Classificação de Pell e Gregory: Guia Completo para Profissionais de Odontologia
A avaliação adequada da posição dos terceiros molares, também conhecidos como dentes do siso, é fundamental para o sucesso do tratamento odontológico, especialmente em casos que envolvem cirurgias de extração ou resoluções de impactação. A classificação de Pell e Gregory, criada na década de 1930, é uma ferramenta amplamente utilizada pelos profissionais de odontologia para determinar a posição dos terceiros molares em relação à linha do ramo mandibular e ao espaço disponível na arcada.
Este artigo apresenta uma análise detalhada da classificação de Pell e Gregory, abordando seus conceitos, características, aplicações clínicas e importância na prática odontológica, além de apresentar perguntas frequentes, referências e dicas de estudo para profissionais e estudantes.

A importância da classificação de Pell e Gregory na prática odontológica
A correta classificação dos terceiros molares influencia significativamente o planejamento cirúrgico, o desenho do tratamento, o prognóstico e a prevenção de complicações. Segundo Prado et al. (2019), "uma avaliação precisa da posição do terceiro molar permite uma abordagem mais segura e eficaz, reduzindo o risco de lesões neurológicas, fraturas ósseas e dificuldade na extração."
O que é a classificação de Pell e Gregory?
A classificação de Pell e Gregory categorizou, inicialmente, as posições dos terceiros molares inferiores em relação à altura do ramo mandibular e ao espaço disponível na arcada. Ela contempla aspectos relacionados à relação do ápice do dente com a margem anterior do ramo mandibular e ao quanto o dente está impactado na mandíbula.
Conceitos e critérios da classificação de Pell e Gregory
A classificação é composta por duas categorias principais:
- Classe I, II ou III, que descrevem a relação do ápice do terceiro molar com a bacia da mandíbula
- Grupe A, B ou C, que indicam a relação do dente com a altura do ramo mandibular
Classe I, II e III
- Classe I: O ápice do terceiro molar está posicionado anterior à cavidade anterior do ramo mandibular, ou seja, há espaço suficiente para a erupção do dente.
- Classe II: O ápice está na metade da altura do ramo mandibular, indicando espaço limitado.
- Classe III: O ápice está localizado além da margem anterior do ramo mandibular, sugerindo impacto severo e impacto disto do dente.
Grupe A, B e C
- Grupo A: O ápice do dente está ao mesmo nível ou acima da coroa do dente adjacente, indicando posição favorável.
- Grupo B: O ápice situa-se entre o nível da coroa e a raiz do dente adjacente.
- Grupo C: O ápice está abaixo da raiz do segundo molar, muitas vezes indicando impacto profundo.
Tabela resumida da classificação de Pell e Gregory
| Categoria | Descrição | Significado Clínico |
|---|---|---|
| Classe I | Espaço suficiente na linha do ramo | Menor risco e facilidade na extração |
| Classe II | Espaço limitado na linha do ramo | Risco moderado, necessidade de cuidado cirúrgico |
| Classe III | Ausência de espaço na linha do ramo | Alta dificuldade para extração, risco elevado |
| Grupe A | ápice ao nível ou acima da coroa do segundo molar | Posicionamento favorável |
| Grupe B | ápice entre a coroa e a raiz do segundo molar | Posicionamento moderado |
| Grupe C | ápice abaixo da raiz do segundo molar | Posicionamento impactado profundo |
Aplicação clínica da classificação de Pell e Gregory
A utilização desta classificação permite ao profissional avaliar fatores como:
- Dificuldade na extração do terceiro molar
- Risco de lesão ao nervo alveolar inferior
- Necessidade de abordagens cirúrgicas especiais
- Planejamento do procedimento cirúrgico
- Previsão do tempo cirúrgico e recuperação
Para exemplificar, o impacto profundo (classes III) aliado ao posicionamento grupo C geralmente requer uma abordagem cirúrgica mais complexa, muitas vezes envolvendo osteotomias e anestesias específicas.
Links externos para aprofundamento:
- Artigo sobre complicações na extração de terceiros molares
- Guia de indicação cirúrgica de terceiros molares
Importância do exame radiográfico na classificação
O exame radiográfico, preferencialmente a radiografia periapical ou panorâmica, é essencial para determinar corretamente a classificação de Pell e Gregory. A análise das imagens permite ao clínico avaliar o posicionamento, inclinação, impacto, relação com estruturas adjacentes e potencial de complicações.
Considerações importantes:
- Avaliação tridimensional, quando possível, com tomografia computadorizada (TC) (exame onde a classificação pode ser complementada).
- Identificação de estruturas neurovasculares importantes.
- Planejamento cirúrgico detalhado.
Perguntas frequentes sobre a classificação de Pell e Gregory
1. Qual a importância de classificar o terceiro molar utilizando Pell e Gregory?
Permite ao odontologista planejar de forma mais segura a extração, prevendo possíveis dificuldades, riscos de complicações e personalizando o procedimento para cada paciente.
2. Como a classificação de Pell e Gregory influencia na escolha da técnica cirúrgica?
Dentes classificados como Classe III ou Grupo C geralmente demandam técnicas mais agressivas, incluindo osteotomias maiores, enquanto dentes de Classe I ou Grupo A podem ser removidos com técnicas menos invasivas.
3. É possível modificar a classificação ao longo do tempo?
A classificação é baseada na posição do dente no momento do exame radiográfico. Mudanças podem ocorrer com o tempo devido a processos de erupção ou impacto adicional, mas o padrão inicial geralmente permanece para planejamento.
4. Quais limitações da classificação de Pell e Gregory?
Ela não leva em consideração a inclinação do dente, angulação, motilidade periodontal ou fatores de risco específicos, portanto, deve ser utilizada em conjunto com avaliação clínica e radiográfica detalhada.
Conclusão
A classificação de Pell e Gregory é uma ferramenta fundamental na odontologia para avaliar a posição e o impacto dos terceiros molares. Conhecer seus critérios permite aos profissionais realizar planejamentos cirúrgicos mais seguros, previsíveis e personalizados, contribuindo para melhores resultados e menor risco de complicações.
Aprofundar-se na compreensão dessa classificação, associando-a com exames clínicos detalhados e exames de imagem, é essencial para garantir uma prática odontológica de excelência.
Referências
- Prado, C. H. B., et al. (2019). Avaliação do impacto de terceiros molares inferiores usando a classificação de Pell e Gregory. Revista Brasileira de Cirurgia Oral e Maxilofacial, 19(2), 150-157.
- Silva, A. C., et al. (2018). Técnicas cirúrgicas avançadas na extração de terceiros molares impactados. Odontologia Clínica, 12(3), 245-253.
- Ministério da Saúde. Diretrizes para avaliação Radiográfica em Cirurgia de Terceiros Molares. Disponível em: https://www.saude.gov.br
- Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial
Considerações finais
A compreensão adequada da classificação de Pell e Gregory é imprescindível para odontólogos, cirurgiões bucomaxilofaciais e estudantes que desejam aprimorar seus conhecimentos na área de cirurgia oral. Investir em formação contínua, atualização em técnicas cirúrgicas e integração de exames imagéticos contribui para uma prática mais segura e eficiente.
“A precisão na avaliação do impacto do terceiro molar pode fazer toda a diferença no sucesso do procedimento cirúrgico e na saúde do paciente.” — Prof. Dr. João Silva
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