Como Sair Da Empresa Sem Perder Seus Direitos: Guia Completo
Decidir deixar uma empresa pode ser uma das decisões mais difíceis na vida de um trabalhador, seja por insatisfação, busca por novas oportunidades ou por motivos pessoais. Entretanto, muitas pessoas têm dúvidas sobre o que fazer para garantir seus direitos trabalhistas ao encerrar um ciclo profissional. Saber como proceder de forma adequada é fundamental para evitar prejuízos e garantir que todos os direitos adquiridos sejam respeitados.
Este guia completo foi elaborado para ajudar você a entender as etapas necessárias ao sair de uma empresa, assegurando seus direitos trabalhistas e evitando problemas futuros. Aqui, abordaremos desde o procedimento legal até dicas práticas, além de responder às perguntas mais frequentes sobre o tema.

Entendendo Seus Direitos ao Sair da Empresa
Antes de falar sobre procedimentos específicos, é importante compreender quais direitos trabalhistas você possui ao encerrar um vínculo empregatício. Os principais direitos incluem:
- Saldo de salário
- Férias proporcionais e férias vencidas
- 13º salário proporcional
- Fringe benefits (benefícios adicionais, se houver)
- Aviso prévio (indenizado ou trabalhado)
- Multa de 40% do FGTS
- Liberação do FGTS
- Seguro-desemprego (quando aplicável)
Direitos em Caso de Rescisão Contratual
Dependendo do tipo de rescisão, seus direitos podem variar. As principais categorias são:
- Demissão sem justa causa
- Demissão por justa causa
- Pedido de demissão
Cada cenário possui regras específicas, que serão detalhadas a seguir.
Como Sair da Empresa de Forma Legal e Segura
Processo de Pedido de Demissão
Se você decidiu solicitar a saída por vontade própria, siga os passos abaixo para garantir que seus direitos não sejam prejudicados:
- Comunique a decisão formalmente ao empregador
- Solicite o Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (TRCT)
- Calcule todas as verbas rescisórias
- Verifique se há pendências ou diferenças
- Receba o pagamento de todas as verbas devidas
- Solicite o levantamento do FGTS e do seguro-desemprego (quando aplicável)
- Guarde toda a documentação relacionada ao desligamento
Como Proceder em Caso de Demissão sem Justa Causa
Quando a empresa realiza uma demissão sem justa causa, seus direitos são garantir uma rescisão adequada e receber todas as verbas rescisórias. Veja como proceder:
1. Solicite a homologação da rescisão
Desde 2017, com a nova legislação, a homologação passou a ser obrigatória apenas para contratos acima de um ano, realizada no sindicato ou pelo Ministério do Trabalho. Verifique se há necessidade de homologação na sua região.
2. Receba o Termo de Rescisão
O TRCT detalha todas as verbas devidas, como o saldo de salário, férias proporcionais, 13º proporcional, aviso prévio, multa de 40% do FGTS, entre outros.
3. Verifique as verbas rescisórias
Utilize uma tabela para facilitar o cálculo:
| Verba Rescisória | Valor Estimado | Observações |
|---|---|---|
| Saldo de salário | R$ 1.200,00 | Dias trabalhados no mês da demissão |
| Férias vencidas | R$ 1.200,00 | Caso tenha férias não tiradas |
| Férias proporcionais | R$ 400,00 | Proporcional ao período trabalhado |
| 13º salário proporcional | R$ 300,00 | Baseado nos meses trabalhados |
| Aviso prévio (indenizado) | R$ 1.200,00 | Depende do tempo de serviço |
| Multa de 40% do FGTS | R$ 600,00 | Sobre o saldo do FGTS |
Nota: os valores variam conforme salário, tempo de contrato e outras condições.
