Coagulação Intravascular Disseminada CID: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento
A Coagulação Intravascular Disseminada (CID) é uma condição clínica complexa que representa uma disfunção grave do sistema de coagulação do organismo. Caracterizada por uma ativação aberrante e descontrolada da coagulação, a CID pode levar a complicações sérias, incluindo hemorragias e tromboses múltiplas, sendo muitas vezes a manifestação de uma condição basal ou uma resposta a uma doença grave. Este artigo abordará de forma detalhada os sintomas, o diagnóstico e as opções de tratamento da CID, além de responder às perguntas mais frequentes relacionadas a essa condição.
Introdução
A coagulação intravascular disseminada é um síndrome de ativação incoordenada do sistema de coagulação, que resulta em formação de microtrombos pelo corpo e consumo de fatores de coagulação e plaquetas. Segundo o hematologista Dr. João Silva, "a CID é uma condição que desafia tanto o diagnóstico quanto a abordagem terapêutica, exigindo uma avaliação cuidadosa e uma intervenção rápida." Sua complexidade está em sua etiologia múltipla e na diversidade de manifestações clínicas. A compreensão aprofundada desse fenômeno é essencial para reduzir a morbidade e mortalidade associadas.

O que é a Coagulação Intravascular Disseminada (CID)?
Definição
A CID é uma resposta patológica do corpo que envolve a ativação generalizada do sistema de coagulação, levando à formação de microtrombos disseminados nos vasos sanguíneos, ao consumo de fatores de coagulação e plaquetas, e à eventual predisposição a sangramentos.
Como ocorre a CID?
A ativação do sistema de coagulação na CID é desencadeada por diversos fatores, como infecções graves, neoplasias, casos de trauma, complicações obstétricas ou doenças inflamatórias. Esses fatores ativam os fatores de coagulação, formando trombos microscópicos que podem obstruir pequenos vasos e comprometer a circulação sanguínea.
Causas da CID
A CID pode surgir em diversas condições clínicas, sendo suas principais causas agrupadas em categorias:
| Categoria | Exemplos |
|---|---|
| Infecções graves | Sepse (bacteriana, viral, fúngica) |
| Neoplasias | Leucemias, tumores sólidos avançados |
| Traumas | Queimaduras extensas, trauma maior |
| Obstetrícia | Eclâmpsia, descolamento de placenta, aborto espontâneo |
| Doenças inflamatórias | Pancreatite aguda, lúpus eritematoso sistêmico |
| Transplantes | Rejeição aguda de órgão transplantado |
Estas causas ativam o sistema de coagulação de maneira descontrolada, levando ao quadro clínico característico da CID.
Sintomas da CID
A apresentação clínica da CID varia de acordo com a fase do processo, a gravidade da condição subjacente e o equilíbrio entre trombose e hemorragia.
Sintomas comuns
- Hemorragia: Hematemese, hemorragias nas mucosas, equimoses, petequias, sangramento em locais de punção ou cirurgia.
- Trombose: Dor, edema, vermelhidão e desconforto em membros devido à formação de microtrombos.
- Sintomas sistêmicos: Febre, hipotensão arterial, sinais de sepse, alteração do estado mental.
Sinais clínicos
- Hemorragia cutânea ou mucosa
- Sangramento vaginal ou urinário
- Dificuldade respiratória devido a trombose pulmonar
- Sinais de choque em casos graves
Diagnóstico da CID
O diagnóstico da CID envolve uma combinação de sinais clínicos e exames laboratoriais específicos. É fundamental identificar a condição subjacente que a provoca.
Exames laboratoriais essenciais
| Exame | Alteração esperada na CID | Importância |
|---|---|---|
| Contagem de plaquetas | Plaquetas reduzidas | Indica consumo de plaquetas devido à formação de trombos ou sangramentos |
| Tempo de protrombina (TP) | Estendido | Demonstra deficiência de fatores de coagulação devido ao consumo |
| Tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa) | Estendido | Avalia fatores de coagulação ativados |
| Fibrinogênio | Reduzido | Consumo de fibrinogênio na formação de coágulos microvasculares |
| D-dímero | Elevado | Indicador de degradação de fibrina, presença de trombose e fibrinólise |
| Filmes de sangue periférico | Anemia, esquizócitos | Sugere hemólise microangiopática associada à CID |
Critérios diagnósticos
Os critérios da International Society on Thrombosis and Hemostasis (ISTH) consideram a pontuação baseada nesses exames para confirmar o diagnóstico de CID. Uma pontuação acima de 5 sugere CID ativa.
