Ferida da Sifilis Feminina: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum. Apesar de ser uma doença antiga, ela ainda representa um desafio de saúde pública no Brasil e no mundo, especialmente devido ao crescimento de casos não diagnosticados ou tratados de forma inadequada. Uma das manifestações iniciais mais conhecidas da sífilis é a formação de uma ferida, conhecida como cancro, que geralmente aparece na fase primária da infecção.
No caso da mulher, essa ferida pode apresentar características específicas e, muitas vezes, confundidas com outras doenças ou feridas genitais comuns, dificultando o diagnóstico precoce. Este artigo irá abordar detalhadamente como é a ferida da sífilis feminina, seus sintomas, métodos de diagnóstico e as opções de tratamento disponíveis, fornecendo informações essenciais para a conscientização e prevenção.

O que é a ferida da sífilis feminina?
A ferida da sífilis feminina, também conhecida como cancro sifilítico, é uma úlcera indolor que surge no local de entrada da bactéria no corpo da mulher após o contato sexual com uma pessoa infectada. Essa ferida é o sinal mais precoce da infecção pelo Treponema pallidum e costuma aparecer aproximadamente 10 a 90 dias após o contato sexual.
Características da ferida
- Indolor: geralmente não apresenta dor, o que pode levar à negligência ou ao ignorar do problema.
- Ulcerada: apresenta uma ferida única ou múltipla, com bordas regulares e superfície lisa.
- Sem secreção ou sangramento: raramente há secreções, e a ferida costuma ser limpa.
- Localização: pode ocorrer nos órgãos genitais, ânus, boca ou na pele próxima à área afetada.
- Cicatrização espontânea: muitas vezes, a ferida desaparece sozinha após algumas semanas, mesmo sem tratamento, o que pode levar ao falso senso de cura.
Como é a ferida da sífilis feminina?
Localizações comuns
| Localização | Descrição |
|---|---|
| Região Genital | úlcera na vulva, vagina ou colo do útero |
| Região Anal | feridas na área anal, associadas a sexo anal |
| Boca ou garganta | feridas na mucosa bucal ou garganta após contato oral |
Processo de formação
Após o contato sexual com uma pessoa infectada, a bactéria penetra na mucosa ou na pele, formando uma ferida. Essa ferida é definida como uma chancre, que, embora seja indolor, é altamente contagiosa. O período de incubação, ou seja, o tempo até o aparecimento da ferida, varia de 10 a 90 dias, sendo mais comum em torno de 3 semanas.
Evolução da ferida
- Aparecimento: geralmente uma única ferida, embora múltiplas possam ocorrer.
- Duração: dura de 1 a 6 semanas, podendo cicatrizar espontaneamente.
- Contágio: durante esse período, a transmissão da bactéria é mais fácil, reforçando a necessidade de diagnóstico precoce.
Sintomas associados à ferida da sífilis feminina
Embora a ferida seja o principal sinal na fase primária, ela pode vir acompanhada de outros sintomas, embora muitos casos sejam assintomáticos.
Sintomas primários
- Ferida indolor na região genital ou anal
- Inchaço dos linfonodos próximos (linfadenopatia) na área da ferida
- Ausência de dor ou desconforto na ferida
- Cura espontânea em até 6 semanas, sem necessidade de tratamento
Fase secundária (não relacionada à ferida, mas importante mencionar)
Caso a sífilis não seja tratada, a infecção pode evoluir para uma fase secundária, apresentando sintomas como manchas na pele, febre, dores no corpo, dores de cabeça, entre outros.
