Como Fazer as Contas de Demissão: Guia Completo e Otimizado
Demissões no mercado de trabalho podem ser momentos desafiadores tanto para o empregador quanto para o empregado. Além do aspecto emocional, uma questão fundamental é entender como calcular corretamente as verbas rescisórias devidas ao trabalhador. Fazer as contas de demissão de maneira eficiente e precisa é essencial para evitar problemas futuros, garantir direitos trabalhistas e manter uma boa relação entre empregado e empregador.
Neste artigo, apresentaremos um guia completo sobre como fazer as contas de demissão, abordando os principais aspectos, cálculos, dicas e esclarecendo dúvidas comuns. Nosso objetivo é fornecer informações claras e confiáveis, fortalecendo seus conhecimentos sobre esse tema importante.

Por que é importante saber fazer as contas de demissão?
Saber calcular corretamente as verbas rescisórias é fundamental para garantir que tanto o empregador quanto o empregado estejam protegidos de eventuais fraudes ou erros. Além disso, entender esses cálculos ajuda a evitar problemas legais, oferece maior transparência na relação de trabalho e contribui para um processo de desligamento mais justo.
Segundo o renomado jurista brasileiro Nélson Nery Júnior, "a transparência nos cálculos rescisórios reflete o compromisso da empresa com os direitos do trabalhador e evita litígios futuros." Portanto, compreender o método de cálculo é uma competência imprescindível para gestores, advogados e mesmo empregados.
Como fazer as contas de demissão: passos essenciais
Calculando corretamente as verbas rescisórias, o passo a passo a seguir é fundamental:
1. Verificar o tipo de rescisão
Existem diferentes tipos de demissão que influenciam diretamente no cálculo:
- Demissão sem justa causa
- Demissão por justa causa
- Pedido de demissão
Cada uma possui regras específicas e direitos distintos. A seguir, abordaremos a mais comum: demissão sem justa causa.
2. Reunir informações essenciais
Antes de fazer as contas, certifique-se de ter em mãos:
- Data de admissão
- Data de desligamento
- Salário atual
- Horas extras, adicionais e outros componentes de remuneração
- Número de meses trabalhados no último período
3. Calcular as verbas rescisórias principais
As principais verbas que compõem a rescisão por demissão sem justa causa são:
- Saldo de salário
- Aviso prévio (indenizado ou trabalhado)
- Férias proporcionais
- 13º salário proporcional
- Multa de 40% do FGTS
- Liberação do FGTS
4. Realizar os cálculos detalhados
Vamos a um exemplo prático ao longo do artigo para ilustrar cada etapa.
Componentes das verbas rescisórias
A seguir, detalhamos cada um dos componentes que integram o cálculo de uma rescisão:
Saldo de salário
Corresponde aos dias trabalhados no mês da demissão que ainda não foram pagos.
Aviso prévio
De acordo com a CLT, o aviso prévio pode ser trabalhado ou indenizado, normalmente de 30 dias, acrescido de 3 dias por ano trabalhado, até o limite de 90 dias.
Férias proporcionais + 1/3 constitucional
Férias proporcionais referente aos meses trabalhados no período aquisitivo, acrescidas de 1/3 constitucional.
13º salário proporcional
Valor referente aos meses trabalhados no ano em que ocorreu a rescisão, proporcional a 1/12 por mês trabalhado.
Multa de 40% do FGTS
Corresponde a 40% do saldo do FGTS depositado durante o contrato de trabalho.
