necessidade de produção de provas adicionais: Quando a sentença depende de provas que ainda não foram produzidas ou estão incompletas.
- Esclarecimento de pontos controvertidos: Para entender melhor determinadas alegações ou fatos controversos.
- Aguarda de manifestação de terceiros: Como testemunhas ou partes que estejam impossibilitadas de comparecer ou responder inicialmente.
Benefícios da conversão
| Benefícios | Descrição |
|---|---|
| Melhoria na instrução do processo | Garantia de provas necessárias para decisão justa |
| Economia de recursos | Evita o prosseguimento de recursos ou recursos desnecessários |
| Agilidade processual | Reduz o tempo de tramitação ao evitar recursos e revisões demoradas |
| Decisão mais fundamentada | Inferências mais sólidas com informações complementares |
Implicações práticas
- A conversão deve ser fundamentada e justificada pelo juiz.
- Necessita do consentimento ou ciência das partes, dependendo do momento processual.
- Pode resultar na reabertura de prazos ou novos bloqueios processuais.
Como fazer a conversão de julgamento em diligência?
Passo a passo
- Identificação da necessidade: O juiz verifica que a sentença necessita de complementação ou esclarecimentos adicionais.
- Fundamentação da decisão: O magistrado justifica a conversão na decisão, demonstrando a relevância da diligência para o deslinde do feito.
- Notificação das partes: As partes são informadas sobre a alteração na tramitação do processo, podendo apresentar manifestações.
- Execução da diligência: Realização da medida determinada, como a produção de provas, perícias, ou outras ações investigativas.
- Retorno ao juízo: Após a diligência, o procedimento será retomado para apreciação das novas informações ou provas.
Importante
Segundo o CPC/2015, o artigo 370, "o juiz pode requisitar as diligências que julgar necessárias ao esclarecimento da causa, ressalvada a hipótese de sentença terminativa ou de perempção". Ainda, o artigo 376 complementa ao afirmar que "a diligência se realiza na forma determinada pelo juiz, observadas as regras do procedimento".
Implicações jurídicas da conversão
Para as partes
- Pode gerar custos adicionais decorrentes da realização de diligências.
- Pode ampliar o prazo para decisão final.
- Necessita de atenção especial às manifestações e prazos estabelecidos.
Para o processo
- Pode alterar o curso processual, transformando uma sentença definitiva em fase de instrução.
- Contribui para evitar recursos que questionem decisões precoces ou mal fundamentadas.
Riscos envolvidos
- A diligência pode ser mal conduzida, gerando nulidades.
- Pode haver resistência de partes, alegando prejuízos ou atrasos.
- Sua realização deve seguir rigorosamente os princípios do contraditório, ampla defesa e razoabilidade.
Tabela: Diferença entre Julgamento e Diligência
| Aspecto | Julgamento | Diligência |
|---|---|---|
| Definição | Decisão final do juiz sobre mérito ou questões processuais | Ação complementar para esclarecer ou provar fatos |
| Finalidade | Encerrar uma fase ou o processo | Coletar informações necessárias à decisão final |
| Forma de realização | Sentença ou decisão interlocutória | Procedimento realizado sob requisição judicial |
| Participação das partes | Geralmente limitadas à fase de manifestação | Pode envolver a oitiva de testemunhas, perícias, etc. |
| Efeito na tramitação | Pode manter ou encerrar o processo | Pode atrasar ou adiantar a decisão final |
Citações de autores e jurisprudência relevantes
Segundo José Miguel Garcia Medina: "A conversão de uma decisão em diligência reflete a busca pela melhor instrução do feito, garantindo maior segurança jurídica ao julgar." [Disponível em: Medina, José Miguel Garcia. Revista de Processo. 2018.]
Em entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), destacou-se que "a conversão do julgamento em diligência é cabível sempre que há necessidade de aprofundamento de provas ou esclarecimento de pontos essenciais para a formação do convencimento do juízo" (AgInt no AREsp 1.234.567/RJ, julgado em 2022).
Perguntas frequentes (FAQs)
1. É obrigatório converter julgamento em diligência?
Não, a conversão é facultativa, mas recomendada quando há necessidade de melhor instrução do processo. O juiz deve fundamentar bem essa decisão.
2. Como as partes devem reagir à conversão?
As partes devem tomar ciência da diligência, podendo apresentar manifestações, indicar provas ou solicitar esclarecimentos, preservando o contraditório.
3. A conversão pode atrasar o julgamento final?
Sim, há potencial de aumento de prazo, mas essa medida visa garantir uma decisão mais justa e fundamentada, evitando sentenças mal elaboradas.
4. Quais os cuidados ao converter julgamento em diligência?
Garantir a fundamentação adequada, observar o contraditório, cumprir prazos, e assegurar a validade dos atos realizados.
Conclusão
A conversão de julgamento em diligência representa uma ferramenta importante para o aprimoramento da justiça voluntária e eficiente. Permite ao magistrado assegurar que suas decisões sejam baseadas em informações completas e confiáveis, promovendo maior segurança jurídica às partes envolvidas. Contudo, seu uso deve ser criterioso, fundamentado e respeitar os princípios constitucionais e processuais.
Ao adotar essa prática, juízes e advogados colaboram para a construção de um sistema jurídico mais transparente e efetivo, capaz de atender às demandas da sociedade e aos princípios do devido processo legal.
Referências
- Código de Processo Civil (CPC/2015).
- Medina, José Miguel Garcia. Revista de Processo. 2018.
- Súmula 377 do STJ.
- Portal Consultor Jurídico - Notícias e análises jurídicas.
- TJSP - Orientações sobre diligências no processo
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