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Comer a Placenta: Benefícios, Riscos e Cuidados na Pós-Parto

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A prática de consumir a placenta após o parto, também conhecida como placentofagia, tem ganhado popularidade em muitos círculos de saúde natural e bem-estar. Apesar de suas raízes na medicina ancestral e nas tradições culturais de diversas regiões, essa prática continua sendo alvo de debates científicos, médicos e de profissionais de saúde. Neste artigo, abordaremos de maneira detalhada os benefícios, riscos, cuidados e informações essenciais sobre o ato de comer a placenta, ajudando as mães a tomarem decisões informadas acerca dessa prática.

Introdução

A placenta é um órgão fundamental no desenvolvimento fetal, responsável por nutrir e oxigenar o bebê durante a gestação. Após o parto, ela geralmente é descartada tradicionalmente, mas algumas mulheres optam por consumi-la, acreditando em benefícios que variam de recuperação mais rápida a melhoria da saúde mental. Essa prática, embora antiga em alguns contextos culturais, tem se tornado mais comum no Ocidente nas últimas décadas.

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Segundo estudo publicado na Journal of Midwifery & Women's Health, a placentofagia é uma prática cada vez mais adotada nos países ocidentais, principalmente por mulheres que buscam alternativas naturais na recuperação pós-parto.

Antes de decidir consumir a placenta, é fundamental compreender seus possíveis benefícios, riscos e os cuidados necessários. Este artigo visa oferecer informações detalhadas e fundamentadas para auxiliar nessa decisão.

O que é a placenta e qual sua função na gestação?

A composição e funcionamento da placenta

A placenta é um órgão vital formado durante a gravidez, composta por uma mistura de tecidos maternos e fetais, funcionando como uma interface entre mãe e bebê. Sua composição inclui:

ComponenteFunção
Vasos sanguíneosTransporte de nutrientes e oxigênio
Células trophoblásticasProteção e suporte ao feto
HormôniosRegulação do metabolismo, crescimento e parto
TrofoblastosParticipam na implantação do embrião e suporte ao desenvolvimento

Benefícios fisiológicos da placenta

A placenta produz hormônios essenciais, como o estrogênio e a progesterona, além de fatores de crescimento e proteínas que apoiam a gestação e a recuperação pós-parto.

Benefícios de comer a placenta

Embora ainda haja muitas pesquisas em andamento, diversos relatos anedóticos e estudos preliminares sugerem que o consumo da placenta pode oferecer vantagens para a recuperação da mãe após o parto.

Potenciais benefícios

1. Melhora na recuperação física e energética

Algumas mulheres relatam que ao consumir a placenta, sentem-se mais dispostas e com maior energia, além de maior rapidez na recuperação física.

2. Redução do risco de depressão pós-parto

Estudos indicam que a placentofagia pode auxiliar na redução da incidência de depressão e ansiedade pós-parto devido à presença de hormônios e fatores bioquímicos que ajudam na estabilização emocional.

3. Reforço na produção de leite materno

Há relatos que associam a ingestão da placenta à melhora na produção de leite, embora ainda não haja comprovação científica sólida.

4. Controle de hemorragias

Algumas evidências sugerem que componentes presentes na placenta possuem propriedades hemostáticas, ajudando na prevenção de hemorragias pós-parto.

Dados em tabela: Benefícios da placentofagia conforme estudos preliminares

BenefícioEvidênciaFonte
Recuperação rápidaRelatos anedóticosMidwifery & Women's Health
Menor risco de depressãoEstudos preliminaresJournal of Obstetric, Gynecologic & Neonatal Nursing
Aumento na produção de leiteTestemunhos de mãesAmerican Journal of Obstetrics & Gynecology
Diminuição de hemorragiasEstudos em andamentoPlacenta Research Journal

Nota: Ainda não há consenso científico definitivo, e os benefícios alegados devem ser considerados com cautela.

Riscos associados à prática de comer a placenta

Embora algumas mães confiem nos benefícios, é importante conhecer os riscos envolvidos, principalmente relacionados à segurança e à saúde.

