Competência Relativa e Absoluta: Entenda Diferenças e Aplicações
No universo jurídico e administrativo, compreender conceitos como competência relativa e absoluta é fundamental para garantir a correta aplicação das leis e a eficiência na gestão de processos. Esses conceitos determinam qual autoridade possui o poder de julgar ou decidir sobre determinada matéria, influenciando diretamente na atuação de tribunais, órgãos públicos e entidades privadas. A distinção entre eles ajuda a evitar conflitos de jurisdição e assegurar que as questões sejam encaminhadas ao órgão competente, promovendo segurança jurídica e eficiência no sistema de justiça.
Este artigo abordará de forma aprofundada o que são competência relativa e absoluta, suas diferenças, aplicações práticas, exemplos e dicas para identificar qual delas se aplica em cada situação. Além disso, responderemos às perguntas mais frequentes sobre o tema, oferecendo uma visão completa e didática.

O que é Competência?
Antes de justificarmos as diferenças entre competência relativa e absoluta, é importante compreender o conceito geral de competência.
Competência é o poder atribuído por lei a um órgão ou autoridade para julgar ou decidir sobre determinado tema. Cada órgão possui uma área de atuação delimitada, seja ela em âmbito federal, estadual ou municipal. Essa delimitação visa organizar o funcionamento do sistema judiciário e administrativo, garantindo que cada questão seja apreciada pelo órgão adequado.
Competência Absoluta
Definição
A competência absoluta refere-se à delimitação do poder de um órgão ou de um juízo para julgar determinado tipo de matéria, independentemente do valor ou do procedimento. Essa competência é imutável e determinada por critérios legais, como o tipo de litígio, a matéria, a natureza da causa ou pela hierarquia organizacional.
Características principais
- Imutável: não pode ser alterada por convenções entre as partes ou por outras circunstâncias.
- Prevista em lei: decorre de disposições legislativas específicas.
- Estabelece o foro competente para julgamento de uma matéria, independentemente do valor.
Exemplos
- Justiça do Trabalho responsável por disputas trabalhistas.
- Justiça Federal julgando causas envolvendo a União, suas autarquias ou empresas públicas.
- Tribunais de Justiça estaduais julgando questões de direito local.
Importância
A competência absoluta busca garantir que cada matter seja avaliado pelo órgão mais adequado, prevenindo conflitos de jurisdição e promovendo maior segurança na resolução dos conflitos.
Competência Relativa
Definição
A competência relativa refere-se ao poder de um órgão para julgar determinados processos levando em consideração critérios como o local onde o fato ocorreu, domicílio das partes ou o valor da causa. Essa competência é mutável e pode ser alterada por acordos entre as partes ou por circunstâncias específicas.
Características principais
- Mutável: pode variar conforme acordo entre partes ou mudança na situação.
- Prevista em lei, mas com critérios flexíveis: permite alguma liberdade na sua delimitação.
- Normas de distribuição: geralmente, o critério é o domicílio das partes ou o local do fato.
Exemplos
- Justiça estadual competente para julgar ações cujo domicílio do réu seja no estado.
- Juizado especial cível que julga causas de menor valor, até determinado limite.
- Festa localizada em uma determinada cidade, cuja jurisdição é daquele município.
Importância
A competência relativa proporciona maior flexibilidade na distribuição de processos, facilitando acesso à justiça e evitando o acúmulo de processos em determinadas jurisdições.
Diferenças entre Competência Relativa e Absoluta
| Aspecto | Competência Absoluta | Competência Relativa |
|---|---|---|
| Natureza | Imposta por lei de forma imutável | Pode variar de acordo com critérios específicos |
| Modificação | Não pode ser modificada por acordo ou convenção | Pode ser alterada por acordo entre as partes |
| Critérios de definição | Matéria, tipo de processo, hierarquia | Localidade, domicílio das partes, valor da causa |
| Incabível mudança por convenções | Sim | Sim |
| Exemplo | Justiça Federal, Justiça do Trabalho | Foro de residência, foro do local do fato |
Aplicações Práticas
Quando usar a competência absoluta?
A competência absoluta deve ser considerada em situações que envolvem:- Disputas de grande relevância e nível constitucional ou constitucionalizado.- Questões que envolvem a União, Estados ou Municípios, onde o foro é definido por lei.- Processos que envolvem matérias específicas, como ações rescisórias ou habeas corpus.
Quando usar a competência relativa?
A competência relativa é mais comum em:- Processos de menor complexidade, onde o local onde o fato ocorreu ou o domicílio das partes define o foro competente.- Demandas de natureza civil e criminal que podem ser ajustadas mediante convenções de juízo.
Exemplos de Situações de Competência Absoluta e Relativa
| Situação | Tipo de Competência | Observação |
|---|---|---|
| Uma ação trabalhista movida por um empregado contra uma empresa | Competência absoluta | Justiça do Trabalho |
| Uma ação de divórcio em que a parte reside na cidade X | Competência relativa | Foro de residência da parte |
| Processo envolvendo uma causa federal relacionada à União | Competência absoluta | Justiça Federal |
| Questão de acordo com o local onde ocorreu a infração criminal | Competência relativa | Jurisdição do local do fato |
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Qual a principal diferença entre competência relativa e absoluta?
A principal diferença está na imutabilidade: a competência absoluta é fixada por lei e não pode ser alterada por convenções, enquanto que a relativa pode variar de acordo com critérios como o local ou o valor da causa.
2. É possível alterar a competência relativa?
Sim, a competência relativa pode ser modificada por acordo entre as partes ou por mudança nas circunstâncias que determinam o foro competente.
3. Como identificar se uma questão envolve competência absoluta ou relativa?
Verifique as regras estabelecidas na legislação aplicável. Geralmente, questões relacionadas a matérias específicas ou de grande relevância envolvem competência absoluta, enquanto as demais, de menor repercussão, envolvem competência relativa.
4. Quais os riscos de não respeitar a competência adequada?
O não respeito à competência pode levar à nulidade do processo, além de crises jurisdicionais ou a remessa do processo ao juízo competente, atrasando a resolução do litígio.
Conclusão
Compreender as diferenças entre competência relativa e absoluta é essencial para garantir que os processos sejam encaminhados ao órgão competente, promovendo segurança jurídica e eficiência na administração da justiça. A correta identificação desses conceitos evita conflitos de jurisdição e contribui para a resolução efetiva dos litígios.
Enquanto a competência absoluta possui caráter imutável, fixada por lei, a competência relativa oferece maior flexibilidade, podendo ser modificada por parte das partes ou pela mudança nas circunstâncias. Ambas são indispensáveis na estrutura do sistema jurídico brasileiro, orientando a atuação dos órgãos judiciários e administrativos.
Como afirmou o jurista Luiz Flávio Gomes, "a competência é a base do ordenamento jurídico de um sistema de justiça, pois define quem julga o quê, onde e como." Entender e aplicar corretamente esses conceitos é, portanto, fundamental para o funcionamento eficiente do sistema judiciário.
Referências
- BRASIL. Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015). Brasília: Senado Federal, 2015.
- SILVA, José dos Santos. Manual de Processo Civil. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2020.
- MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional Esquematizado. São Paulo: Método, 2019.
- TJSP - Tribunal de Justiça de São Paulo
- Supremo Tribunal Federal
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