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Como Fazer Cálculo de Rescisão: Guia Completo para Empregadores e Empregados

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A rescisão do contrato de trabalho é um momento delicado na relação empregador-empregado, exigindo atenção tanto às questões legais quanto aos cálculos corretos. Realizar um cálculo de rescisão preciso evita conflitos, garante o cumprimento da legislação e assegura que o empregado receba todas as verbas a que tem direito. Neste guia completo, vamos explicar passo a passo como fazer o cálculo de rescisão, incluindo as diferenças entre as verbas devidas, orientações práticas e dicas essenciais para empregadores e empregados.

Introdução

A rescisão de contrato de trabalho ocorre por diversos motivos, como término de contrato por prazo determinado, dispensa sem justa causa, dispensa por justa causa, entre outros. Independentemente do motivo, é fundamental realizar um cálculo preciso das verbas rescisórias, que podem incluir saldo de salário, férias proporcionais, 13º salário proporcional, aviso prévio, além de eventuais multas e descontos.

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Segundo João Batista, advogado especialista em Direito do Trabalho, "o cálculo correto das verbas rescisórias é essencial para evitar problemas futuros e garantir que o trabalhador receba tudo o que lhe é devido de acordo com a legislação vigente." Por isso, entender detalhadamente cada etapa é fundamental para quem deseja fazer ou verificar cálculos de forma segura.

O que é cálculo de rescisão?

O cálculo de rescisão consiste na soma de todas as verbas trabalhistas devidas ao empregado ao final do contrato de trabalho. Ele deve refletir de maneira precisa tudo o que o trabalhador acumulou de direitos durante o período de vigência do contrato.

Quais são as principais verbas rescisórias?

VerbaDescrição
Saldo de salárioDias trabalhados no mês da demissão
Aviso prévioValor referente ao aviso prévio, seja indenizado ou trabalhado
Férias proporcionaisValor proporcional de férias acumuladas, acrescidas de 1/3
13º salário proporcionalProporcional ao tempo trabalhado no ano da demissão
13º salário já adiantadoCaso o empregador tenha feito adiantamento do 13º
Multa de 40% do FGTSValor a ser depositado pelo empregador em caso de dispensa sem justa causa
FGTSDepósitos feitos durante o contrato, que podem ser sacados ou utilizados
Outras verbas (se aplicável)Como horas extras, adicionais, comissões etc. caso tenham sido devidas

Como realizar o cálculo de rescisão passo a passo

1. Verificar o tipo de dispensa

Dependendo do motivo, as verbas podem variar:

  • Dispensa sem justa causa
  • Dispensa por justa causa
  • Pedido de demissão
  • Término de contrato por prazo determinado
  • Rescisão indireta

2. Cálculo do saldo de salário

Calcule o valor proporcional aos dias trabalhados do mês da demissão. Por exemplo, se o trabalhador foi demitido no dia 15, considere metade do salário referente ao mês.

3. Cálculo do aviso prévio

  • Aviso trabalhado: o empregador deve pagar o salário referente ao período de aviso.
  • Aviso indenizado: o empregador paga o valor correspondente ao período do aviso, sem exigir o cumprimento do período pelo empregado.

O período do aviso prévio é de, no mínimo, 30 dias, podendo ser acrescido de 3 dias por ano de trabalho até o máximo de 90 dias.

4. Cálculo de férias proporcionais

Considere o tempo trabalhado no período aquisitivo incompleto, acrescido de 1/3. Use a fórmula:

Férias proporcionais = (Número de meses trabalhados no período aquisitivo / 12) × Salário + 1/3 desse valor

5. Cálculo do 13º salário proporcional

Divida o salário por 12, multiplique pelo número de meses trabalhados no ano da demissão.

6. Multa de 40% do FGTS

Calcule 40% sobre o total dos valores depositados na conta do FGTS durante o contrato.

7. Resgatar o saldo do FGTS

Caso seja dispensado sem justa causa, o trabalhador pode sacar o saldo de sua conta vinculada ao FGTS e a multa de 40%.

Exemplo prático de cálculo de rescisão

Vamos ilustrar com um exemplo realista para facilitar o entendimento.

Cenário:

  • Salário mensal: R$ 2.000,00
  • Data de demissão: 15 de agosto
  • Contrato iniciado em 01/01/2023
  • Dispensa sem justa causa
  • Aviso prévio indenizado
  • Não há horas extras ou adicionais

Passo a passo:

DescriçãoCálculo / ValorValor (R$)
Saldo de salário (15 dias de agosto)R$ 2.000 / 30 × 15R$ 1.000,00
Aviso prévio indenizadoR$ 2.000 (valor do salário)R$ 2.000,00
Férias proporcionais (7 meses)(7 / 12) × R$ 2.000 + 1/3R$ 1.222,22
13º proporcional (7 meses)(7 / 12) × R$ 2.000R$ 1.166,66
Multa do FGTS (40%)Supondo depósitos de R$ 200/mês por 1 ano e 8 mesesR$ 560,00 (estimativa)
Total aproximadoSoma de todas as verbasR$ 5.048,54

Observação: Os valores de FGTS variam conforme quanto foi depositado ao longo do período de trabalho, podendo consultar extrato para precisão.

Dicas importantes para fazer o cálculo corretamente

  • Sempre confira os contratos, aditivos e acordos sindicais que possam alterar o cálculo padrão.
  • Utilize as ferramentas e tabelas oficiais do Governo disponíveis no site do Ministério do Trabalho para verificar os cálculos atuais.
  • Caso tenha dúvidas, consulte um profissional de Recursos Humanos ou um advogado trabalhista.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. O que fazer se o empregador não pagar as verbas rescisórias?

O empregado pode procurar o sindicato da categoria, o Ministério do Trabalho ou recorrer à Justiça do Trabalho para assegurar seus direitos.

2. Como calcular a multa de 40% do FGTS?

Multiplique o total depositado na conta do FGTS durante o contrato por 0,4 (quatro décimos). Este valor será pago juntamente com o saldo do FGTS.

3. Quais são os prazos para pagar as verbas rescisórias?

De acordo com a legislação brasileira, o empregador deve pagar as verbas no até 10 dias corridos após o término do contrato de trabalho.

4. É necessário homologar a rescisão?

Para contratos com mais de um ano, a homologação do sindicato ou do Ministério do Trabalho é obrigatória, garantindo que o cálculo esteja correto.

Conclusão

Realizar um cálculo de rescisão de forma precisa é fundamental tanto para empregadores quanto para empregados. Entender cada componente, os prazos e a legislação vigente ajuda a evitar problemas futuros e garante que todos os direitos sejam respeitados. Sempre utilize informações atualizadas, consulte fontes oficiais e, em caso de dúvidas, conte com o auxílio de profissionais qualificados.

Para uma orientação prática e segura, confira também o artigo no Portal do Empregador e os tutoriais disponíveis no Site do TST sobre direitos trabalhistas.

Referências

Se desejar, podemos ampliar algum tópico específico ou acrescentar informações adicionais.