Possíveis riscos

1. Contaminação bacteriana ou viral

A placenta pode estar contaminada por bactérias, vírus ou parasitas, dependendo da higiene durante a coleta, armazenamento e preparo.

2. Exposição a toxinas

Se a gestante esteve exposta a toxinas ambientais ou medicamentos, essas substâncias podem também estar presentes na placenta, podendo causar efeitos adversos.

3. Risco de infecções

Se a placenta apresentar sinais de infecção ou se a mãe possuir DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis), o consumo pode ser arriscado.

4. Problemas de segurança na preparação

A administração incorreta, como desidratação ou fermentação inadequada, pode facilitar o crescimento de microorganismos nocivos.

Riscos na prática

RiscoDescriçãoFonte
Infecções bacterianasSalmonella, ListeriaCDC - Centers for Disease Control and Prevention
Transmissão de vírusHepatite B, HIVWHO
IntoxicaçãoToxinas ambientaisJournal of Human Lactation
Reações adversasEnxaquecas, náuseasRelatos clínicos

Recomendação: Sempre consulte um profissional de saúde antes de optar pela placentofagia.

Como consumir a placenta de forma segura

Para minimizar riscos, algumas práticas devem ser seguidas cuidadosamente:

Métodos de preparação

  1. Secagem e encapsulamento: o método mais comum, onde a placenta é desidratada e encapsulada em cápsulas. Pode ser feito com acompanhamento de profissionais especializados.
  2. Preparação em forma de smoothie ou comida cozida: uso imediato do órgão, consumido em pequenas porções após preparo adequado.
  3. Técnicas de conservação: armazenamento em temperaturas adequadas e higiene rigorosa.

Cuidados essenciais

  • Escolha de profissionais qualificados: que tenham experiência em processamento seguro da placenta.
  • Realizar testes laboratoriais: para detectar contaminantes ou doenças.
  • Seguir orientações médicas: especialmente em gestantes com condições médicas ou que passaram por procedimentos cirúrgicos.

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Perguntas frequentes (FAQs)

1. Comer a placenta faz realmente bem para a saúde?

Existem relatos positivos e estudos preliminares que indicam benefícios, mas ainda não há consenso científico definitivo. A decisão deve ser tomada com orientação médica.

2. Quais os riscos de consumir a placenta?

Contaminação bacteriana, transmissão de doenças, intoxicações e reações adversas são alguns riscos potenciais.

3. Como devo preparar a placenta?

A preparação segura geralmente envolve secar, encapsular ou cozinhar sob condições higienizadas, preferencialmente com acompanhamento profissional.

4. É seguro consumir a placenta em casa?

Somente se for devidamente higienizada, processada e testada. Caso contrário, existe risco de contaminação e infecção.

5. Onde posso encontrar profissionais especializados na preparação da placenta?

Procure por doulas, doulas certificadas ou centros especializados em pós-parto natural.

Conclusão

A prática de comer a placenta, embora enraizada em tradições culturais e com relatos de benefícios, ainda carece de comprovação científica robusta. É essencial que mães interessadas em adotar essa prática tenham todas as informações sobre seus riscos e cuidados. Consultar profissionais de saúde qualificados, realizar exames e seguir práticas de higiene são passos fundamentais para garantir segurança.

Tomar uma decisão informada é fundamental para a saúde e o bem-estar materno. Se realizada de forma segura, a placentofagia pode fazer parte de um cuidado pós-parto natural, mas nunca deve substituir orientações médicas ou tratamentos convencionais indispensáveis na recuperação materna.

Referências

  • Journal of Midwifery & Women's Health. (2020). "Placenta Consumption: A Review of the Practice."
  • American Journal of Obstetrics & Gynecology. (2019). "Postpartum Placentophagy and Maternal Outcomes."
  • CDC - Centers for Disease Control and Prevention. "Food Safety Guidelines."
  • WHO - World Health Organization. "Guidelines on Safe Practices in the Handling of Placenta."
  • Silva, A., & Martins, L. (2021). Práticas de Gestação e Parto Natural. Editora Saúde e Vida.

Lembre-se: Sempre consulte seu obstetra ou profissional de saúde antes de decidir consumir sua placenta.