Classificação das Fraturas: Guia Completo para Compreender Como São Categorias
As fraturas representam uma das lesões mais comuns no âmbito da ortopedia e traumatologia, podendo ocorrer por diversas causas, como acidentes, quedas, ou esforços excessivos. Compreender como as fraturas são classificadas é essencial tanto para profissionais de saúde quanto para leigos, pois isso influencia na escolha do tratamento, prognóstico e reabilitação. Neste guia completo, abordaremos os principais sistemas de classificação de fraturas, fatores que influenciam essa categorização, e responderemos às dúvidas mais frequentes sobre o tema.
Por que é importante classificar as fraturas?
A classificação de fraturas ajuda na padronização do diagnóstico, permitindo que profissionais de saúde comuniquem-se de forma eficaz, estabeleçam estratégias de tratamento e prevejam resultados. Além disso, uma categorização precisa auxilia na pesquisa científica, na elaboração de protocolos clínicos e na formação de novos profissionais na área de ortopedia.

Como as fraturas são classificadas?
A classificação das fraturas pode variar conforme a região afetada, o tipo de trauma, o padrão de fratura e outras características clínicas e radiológicas. A seguir, descrevemos os principais sistemas de classificação utilizados.
Principais sistemas de classificação de fraturas
1. Classificação de Garnett e Greulich
Este sistema é um dos mais tradicionais e visa categorizar as fraturas com base no padrão de trauma e na estabilidade.
2. Classificação de Müller (AO Foundation and Orthopaedic Trauma Association)
Este é um dos sistemas mais utilizados mundialmente, oferecendo uma categorização detalhada das fraturas com base em critérios anatômicos, lineares e complexos.
3. Classificação de Neer
Utilizada principalmente para fraturas do ombro, como as fraturas da cabeça do úmero, sendo muito importante na decisão cirúrgica.
4. Classificação de Salter-Harris
Voltada às fraturas em crianças, que envolve a placa de crescimento ósseo.
5. Classificação de Gustilo e Anderson
Utilizada para fraturas abertas, levando em consideração o grau de gravidade e infecção potencial.
Como as fraturas são categorizadas segundo seus padrões de fratura
As fraturas podem ser divididas de diversas formas, sendo as principais:
| Tipo de Fratura | Descrição | Exemplos |
|---|---|---|
| Transversal | Fratura que atravessa o osso de forma perpendicular ao seu eixo | Fratura no antebraço |
| Obliqua | Fratura com angulação, formando um ângulo em relação ao eixo do osso | Fratura do fêmur oblíqua |
| Espiral | Fratura que envolve uma rotação, formando uma linha espiral no osso | Fratura do úmero por torção |
| Cominutiva | Fratura com múltiplos fragmentos | Fratura do quadril complexa |
| Condiliana | Fratura que acomete os côndilos ósseos | Fratura do joelho (fêmur) |
| Cravada (Impactada) | Fragmentos do osso que entram um no outro, geralmente por impacto | Fratura do colo do fêmur |
Critérios adicionais na classificação de fraturas
Além dos padrões de fratura, outros fatores influenciam na classificação:
- Localização anatômica: qual parte do osso foi atingida.
- Estabilidade: fraturas estáveis ou instáveis.
- Apertura: fraturas abertas ou fechadas.
- Fragmentação: número de fragmentos.
- Deslocamento: grau de deslocamento dos fragmentos ósseos.
Fraturas abertas e fechadas
Fraturas fechadas
São aquelas em que não há ruptura da pele, protegendo o osso de contaminações externas.
Fraturas abertas
São aquelas em que há comunicação entre o osso fraturado e o meio externo, aumentando o risco de infecção. Segundo Gustilo e Anderson, as fraturas abertas podem ser classificadas em três graus de gravidade:
| Grau | Características | Risco de infecção |
|---|---|---|
| I | Laceração superficial com pequeno fragmento de osso exposto | Baixo |
| II | Laceração maior, com ferida extensa e contaminação moderada | Moderado |
| III | Ferida extensa, contaminação severa, com deficiência arterial ou neurovascular | Alto |
Para saber mais detalhes sobre o manejo de fraturas abertas, consulte o artigo Protocolos Clínicos em Traumatologia.
Diagnóstico e classificação
O diagnóstico das fraturas é baseado principalmente em exame clínico e radiológico. A classificação, por sua vez, é aplicada após avaliação detalhada das imagens.
Exame clínico
Inclui avaliação de dor, deformidade, edema, sinais de contusão, desvio e possíveis ferimentos associados.
Exames de imagem
Radiografias, tomografias computadorizadas (TC) e ressonância magnética (RM), quando necessárias, ajudam a determinar o padrão e a complexidade da fratura.
Como a classificação influencia no tratamento?
A classificação orienta a escolha do método de tratamento — seja conservador ou cirúrgico — e ajuda a prever a evolução e o prognóstico do paciente. Como bem disse o ortopedista William J. Gates:
"A compreensão da classificação de uma fratura é o primeiro passo para uma abordagem terapêutica eficaz."
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Quais são as principais fraturas que ocorrem em crianças?
As fraturas de crescimento, como as categorias de Salter-Harris, são comuns em pediatria. Elas envolvem a placa de crescimento ósseo e requerem atenção especial, pois podem afetar o crescimento do osso se não tratadas corretamente.
2. Como saber se a fratura é aberta ou fechada?
Durante o exame clínico, verifica-se se há ferimento na pele que comunica com o local da fratura. Radiografias complementam a avaliação para determinar a presença de fragmentos expostos.
3. Qual a importância do tratamento imediato?
O tratamento precoce minimiza complicações, como infecção, isquemia, ou mau alinhamento ósseo. Para fraturas abertas, a lavagem e administração de antibióticos são essenciais.
4. Como prevenir complicações em fraturas?
Seguir as orientações médicas, realizar o tratamento adequado, evitar movimento excessivo e manter a imobilização são passos importantes para uma recuperação bem-sucedida.
Conclusão
A classificação das fraturas é uma ferramenta fundamental na prática médica, facilitando o entendimento do tipo de lesão, o planejamento do tratamento e a previsão do prognóstico. Conhecer os sistemas de classificação, os diferentes tipos de fratura e suas características permite uma abordagem mais precisa e eficaz no cuidado ao paciente traumatizado. Como afirmado por Hippocrates:
"A parte mais importante do tratamento é entender a natureza do problema."
Aprofundar-se no conhecimento dessas categorias é indispensável para profissionais de saúde e interessados na área de traumatologia.
Referências
- Müller, M. E. et al. Classificação de Fraturas: Sistema AO. São Paulo: Atheneu, 2010.
- Gustilo, R. B., Anderson, J. T. (1976). Prevention of infection in open fractures: classification and evaluation. Journal of Trauma, 16(11), 887–893.
- Neer, C. S. (1970). Displaced proximal humeral fractures. II. Treatment of three-part and four-part displacement. Journal of Bone and Joint Surgery, 52(6), 1090–1103.
- Salter, R. B., Harris, W. R. (1963). Injuries involving the epiphyseal plate. The Journal of Bone and Joint Surgery, 45(3), 587–622.
- Ortópedistas.net - Guia de Fraturas
- Sociedade Brasileira de Traumatologia e Ortopedia
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