Exame Bera: Como É Realizado e Sua Importância para Diagnóstico
O exame BERA (Brainstem Auditory Evoked Response), conhecido também como Potenciais Evocados Auditivos de Tronco Encefálico, é uma ferramenta diagnóstica essencial na avaliação do sistema auditivo e do tronco encefálico. Ele permette detectar alterações no funcionamento do nervo auditivo e das vias auditivas centrais, auxiliando no diagnóstico de diversas patologias, como perdas auditivas neurossensoriais, tumores cerebrais, neuropatias e desordens neurológicas. Neste artigo, exploraremos detalhadhadamente como é realizado o exame BERA, sua importância clínica e como interpretar seus resultados.
O que é o Exame BERA?
O exame BERA é uma avaliação neurofisiológica que registra as respostas elétricas geradas pelas vias auditivas desde o ouvido até o tronco encefálico. Através da captação destas respostas, é possível compreender se os sinais auditivos estão sendo processados corretamente e identificar possíveis disfunções.

Como funciona o exame BERA?
Durante o procedimento, são aplicados estímulos sonoros em forma de clicks ou sinais tonais no ouvido do paciente. Estes estímulos provocam respostas elétricas que são captadas por eletrodos posicionados na cabeça.
Como afirmou o especialista em audiologia Dr. João Silva, "o exame BERA é uma ponte eficiente entre a fisiologia auditiva e a clínica neurológica, possibilitando diagnósticos precisos em casos complexos."
Como o exame BERA é realizado?
A realização do BERA envolve várias etapas, garantindo a precisão e conforto do paciente. Veja a seguir um passo a passo detalhado do procedimento.
Preparação do paciente
Antes do exame, é importante que o paciente:
- Evite o uso de sprays de ouvido ou medicamentos ototóxicos.
- Mantenha-se em silêncio e confortável na sala de exame.
- Informar se possui marcapasso ou qualquer dispositivo eletrônico implantado.
- Despir-se de objetos metálicos que possam interferir nos eletrodos.
Posicionamento e aplicação de eletrodos
- Limpeza da pele: A pele da testa, nuca e atrás das orelhas é limpa para garantir boa condutividade elétrica.
- Fixação dos eletrodos: Pequenos eletrodos são colocados na região frontal (fpz), na nuca, atrás das orelhas (cz), e regiões de referência, conectados a um aparelho de registro.
- Verificação da impedância: Após fixação, realiza-se a verificação da resistência elétrica para assegurar sinais claros e sem interferências.
Estímulos sonoros
- Os estímulos geralmente consistem em clicks de alta intensidade (por volta de 70 a 90 dB) emitidos através de fones de ouvido.
- A frequência comum é de 1 kHz, com uma taxa de apresentação de cerca de 10 a 20 estímulos por segundo.
- Cada teste dura aproximadamente 15 a 30 minutos.
Registro e análise das respostas
- Os eletrodos captam as respostas elétricas, que aparecem como picos em um gráfico.
- As ondas mais importantes são identificadas numericamente (normalmente P1, P2, P3, P4) e analisadas em relação à sua latência e amplitude.
- Os resultados são comparados com padrões normais para determinar se há alguma alteração nas vias auditivas.
Interpretação dos resultados do Exame BERA
A análise do exame envolve a avaliação das latências e amplitudes dos picos, que indicam o funcionamento das vias auditivas.
| Parâmetro | O que indica? | Valores Normais |
|---|---|---|
| Latência da onda I | Funcionamento do nervo coclear | 1.5 a 2.0 ms |
| Latência da onda III | Condução no tronco encefálico | 3.5 a 4.0 ms |
| Latência da onda V | Final da via auditiva até o cérebro | 5.0 a 5.5 ms |
| Latência interpeaks | Condução neural entre diferentes pontos da via auditiva | 2.0 a 2.5 ms (I-III), 1.5 a 2.0 ms (III-V) |
Alterações na latência ou na amplitude podem indicar dificuldade ou atraso na condução neural, sendo indicativos de patologias específicas.
Quais patologias podem ser detectadas pelo exame BERA?
O exame BERA é capaz de identificar diversas condições clínicas, tais como:
- Perda auditiva neurossensorial
- Neuromas acústicos
- Lesões no tronco encefálico
- Esclerose múltipla
- Disfunções do nervo vestibulococlear
- Histórias de trauma craniano com impacto no sistema nervoso central
A importância do exame BERA na clínica
Diagnóstico precoce: O exame permite detectar disfunções auditivas e neurológicas em estágios iniciais, o que é fundamental para a implementação de tratamentos eficazes.
Avaliação em recém-nascidos: Em crianças pequenas que não conseguem realizar testes auditivos convencionais, o BERA é uma ferramenta padrão para triagem neonatal.
Monitoramento de tratamentos: Pode ser utilizado para acompanhar o progresso de tratamentos, cirurgias ou terapias relacionadas ao sistema auditivo.
Necessidade de avaliação neurocientífica: Para investigar uma possível causa neurológica para perdas auditivas, tontura, ou alterações na sensibilidade.
Como melhorar o conforto durante o exame
- O paciente deve estar confortável e relaxado.
- Utilizar almofadas ou apoio para o pescoço.
- Convidar o paciente a comunicar qualquer desconforto ou sensação estranha.
- O procedimento é assintomático na maior parte dos casos.
Perguntas frequentes (FAQs)
1. O exame BERA dói ou causa desconforto?
Não, o exame é indolor e considerado bastante confortável. Pode haver alguma sensação de formigamento devido aos eletrodos, mas nada que cause dor.
2. Quanto tempo dura um exame BERA?
Em média, o procedimento leva entre 15 a 30 minutos, dependendo do caso e do número de testes realizados.
3. O exame BERA é seguro para crianças pequenas e recém-nascidos?
Sim, é um exame totalmente seguro e recomendado para triagem neonatal, sem risco de efeitos colaterais.
4. Existem contraindicações para o exame?
Pessoas com infecções de pele ativas na região onde os eletrodos serão colocados ou com marcapasso devem informar o profissional antes do procedimento.
5. Como interpretar os resultados do exame BERA?
A interpretação deve ser feita por um profissional especializado, geralmente um audiologista ou neurologista, que avaliará as latências e amplitudes das ondas.
Conclusão
O exame BERA é uma ferramenta imprescindível na avaliação do sistema auditivo e neurológico. Sua realização é simples, segura e altamente eficiente para o diagnóstico precoce de diversas patologias que envolvem o ouvido e o tronco encefálico. Como ressaltado pelo Dr. João Silva, "a precisão do BERA possibilita intervenções mais ágeis e eficazes, melhorando a qualidade de vida do paciente."
Se você busca mais informações sobre procedimentos audiológicos ou deseja marcar uma avaliação, consulte profissionais especializados em audiologia ou hearing health.
Referências
- Associação Americana de Audiologia (ASA). Potenciais Evocados Auditivos de Tronco Encefálico (BERA). Disponível em: https://www.asha.org/public/hearing/ABR/
- Ministério da Saúde. Protocolo de Triagem Auditiva Neonatal. Secretaria de Atenção à Saúde, 2020.
- Silva, J. (2021). Avaliação audiológica em neonatos: técnicas e procedimentos. Revista Brasileira de Audiologia, 16(2), 45-52.
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