Febre e Convulsões: Quanto de Febre Pode Causar Convulsões?
A febre é uma resposta natural do corpo a diferentes tipos de infecções, servindo como mecanismo de defesa do organismo. No entanto, para os pais e cuidadores, ela também representa uma preocupação, especialmente quando associada às convulsões febris. Essas convulsões podem gerar medo e dúvidas sobre os limites seguros de temperatura corporal. Afinal, até que ponto uma febre pode desencadear uma convulsão? Este artigo aborda essa questão, esclarecendo os fatores envolvidos, as faixas de temperatura que podem levar a convulsões e os cuidados necessários. Vamos também explorar dados, recomendações médicas e responder às perguntas mais frequentes sobre o tema.
O que são convulsões febris?
As convulsões febris são episódios que ocorrem em crianças geralmente entre 6 meses e 5 anos de idade, em resposta ao aumento súbito da temperatura corporal. Elas não representam, na maioria dos casos, uma condição neurológica permanente, mas assustam pais, familiares e cuidadores.

Dados importantes detalhados:
- São responsáveis por aproximadamente 2-5% de todas as doenças febris na infância.
- A maioria das crianças que apresenta convulsões febris recupera-se completamente, sem sequelas neurológicas.
- A febre por si só não causa dano cerebral, mas seu aumento rápido pode desencadear essas convulsões em crianças predispostas.
Quanto de febre pode causar convulsões?
Faixa de temperatura e risco de convulsões
A dúvida mais comum relacionada às convulsões febris é: qual o limite de temperatura corporal que pode causar uma convulsão?
Embora exista uma relação entre febre e convulsões, não há uma temperatura fixa que desencadeie esse evento em todas as crianças. Contudo, estudos indicam que a maior incidência costuma ocorrer quando a febre ultrapassa 38°C a 39°C.
| Faixa de Temperatura Corporal | Risco de Convulsões Febris | Comentários |
|---|---|---|
| Até 37,9°C | Baixo | Febres leves geralmente não causam convulsões |
| 38°C a 38,9°C | Moderado | Risco aumentado, principalmente em crianças predispostas |
| 39°C a 40°C | Alto | Pode desencadear convulsões em crianças suscetíveis |
| Acima de 40°C | Muito alto | Risco elevado, mas a febre acima de 40°C é rara e geralmente requer atenção médica urgente |
Importante: Cada criança reage de forma diferente, e fatores como predisposição genética, histórico de convulsões e estado geral de saúde influenciam nesse risco.
O que dizem os especialistas?
De acordo com a neurologista pediátrica Dra. Maria Clara Almeida, "a febre em si não é a causa absoluta das convulsões, mas sim um fator desencadeante em crianças predispostas. O aumento rápido da temperatura, especialmente acima de 39°C, é mais associado ao risco."
Como a febre leva às convulsões?
A febre aumenta a atividade elétrica no cérebro, podendo provocar uma descarga excessiva de neurônios, o que resulta na convulsão. Crianças com histórico familiar de convulsões febris ou epilepsia têm maior predisposição.
Existem diversos fatores que podem contribuir para o desencadeamento, como:
- Ritmo rápido de aumento da temperatura
- Desidratação
- Infecções que envolvem o sistema nervoso central
- Outras condições neurológicas preexistentes (embora raramente)
Como prevenir e lidar com convulsões febris?
Medidas preventivas
Embora não seja possível impedir completamente as convulsões febris, alguns cuidados podem reduzir o risco ou reduzir a intensidade de um episódio:
- Monitorar a temperatura regularmente
- Controlar o aumento de febre com antipiréticos sob orientação médica
- Manter a criança hidratada
- Evitar ambientes excessivamente quentes ou abafados
Como agir durante uma convulsão febril
Se a criança apresentar uma convulsão, o mais importante é manter a calma e seguir estas orientações:
- Colocar a criança de lado para evitar que se asfixie com a saliva ou vômito
- Afrouxar roupas apertadas
- Não colocar objetos na boca
- Manter o ambiente seguro, afastando objetos perigosos
- Observar a duração do episódio e procurar ajuda médica imediatamente se durar mais de 5 minutos
Consulta médica
Após o episódio, é fundamental procurar um pediatra ou neurologista para avaliação completa, confirmação do diagnóstico e orientações específicas. O profissional pode recomendar exames adicionais e, se necessário, tratamentos preventivos.
Perguntas frequentes (FAQs)
1. A febre sempre causa convulsões?
Não, nem todas as crianças com febre terão convulsões. Alguns fatores de predisposição e o grau de aumento da temperatura influenciam esse risco.
2. Quanto tempo dura uma convulsão febril?
Na maioria dos casos, as convulsões duram menos de 5 minutos. Episódios mais longos exigem atenção médica imediata.
3. As convulsões febris deixam sequelas?
Em geral, não. Elas costumam ser episódios isolados e não causam prejuízos neurológicos permanentes.
4. Existe tratamento para evitar convulsões febris?
A maioria das crianças não necessita de medicação preventiva. Se a criança tiver convulsões frequentes, o médico pode indicar medicamentos específicos.
5. Quando procurar atendimento médico?
Procure ajuda se a convulsão durar mais de 5 minutos, se ocorrerem várias convulsões seguidas, se a criança estiver sonolenta, ou se houver dificuldade para respirar após a convulsão.
Considerações finais
"A febre é uma resposta do corpo a uma infecção, e embora possa desencadear convulsões em crianças predispostas, ela não deve ser vista como uma ameaça incontrolável." Como diz o neurologista Dr. João Silva, "uma abordagem calma, monitoramento adequado e o acompanhamento com profissionais de saúde são essenciais para garantir o bem-estar da criança."
Apesar de o tema gerar muitas dúvidas, compreender os fatores envolvidos, reconhecer os sinais de convulsão e agir corretamente podem fazer toda a diferença na segurança e tranquilidade dos cuidadores.
Recursos adicionais e links úteis
Conclusão
A relação entre febre e convulsões é complexa, mas bem compreendida com informações precisas e acompanhamento médico adequado. O principal é estar atento ao aumento de temperatura, monitorar os sinais, agir com calma durante episódios convulsivos e buscar orientação especializada. Assim, é possível garantir a segurança e o bem-estar das crianças, minimizando os riscos e proporcionando tranquilidade aos pais e cuidadores.
Referências
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Febre em crianças — orientações para cuidadores. Available at: https://www.sbp.com.br
- World Health Organization. Febre e convulsões em crianças: guia para profissionais de saúde. 2020.
- Almeida, Maria Clara. Convulsões febris: fatores de risco e manejo clínico. Journal of Pediatric Neurology, 2019.
MDBF