Código Penal Artigo 24: Entenda suas Implicações Jurídicas
O sistema jurídico brasileiro possui uma vasta legislação que regula as condutas humanas, garantindo direitos, deveres e a ordem social. O Código Penal, uma das principais referências do direito penal no país, traz dispositivos essenciais para a compreensão das infrações e suas respectivas punições. Entre esses dispositivos, o Artigo 24 ocupa uma posição relevante, abordando questões relacionadas à imputabilidade penal e às condições que podem influenciar na responsabilidade criminal do indivíduo.
Este artigo tem como objetivo esclarecer de forma detalhada o Código Penal Artigo 24, abordando suas implicações jurídicas, interpretando sua aplicação prática e respondendo às dúvidas mais frequentes sobre o tema. Acompanhe até o final para compreender seu papel no direito penal brasileiro.

O que trata o Código Penal Artigo 24?
O Artigo 24 do Código Penal Brasileiro dispõe sobre a imputabilidade penal, ou seja, a capacidade que uma pessoa possui de entender o caráter ilícito de sua conduta e de determinar-se de acordo com esse entendimento. Sua redação é a seguinte:
Art. 24. Não há crime quando o agente, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, com capacidade de entender o carácter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.De forma mais simples, esse artigo determina que uma pessoa que, no momento de cometer um ato ilícito por motivo de doença mental, não possui capacidade de compreender o caráter ilícito da sua conduta, não será considerada criminalmente responsável. Essa circunstância pode afastar a imputabilidade, por isso, é fundamental compreender suas implicações.
Implicações Jurídicas do Artigo 24
Capacidade de entender e determinar-se
Segundo o artigo, duas condições principais influenciam na ausência de responsabilidade penal:
- Capacidade de entender o caráter ilícito do fato;
- Capacidade de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Se uma dessas condições estiver prejudicada, há uma possibilidade de isenção de responsabilidade penal, ou seja, o indivíduo não será considerado culpado pelo crime cometido.
Doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado
A lei aponta que a condição que afasta a imputabilidade pode estar relacionada a:
- Doença mental (como esquizofrenia, bipolaridade grave, psicose, entre outras);
- Desenvolvimento mental incompleto ou retardado (condições intelectuais que dificultam a compreensão do caráter ilícito da conduta).
É importante destacar que a avaliação dessas condições deve ser feita por um perito médico-legal, que determinará a capacidade de entendimento no momento do fato.
Como funciona a avaliação da imputabilidade?
Papel do perito médico-legal
Em processos judiciais, quando há suspeita de doença mental ou desenvolvimento mental prejudicado, o juiz solicitará uma perícia médica para avaliar o acusado. Essa perícia envolve:
- Exame clínico do indivíduo;
- Análise do histórico de saúde mental;
- Testes psicológicos;
- Avaliação do momento do delito.
Diagnóstico e sua repercussão jurídica
Segundo o entendimento jurisprudencial, uma pessoa que possui algum transtorno mental no momento do crime pode ser considerada inimputável, desde que essa condição seja comprovada pelo laudo pericial. Caso comprovada a incapacidade de compreender o ilícito ou de agir de acordo com esse entendimento, o indivíduo pode ser submetido a medidas de segurança ao invés de pena privativa de liberdade.
Medidas de segurança
Em casos de inimputabilidade, a lei prevê a aplicação de medidas de segurança, que podem incluir:
- Internação em hospital de custódia e tratamento;
- Limitadores de liberdade, dependendo da gravidade do caso.
Essas medidas visam proteger tanto o infrator quanto a sociedade, promovendo o tratamento adequado ao indivíduo que não possui plena capacidade de entender a ilegalidade de seus atos.
Diferença entre inimputabilidade, semi-imputabilidade e imputabilidade
| Termo | Significado | Exemplo |
|---|---|---|
| Imputabilidade plena | Pessoa capaz de entender o caráter ilícito do fato e de se determinar segundo esse entendimento. | Adulto saudável, sem transtornos mentais. |
| Semi-imputabilidade | Pessoa com alguma limitação mental, mas ainda responsável por parte do ato. | Adulto com transtorno mental moderado. |
| Inimputabilidade | Pessoa incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de se determinar. | Indivíduo com psicose grave ou desenvolvimento mental incompleto. |
A importância do diagnóstico correto
Devido à complexidade do tema, um diagnóstico preciso é fundamental para determinar a responsabilização criminal. Uma avaliação incorreta pode levar a punições indevidas ou à impunidade de culpados. Por isso, a perícia médica é imprescindível na aplicação do artigo.
Caso Prático: Aplicação do Artigo 24
Imagine um indivíduo que, no momento do delito, apresenta uma crise de esquizofrenia não tratada. Após perícia, é constatado que ele não tinha capacidade de entender a ilicitude de sua conduta. Nesse cenário, ele será considerado inimputável e, consequentemente, será submetido às medidas de segurança, ao invés de uma pena.
Situações em que o artigo não se aplica
É importante esclarecer que o Artigo 24 não se aplica em casos de indivíduos que estavam sob efeito de drogas ou álcool, salvo se estiverem com desenvolvimento mental prejudicado por esses fatores. A intoxicação voluntária não costuma afetar a imputabilidade, enquanto transtornos mentais já existentes atuam como justificativa.
Perguntas Frequentes
1. O que significa inimputável segundo o Código Penal Artigo 24?
Significa que a pessoa não pode ser responsabilizada criminalmente por sua conduta, devido à incapacidade de compreender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento, por motivo de doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado.
2. Como é feita a perícia para determinar a inimputabilidade?
A perícia é realizada por um médico ou psicólogo perito, que avalia o estado mental do acusado por meio de exames clínicos, testes psicológicos e análise de histórico de saúde. O laudo pericial será determinante para a decisão judicial.
3. O que acontece com uma pessoa considerada inimputável?
Ela não responde pelo crime na forma tradicional e, em geral, é submetida a medidas de segurança em locais de custódia e tratamento.
4. Quais condições podem afastar a responsabilidade penal de alguém?
Doença mental, desenvolvimento mental incompleto ou retardado que impeçam a compreensão do caráter ilícito do fato ou a sua determinação de acordo com esse entendimento.
5. O artigo 24 se aplica a crimes culposos?
Normalmente, o artigo se aplica a crimes dolosos (com intenção). Nos casos culposos, a imputabilidade pode ser avaliada de outra forma, mas a presença de transtornos mentais ainda influencia na responsabilização.
Conclusão
O Código Penal Artigo 24 é fundamental para garantir que a responsabilização criminal seja justa, levando em consideração as condições mentais do indivíduo no momento do delito. Ele reconhece que a capacidade de compreender e determinar-se de acordo com esse entendimento é um requisito indispensável para que haja imputação penal.
A compreensão adequada desse artigo é essencial para profissionais do direito, peritos e sociedade, garantindo que pessoas com transtornos mentais não sejam injustamente punidas, ao mesmo tempo em que a sociedade se protege de condutas lesivas à ordem pública.
Referências
BRASIL. Código Penal. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Disponível em: Legislação Federal.
GALFIONE, Vicente de Paula. Direito Penal Esquematizado. 8ª edição. São Paulo: Atlas, 2020.
Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ): Reconhecimento da inimputabilidade por transtornos mentais. Disponível em: STJ Jurisprudência.
Considerações finais
Entender o Código Penal Artigo 24 é fundamental para promover uma aplicação da justiça mais equitativa, respeitando as condições mentais individuais. Sua correta interpretação e aplicação contribuem para um sistema penal mais justo e humanizado.
MDBF