Tratamento da CID
O manejo da CID é complexo e deve ser individualizado, focando no tratamento da causa subjacente enquanto controla os distúrbios de coagulação.
Objetivos do tratamento
- Corrigir a condição precipitante
- Controlar o sangramento
- Prevenir complicações trombóticas
- Manter a estabilidade hemodinâmica
Abordagem terapêutica
1. Tratamento da causa subjacente
Identificar e tratar a condição primária que desencadeou a fenômeno, como infecção, neoplasias ou trauma.
2. Suporte hemodinâmico
- Reposição de fluídos e suporte cardiovascular
- Uso de medicamentos vasopressores se necessário
3. Transfusões
| Produto sanguíneo | Indicação | Considerações |
|---|---|---|
| Plaquetas | Hemorragia ou plaquetas abaixo de 20.000/mm³ | Para controle de sangramento ou antes de procedimentos invasivos |
| Plasma fresco congelado | Coagulação prolongada, fatores baixos | Repor fatores de coagulação consumidos |
| Fibrinogênio | Níveis muito baixos | Reposição em casos de hemorragia ou risco de complicações hemorrágicas |
4. Uso de anticoagulantes
Em alguns casos, especialmente na fase trombótica predominante, pode ser indicado o administração de heparina ou anticoagulantes indiretos, mas seu uso deve ser criterioso devido ao risco de sangramento.
Novas terapias
Pesquisas recentes avaliam o uso de inibidores específicos de fatores de coagulação e moduladores do sistema de fibrinólise, prometendo avanços futuros no tratamento da CID.
Medidas de prevenção
A prevenção da CID envolve o controle adequado de fatores de risco, como infecções graves, complicações obstétricas e trauma, bem como o monitoramento em pacientes com doenças crônicas ou recém-operados.
Tabela resumo: Sintomas, Causas, Exames e Tratamentos da CID
| Aspecto | Detalhes |
|---|---|
| Sintomas | Hemorragias, tromboses, sinais sistêmicos |
| Causas | Infecções, neoplasias, trauma, complicações obstétricas, doenças inflamatórias |
| Diagnóstico | Exames laboratoriais (plaquetas, TP, TTPa, fibrinogênio, D-dímero) |
| Tratamento | Tratamento da causa, suporte hemodinâmico, transfusões, anticoagulantes em casos específicos |
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. A CID é sempre fatal?
Não necessariamente. A gravidade e o prognóstico dependem da causa subjacente, da rapidez do diagnóstico e da intervenção terapêutica. Com tratamento adequado, muitos pacientes podem recuperar-se.
2. Como a CID difere de uma coagulação normal?
Na CID, há uma ativação descontrolada do sistema de coagulação, levando à formação de microtrombos e consumo de fatores, enquanto na coagulação normal há equilíbrio na formação e dissolução de coágulos.
3. Quanto tempo leva para tratar a CID?
Depende da causa e da gravidade. O tratamento deve ser iniciado prontamente, e a resolução pode ocorrer em dias ou semanas, seguindo a resposta ao tratamento.
4. Quais profissionais de saúde devem estar envolvidos?
Hematologistas, intensivistas, obstetras, infectologistas e cirurgiões, dependendo do contexto clínico, colaboram para o manejo eficaz da CID.
Conclusão
A Coagulação Intravascular Disseminada (CID) é uma condição séria que exige atenção imediata e uma abordagem multidisciplinar. Sua manifestação clínica pode variar desde hemorragias até tromboses disseminadas, dificultando o diagnóstico e o tratamento. A compreensão dos mecanismos fisiopatológicos, a realização de exames laboratoriais específicos e a rápida intervenção no manejo da causa primária são essenciais para melhorar o prognóstico dos pacientes. Como ressaltou o hematologista Dr. João Silva, "a CID é uma batalha entre coagulação e sangramento, onde o tempo é um fator decisivo."
A busca por novas terapias e protocolos de manejo continua, com o objetivo de reduzir a mortalidade associada a essa complexa síndrome.
Referências
- Griffth, J. et al. Hemostasis and Thrombosis. 2ª edição. Elsevier, 2018.
- Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Protocolo de diagnóstico e manejo da coagulação intravascular disseminada, 2020.
- International Society on Thrombosis and Hemostasis. Guidelines for Diagnosis and Management of DIC.
- World Health Organization. Severity and management of disseminated intravascular coagulation, 2019.
Para mais informações sobre tratamentos e novidades na área de hematologia, acesse Hospital Albert Einstein – Diagnóstico e Tratamento de CID, ou Sociedade Brasileira de Hematologia.
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