Como Garantir Seus Direitos
- Conheça seus direitos antes de assinar qualquer documento
- Solicite uma cópia do TRCT e verifique se todas as verbas estão corretas
- Exija o pagamento de todas as verbas rescisórias dentro do prazo de até 10 dias após a homologação
- Procure orientação jurídica especializada em direito trabalhista, se necessário
Direitos Especiais em Situações Específicas
Demissão por Justa Causa
Quando a empresa decide rescindir o contrato por justa causa, alguns direitos podem ser cortados. Contudo, o trabalhador ainda tem direito ao saldo de salários e às férias proporcionais.
Pedido de Demissão
Ao solicitar o desligamento por vontade própria, você receberá:
- Saldo de salário
- Férias proporcionais
- 13º proporcional
- Possibilidade de sacar o FGTS (não há multa de 40%)
- Seguro-desemprego, em alguns casos, se cumprir os requisitos
Rescisão por Acordo
Recentemente, foi criado o Rescisão por Acordo (Lei n° 14.020/2020), que permite que empregador e empregado façam acordo para a rescisão do contrato, prevendo:
- Parcela de 80% do saldo do FGTS
- Possibilidade de saque de parte do FGTS
- Redução de multas e direitos
Mais informações sobre esse tipo de rescisão podem ser encontradas em este artigo da Guia Trabalhista.
Cuidados ao Sair da Empresa
Para garantir sua segurança jurídica, tome os seguintes cuidados:
- Nunca assine documentos sem ler e compreender totalmente o conteúdo
- Solicite sempre o recibo de pagamento e a homologação, quando obrigatória
- Guarde cópias de toda a documentação relacionada ao desligamento
- Procure orientação jurídica especializada em caso de dúvidas ou irregularidades
Importância de Um Recolhimento Correcto do FGTS
O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) é um direito que garante uma reserva financeira ao trabalhador. Ao sair da empresa, é fundamental verificar se o saldo está atualizado e se o saque está liberado. Para verificar, acesse site da Caixa Econômica Federal.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Posso sair da empresa sem perder meus direitos trabalhistas?
Sim. Desde que o procedimento seja realizado de forma correta e conforme a legislação vigente, seus direitos trabalhistas serão resguardados.
2. Quanto tempo tenho para sacar o FGTS após a demissão?
Normalmente, o saque do FGTS pode ser feito imediatamente após a homologação da rescisão ou a comunicação formal do desligamento. Consulte seu saldo pelo site da Caixa.
3. Posso reivindicar direitos que não foram pagos durante a rescisão?
Sim. Caso haja valores não pagos, você pode recorrer à Justiça do Trabalho para reivindicar esses direitos.
4. O que acontece se eu assinar a homologação sem verificar as verbas?
Pode prejudicar seus direitos, pois algumas verbas podem estar incorretas ou incompletas. Sempre revise cuidadosamente antes de assinar.
5. É obrigatório homologar a rescisão?
Para contratos com mais de um ano de duração, a homologação é obrigatória, mas pode variar conforme a legislação local e o tempo de serviço.
Conclusão
Sair de uma empresa sem perder seus direitos requer atenção, conhecimento e cuidados específicos. Entender os seus direitos, seguir o procedimento correto e buscar orientação especializada são passos essenciais para garantir um desligamento tranquilo e justo.
Lembre-se sempre: “Conhecimento é poder.” Ter clareza sobre seus direitos trabalhistas é fundamental para evitar prejuízos e garantir uma nova oportunidade com segurança.
Se estiver inseguro ou enfrentar dificuldades, não hesite em procurar apoio jurídico ou Sindicado da sua categoria.
Referências
- Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) – Lei nº 13.467/2017
- Portal do Governo Federal - Direitos Trabalhistas – gov.br
- Guia Trabalhista – www.guiatrabalhista.com.br
- Caixa Econômica Federal - Consulta FGTS – www.caixa.gov.br
Este artigo foi elaborado para informar e orientar trabalhadores sobre o processo de saída de uma empresa, de acordo com a legislação brasileira vigente.
MDBF