Diagnóstico da sífilis feminina
Exames laboratoriais
O diagnóstico preciso da sífilis, especialmente na fase primária, é fundamental para iniciar o tratamento adequado e evitar complicações. Os principais testes utilizados são:
| Tipo de exame | Descrição | Quando solicitar |
|---|---|---|
| Teste Rápido de Antígeno (TR) | Detecta anticorpos específicos contra Treponema pallidum | Pode ser feito em unidades básicas de saúde |
| VDRL (Venereal Disease Research Laboratory) | Teste não treponêmico que mede os anticorpos em sangue | Para confirmação e monitoramento |
| FTA-ABS (Fluorescent Treponemal Antibody Absorption) | Teste treponêmico mais sensível, confirma infecção | Confirmatório após testes não treponêmicos |
Exame clínico
O exame físico é importante para identificar a presença de feridas, linfonodos aumentados e outras manifestações associadas.
Tratamento da sífilis feminina
A sífilis é uma doença que pode ser curada com o uso de antibióticos, principalmente a penicilina. O tratamento deve ser iniciado o mais breve possível após o diagnóstico para evitar a progressão da doença e suas complicações.
Medicação recomendada
- Penicilina G benzatina: a primeira escolha do tratamento
- Alternativas: para pacientes alérgicos à penicilina, podem ser utilizados antibióticos como doxyciclina ou ceftriaxona, mas a penicilina é a mais eficaz.
Esquema de tratamento
| Estágio da doença | Dose e frequência | Observações |
|---|---|---|
| Primária, secundária e latente precoce | 2,4 milhões de unidades de penicilina G benzatina, IM, 1 dose única | Confirmar alergia e realizar testes de sensibilidade |
| Latente tardia ou terciária | 2,4 milhões de unidades de penicilina G benzatina, IM, semanalmente, por 3 semanas | Monitoramento através de testes laboratoriais |
Cuidados após o tratamento
- Realizar exames de acompanhamento, como o VDRL, para verificar a resposta ao tratamento.
- Evitar relações sexuais até o término do tratamento e a confirmação de cura.
- Notificar e tratar todos os contatos sexuais recentes.
Prevenção da sífilis feminina
A prevenção é a melhor estratégia contra a sífilis. Algumas ações importantes incluem:
- Usar preservativos em todas as relações sexuais.
- Realizar testes periódicos de ISTs, principalmente durante a gravidez.
- Educar sobre métodos seguros de sexo.
- Buscar atendimento médico ao perceber qualquer ferida ou sintoma suspeito.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. A ferida da sífilis pode ser confundida com outras doenças?
Sim, ela pode ser confundida com herpes, herpes genital, úlceras aftosas ou outras feridas genitais. Por isso, o diagnóstico médico e exames laboratoriais são fundamentais.
2. É possível ter sífilis e não apresentar ferida?
Sim, na fase secundária da sífilis, podem surgir outros sintomas, enquanto a ferida pode não estar mais presente.
3. A sífilis pode prejudicar a gravidez?
Sim, a sífilis não tratada durante a gestação pode ocasionar complicações graves, como parto prematuro, óbito fetal, mortes neonatal e transmissão para o bebê.
4. Como evitar a reinfecção?
Usar preservativos, fazer exames periódicos e manter relações seguras são formas de evitar reinfecção.
Conclusão
A ferida da sífilis feminina é uma manifestação inicial que, se descoberta precocemente, permite tratamento eficaz e evita complicações graves. A consciência sobre os sinais, a importância do diagnóstico e da adesão ao tratamento garantem a cura da doença e a prevenção de suas formas mais severas, incluindo a transmissão para parceiros e filhos.
O cuidado com a saúde sexual deve ser prioridade de todas as mulheres, principalmente aquelas que possuem múltiplos parceiros ou vivem em situação de vulnerabilidade social. Informação, prevenção e acesso à assistência médica são essenciais para o combate à sífilis e às demais ISTs.
Referências
- Ministério da Saúde. Guia de Orientação para o Controle da Sífilis. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
- WHO. Sexually transmitted infections (STIs). World Health Organization. 2023. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/sexually-transmitted-infections-(stis)
"Prevenir é o melhor remédio; informar é o primeiro passo para a cura."
MDBF