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Hemodiálise: Como Funciona o Tratamento para Doença Renal

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A doença renal é uma condição que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo, podendo levar à insuficiência renal crônica, uma condição grave que requer tratamentos específicos. Um dos principais métodos utilizados para auxiliar na substituição da função dos rins é a hemodiálise. Este artigo explica detalhadamente como funciona a hemodialise, seus benefícios, procedimentos, cuidados e respostas às perguntas mais frequentes.

Introdução

A insuficiência renal crônica é uma condição progressiva na qual os rins perdem a capacidade de filtrar resíduos, excesso de líquidos e manter o equilíbrio de minerais no organismo. Quando os rins deixam de funcionar adequadamente, o corpo começa a acumular toxinas que podem provocar complicações sérias à saúde.

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A hemodiálise surge como uma alternativa vital para esses pacientes, funcionando como uma espécie de "rim artificial" que realiza as funções renais de forma temporária ou prolongada. Entender como ela funciona é fundamental para pacientes, familiares e profissionais de saúde envolvidos no tratamento.

O que é hemodiálise?

Definição

A hemodiálise é um procedimento médico que utiliza uma máquina especialmente equipada para remover resíduos, excesso de líquidos e toxinas do sangue de pacientes com insuficiência renal. O procedimento é realizado através de um acesso vascular, que permite a circulação do sangue do paciente até a máquina de diálise e vice-versa.

Quando a hemodiálise é indicada?

Geralmente, a hemodiálise é indicada nos casos de insuficiência renal crônica avançada (estágio 5 da doença renal), quando os rins deixam de desempenhar suas funções essenciais. Ela também pode ser utilizada temporariamente em casos de insuficiência aguda ou durante o período pré-transplante.

Como funciona a hemodiálise?

O processo de filtração

A hemodiálise funciona através de um processo de filtração que imita as funções dos rins saudáveis. O sangue do paciente é retirado por um acesso vascular, circula por um filtro (dialisador) onde resíduos e excesso de líquidos são removidos, e depois o sangue limpo é retornado ao organismo.

Passo a passo do procedimento

1. Preparação do paciente

Antes da sessão, o paciente deve estar em jejum ou seguir orientações específicas do médico. O acesso vascular precisa estar preparado e funcionando corretamente.

2. Acesso ao sistema vascular

Existem duas formas principais de acesso:

  • Fístula arteriovenosa: cirurgia que conecta uma artéria a uma veia, criando um acesso duradouro.
  • Cateter venoso central: utilizado em casos de emergência ou quando a fístula ainda não foi preparada.

3. Circulação do sangue

O sangue é bombeado através de tubos até o dialisador para a filtração. Enquanto isso, um líquido de diálise, chamado de 'dialisato', é usado para remover resíduos e equilibrar substâncias químicas no sangue.

4. Processo de filtração no dialisador

Dentro do dialisador, ocorre a troca de substâncias entre o sangue e o dialisato por meio de um semi-permeável, removendo toxinas e excesso de líquidos.

5. Retorno do sangue ao corpo

Depois da filtração, o sangue limpo é devolvido ao corpo através do mesmo acesso vascular.

Visualização do processo

EtapaDescriçãoEquipamento usado
1Coleta do sangue do pacienteAcesso vascular, tubos
2Circulação pelo dialisadorDialisador, membrana semi-permeável
3Remoção de resíduos e excesso de líquidosDialisato (solução de diálise)
4Retorno do sangue limpo ao pacienteTubos, acesso vascular

Frequência das sessões

A quantidade de sessões semanais varia de acordo com a gravidade da insuficiência renal, podendo ocorrer de duas a quatro vezes por semana, com duração de aproximadamente 4 horas cada.

Benefícios da hemodiálise

  • Remove resíduos tóxicos que os rins deixam de filtrar
  • Controla o excesso de líquidos no corpo
  • Corrige desequilíbrios eletrolíticos
  • Melhora a qualidade de vida do paciente
  • Pode ser realizada de forma rotineira, garantindo maior estabilidade

Cuidados durante a hemodiálise

Para garantir a eficácia e segurança do procedimento, é essencial que o paciente siga orientações médicas, como:

  • Monitoramento regular do acesso vascular
  • Controle da dieta e ingestão de líquidos
  • Uso de medicação prescrita
  • Manutenção de uma rotina de exames

Riscos e complicações possíveis

Apesar de eficaz, a hemodiálise pode apresentar alguns riscos, como infecções no local de acesso, desequilíbrios eletrolíticos, hipotensão arterial e cãibras musculares. Por isso, acompanhamento médico constante é imprescindível.

Como escolher o tipo de acesso vascular?

Fístula arteriovenosa

Por ser mais duradoura e com menor risco de complicações, a fístula é considerada o melhor tipo de acesso para a hemodiálise.

Cateter venoso central

Indicada para situações de emergência ou até que a fístula esteja pronta, esse acessório pode apresentar maior risco de infecção e complicações.

Perguntas Frequentes sobre Hemodiálise

1. Quanto tempo dura uma sessão de hemodiálise?

A maioria das sessões dura cerca de 4 horas, mas o tempo pode variar conforme a condição do paciente.

2. Quais os efeitos colaterais mais comuns?

Cãibras, hipotensão, fadiga, náusea e dor no local do acesso vascular.

3. A hemodiálise cura a doença renal?

Não, ela é uma terapia de suporte que substitui temporariamente as funções dos rins. O tratamento definitivo pode ser um transplante renal.

4. É possível realizar atividades durante a hemodiálise?

Sim, muitas pessoas conseguem fazer atividades leves, assistir televisão ou ouvir música durante o procedimento.

5. Quais cuidados após a sessão?

Manter-se hidratado, evitar esforços físicos intensos e seguir as orientações médicas.

Conclusão

A hemodiálise é um procedimento fundamental para pacientes com insuficiência renal avançada, desempenhando um papel vital na manutenção da vida e na melhora da qualidade de vida. Compreender seu funcionamento, cuidados necessários e as alternativas disponíveis ajuda pacientes e familiares a enfrentarem esse desafio com mais segurança e informação.

Mesmo que o tratamento seja longo e, muitas vezes, difícil, avanços tecnológicos e a atenção contínua à saúde proporcionam melhores perspectivas para aqueles que dependem da hemodiálise. Manter-se bem informado é o primeiro passo para uma convivência mais tranquila com a doença renal.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). Insuficiência Renal Crônica. Disponível em: https://www.nefro.org.br

  2. Ministério da Saúde. Guia de Diálise. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-z/d/diálise

Seja informado, cuide da sua saúde e consulte sempre seu médico especialista para orientações específicas.