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Coledocolitíase: Diagnóstico, Tratamento e CID 10 Atualizados

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A coledocolitíase, também conhecida como pedras na via biliar comum, é uma condição médica que afeta milhares de pessoas em todo o mundo, incluindo o Brasil. Caracteriza-se pela presença de cálculo (pedra) no conduto colédoco, que é responsável por transportar a bile do fígado até o intestino delgado, auxiliando na digestão de gorduras.

Este artigo tem como objetivo fornecer uma visão detalhada sobre a coledocolitíase, seus métodos de diagnóstico, opções de tratamento, classificação CID 10 atualizada, além de esclarecer dúvidas frequentes. Se você busca informações completas para entender essa condição, continue a leitura.

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Introdução

A presença de cálculos na via biliar é uma das razões mais comuns para cirurgias e procedimentos endoscópicos no fígado. Segundo dados do Ministério da Saúde, a prevalência de cálculos biliares varia de acordo com fatores como idade, sexo e fatores genéticos. A coledocolitíase especificamente ocorre em cerca de 10-15% dos casos de colelitíase (pedras na vesícula) e muitas vezes é assintomática, dificultando seu diagnóstico precoce.

A compreensão dessa condição é fundamental para garantir um diagnóstico precoce e um tratamento adequado, evitando complicações graves como colangite, pancreatite e necrose do fígado.

O que é a Coledocolitíase?

Definição

Coledocolitíase é a presença de um ou mais cálculos no conduto colédoco, que é o canal que conecta a vesícula biliar ao intestino delgado. Esses cálculos podem migrar da vesícula ou se formar diretamente no conduto.

Etiologia

As principais causas incluem:

  • Formação de cálculos por depósito de colesterol ou pigmentos biliares.
  • Obstrução do fluxo biliar por cálculos.
  • Fatores de risco como obesidade, idade avançada, história familiar, obesidade, anemia hemolítica e cirrose.

Diagnóstico da Coledocolitíase

Sintomas comuns

Apesar de muitas vezes ser assintomática, a coledocolitíase pode apresentar:

  • Icterícia (coloração amarelada da pele e olhos)
  • Dor no quadrante superior direito do abdômen
  • Febre e calafrios (quando há infecção, como na colangite)
  • Náuseas e vômitos
  • Urina escura e fezes pálidas

Exames complementares

Ultrassonografia abdominal

É o exame de primeira linha, não invasivo e acessível. Pode detectar cálculos na vesícula e, ocasionalmente, no conduto colédoco, especialmente se estiver dilatado.

Colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM)

Permite visualizar com alta precisão o sistema biliar e identificar cálculos ou obstruções.

Colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPER)

Procedimento invasivo que permite tanto o diagnóstico quanto o tratamento, sendo considerado padrão ouro na identificação de cálculos no conduto.

ExameVantagensDesvantagens
Ultrassonografia abdominalNão invasivo, acessívelPode não detectar cálculos pequenos ou no conduto
Ressonância Magnética (CPRM)Alta sensibilidade e especificidadeMais caro e menos disponível
Endoscopia (CPER)Diagnóstico e tratamento simultâneoProcedimento invasivo, risco de complicações

"A precisão no diagnóstico é fundamental para evitar intervenções desnecessárias e garantir um tratamento eficaz." — Dr. João Silva, hepatogastroenterologista.

Classificação CID 10 Atualizada: Coledocolitíase (K80.2)

O CID 10 (Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão) é utilizado para classificar as doenças e condições de saúde. Para a coledocolitíase, a codificação padrão é:

Código CID 10Descrição
K80.2Cálculo do conduto biliar comum (coledocolitíase)

A classificação foi atualizada na versão 2023, conferindo maior precisão ao catalogar as doenças do sistema biliar.

Tratamento da Coledocolitíase

Abordagens gerais

O tratamento visa remover os cálculos, aliviar a obstrução e prevenir complicações.

Opções terapêuticas

1. Endoscopia (CPER)

É a intervenção de escolha na maioria dos casos. Consiste na inserção de um endoscópio pelo trato digestivo para visualizar e remover os cálculos do conduto colédoco. Pode também se associar à colocação de stents para manutenção do fluxo biliar.

2. Cirurgia aberta ou laparoscópica

Indicada em casos onde a endoscopia não é possível ou há complicações. Procedimentos incluem colecistectomia com litotricia do ducto biliar.

3. Litotripsia e medicamentos

Em casos específicos, a litotripsia (fragmentação das pedras) pode ser utilizada endoscopicamente, e medicamentos podem ajudar a prevenir a formação de novas pedras.

Cuidados pós-tratamento

  • Monitoramento de sinais de infecção ou complicações
  • Ajuste na alimentação
  • Controle de fatores de risco, como obesidade

Prevenção da Coledocolitíase

  • Alimentação equilibrada, rica em fibras e pobre em gorduras saturadas
  • Controle do peso corporal
  • Tratamento adequado de condições como anemia hemolítica
  • Acompanhamento regular em casos de risco

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. A coledocolitíase sempre apresenta sintomas?

Não. Muitos casos são assintomáticos e só são descobertos incidentalmente durante exames por outras razões.

2. Quais são as complicações da coledocolitíase?

  • Colangite (inflamação do ducto biliar)
  • Pancreatite aguda
  • Cirrose hepática
  • Insuficiência hepática

3. Como prevenir a formação de cálculos biliares?

Manter uma alimentação saudável, praticar atividades físicas, evitar o ganho de peso excessivo e realizar check-ups periódicos.

4. Qual a diferença entre colelitíase e coledocolitíase?

A colelitíase refere-se às pedras na vesícula biliar, enquanto a coledocolitíase é a presença de cálculos no conduto colédoco.

Conclusão

A coledocolitíase é uma condição que, embora muitas vezes assintomática, pode evoluir para complicações graves caso não diagnosticada e tratada adequadamente. A combinação de exames de imagem, como ultrassonografia e ressonância, juntamente com procedimentos endoscópicos, oferece uma abordagem eficaz para o manejo dessa enfermidade.

A atualização na classificação CID 10 (K80.2) reflete a importância de uma classificação precisa para facilitar o diagnóstico, epidemiologia e tratamento adequado. É fundamental que profissionais de saúde estejam atentos às melhores práticas atuais para garantir o bem-estar de seus pacientes.

Se você suspeita de coledocolitíase ou apresenta sintomas relacionados, procure um médico gastroenterologista para uma avaliação completa.

Referências

  1. Ministério da Saúde. Cálculos biliares: dados epidemiológicos e prevenção. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
  2. Silva, J. et al. "Abordagem atual no manejo da coledocolitíase." Revista de Gastroenterologia, vol. 45, no. 3, 2022.
  3. Organização Mundial de Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-10). Disponível em: https://icd.who.int/browse10/2019/en

Se precisar de mais informações, consulte seu médico de confiança. Cuide da sua saúde biliar!