Tabela exemplos de cálculos rescisórios
| Item | Descrição | Cálculo |
|---|---|---|
| Saldo de salário | Dias trabalhados no mês da demissão | Salário mensal / 30 dias x dias trabalhados |
| Aviso prévio | Indenizado ou trabalhado | Salário + 1/3 do aviso |
| Férias proporcionais | Meses trabalhados no período aquisitivo | (Salário / 12) x meses trabalhados + 1/3 |
| 13º proporcional | Meses trabalhados no ano | (Salário / 12) x meses trabalhados |
| Multa de 40% do FGTS | 40% sobre o total depositado em FGTS | Saldo FGTS x 40% |
Como fazer um cálculo exemplo completo
Vamos a um cálculo detalhado com base nos seguintes dados:
- Data de admissão: 01/01/2021
- Data de desligamento: 31/07/2023
- Salário mensal: R$ 3.000,00
- FGTS acumulado: R$ 4.000,00 (estimado pelo período)
Passo 1: Saldo de salário
Considerando desligamento em 31/07/2023 e salário fixo de R$ 3.000,00:
- Dias trabalhados em julho: 31 dias
- Saldo de salário: (R$ 3.000 / 30) x 31 = R$ 3.100,00
Passo 2: Aviso prévio
- Tempo de trabalho: 2 anos e 7 meses
- Aviso prévio padrão: 30 dias + 3 dias por ano
- Aviso devido: 30 dias + (0,7 x 3 dias) ≈ 2 dias
- Total de aviso: 32 dias
Valor do aviso indenizado: (Salário / 30) x 32 = R$ 3.200,00
Passo 3: Férias proporcionais + 1/3
- Meses trabalhados no último período: 7 meses e 30 dias (de janeiro a julho de 2023)
- Férias proporcionais: (R$ 3.000 / 12) x 7,5 = R$ 1.875,00
- 1/3 constitucional: R$ 625,00
- Total: R$ 2.500,00
Passo 4: 13º salário proporcional
- Meses trabalhados em 2023: 7 meses
- 13º proporcional: (R$ 3.000 / 12) x 7 = R$ 1.750,00
Passo 5: Multa de 40% do FGTS
- Saldo do FGTS: R$ 4.000,00
- Multa: R$ 4.000 x 40% = R$ 1.600,00
Resumo final:
| Descrição | Valor (R$) |
|---|---|
| Saldo de salário | 3.100,00 |
| Aviso prévio (indenizado) | 3.200,00 |
| Férias proporcionais + 1/3 | 2.500,00 |
| 13º salário proporcional | 1.750,00 |
| Multa de 40% do FGTS | 1.600,00 |
| Total estimado | 12.150,00 |
Dicas importantes para fazer as contas de demissão
- Documente tudo: mantenha registros de pagamentos, recibos e contratos.
- Consulte a legislação atualizada: regras podem mudar, verifique as atualizações na CLT e no site do Ministério do Trabalho.
- Use calculadoras online confiáveis: há ferramentas que facilitam os cálculos, mas sempre revise os resultados.
- Procure ajuda profissional: advogados trabalhistas ou departamentos de RH podem esclarecer dúvidas específicas.
Perguntas frequentes (FAQs)
1. Como calcular o aviso prévio indenizado?
O aviso prévio indenizado corresponde ao salário integral, acrescido de 1/3, considerando o período de aviso não trabalhado, conforme o tempo de serviço.
2. Como calcular as férias proporcionais?
Férias proporcionais são calculadas com base no número de meses trabalhados no último período aquisitivo, multiplicando pelo valor do salário, mais 1/3 constitucional.
3. Qual é o prazo para pagar as verbas rescisórias?
De acordo com a CLT, o empregador deve pagar as verbas devidas em até 10 dias após o término do contrato de trabalho.
4. O que fazer se houver divergências nos cálculos?
Procure o setor de Recursos Humanos ou um advogado trabalhista para revisar o cálculo. Caso necessário, registre uma reclamação junto ao Ministério do Trabalho.
Conclusão
Saber fazer as contas de demissão de forma correta é um aspecto fundamental para garantir os direitos trabalhistas e evitar problemas legais. Compreender cada componente das verbas rescisórias, seguir um passo a passo organizado e manter uma documentação adequada são ações essenciais para uma rescisão transparente e justa.
Lembre-se sempre de buscar informações atualizadas, utilizar ferramentas confiáveis e, quando necessário, consultar profissionais especializados. Fazer as contas de demissão não precisa ser um processo complicado, mas deve ser realizado com atenção e precisão.
Referências
- Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm
- Ministério do Trabalho e Emprego. Guia de Rescisões: https://www.gov.br/trabalho/pt-br/assuntos/administracao-trabalhista/guia-de-rescisao
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MDBF