Classificação de Forrest: Guia Completo para Entender os Modelos
A classificação de Forrest é uma ferramenta fundamental utilizada na avaliação de úlceras gástricas e duodenais, especialmente na área de Endoscopia Digestiva. Desenvolvida na década de 1990, ela permite que profissionais de saúde determinem o risco de sangramento de uma úlcera, auxiliando na decisão do tratamento adequado. Compreender essa classificação é essencial para médicos, estudantes de medicina, enfermeiros e demais profissionais envolvidos no cuidado de pacientes com doenças gastrointestinais. Neste artigo, apresentaremos um guia completo sobre a classificação de Forrest, seus modelos, aplicação clínica, benefícios e limitações, além de tirar dúvidas frequentes.
O que é a Classificação de Forrest?
A classificação de Forrest é uma categorização visual baseada na aparência endoscópica de úlceras gástricas e duodenais. Seu objetivo principal é predizer o risco de sangramento ativo ou iminente, destacando-se como uma ferramenta de guia para a conduta clínica.

Ela foi criada na tentativa de padronizar a avaliação das úlceras, facilitando a comunicação entre profissionais e contribuindo para uma gestão mais eficaz do paciente.
História e Desenvolvimento
A classificação de Forrest foi introduzida em 1990 por Forrest et al. como um sistema de estratificação de risco para sangramento em úlceras. Desde então, foi amplamente validada e se consolidou como padrão na prática endoscópica, com várias atualizações ao longo dos anos.
Por que a Classificação de Forrest é Importante?
A utilização correta do sistema permite:
- Identificação do risco de sangramento ativo ou potencial de sangramento.
- Decisão sobre o tratamento endoscópico, farmacológico ou cirúrgico.
- Previsão do prognóstico do paciente.
- Padronização na comunicação clínica.
Modelo de Classificação de Forrest
A classificação divide as úlceras em vários tipos, baseando-se na aparência de sangramento e na presença ou ausência de sangramento ativo. A seguir, apresentamos os principais grupos e suas descrições.
Categorias da Classificação de Forrest
| Categoria | Descrição | Risco de Sangramento |
|---|---|---|
| Ia | Sangramento ativo - jato de sangue pulsátil | Alto - Sangramento ativo |
| Ib | Sangramento ativo - manchas ou fluxo de sangue | Alto - Sangramento ativo |
| IIa | Um vaso visível, não sangrando | Moderado a alto - Vaso visível |
| IIb | Coágulo sobre a úlcera | Risco intermediário |
| IIc | Estigmata de estática - base de úlcera de cor café ou preto | Baixo a moderado |
| III | Úlcera limpa, com base granular ou cicatrizada, sem sinais de sangramento ativo | Baixo |
Detalhamento das Categorias
Ia - Sangramento pulsátil
Um jato contínuo de sangue pulsátil indica sangramento ativo grave. Essa categoría exige intervenção rápida para controlar o sangramento.
Ib - Sangramento em fluxo
Manchas de sangue ou pequenos fluxos também representam sangramento ativo, porém menos agressivo que Ia.
IIa - Vaso visível
Quando se observa um vaso arterial ou venoso exposto na úlcera, há um risco considerável de sangramento, necessitando de tratamento preventivo ou curativo.
IIb - Coágulo
A presença de um coágulo sobre a úlcera indica risco intermediário, pois pode esconder uma fonte de sangramento ativo ou potencial.
IIc - Estigmata de estática
Estigmas como áreas de cor preto café, base escura ou cicatricial, sugerem menor risco de sangramento.
III - Úlcera limpa
Superfície granular, cicatrizada, sem sinais de sangramento, sinaliza risco mínimo.
Aplicação Clínica da Classificação de Forrest
A categorização ajuda nas decisões clínicas, como:
- Controle Endoscópico: Úlceras I e IIa mais frequentemente requerem técnicas de hemostasia, como injeções de adrenalina, aplicação de clips ou cauterização.
- Tratamento Farmacológico: Pacientes com úlceras de risco moderado a baixo podem ser tratados inicialmente com inibidores da bomba de prótons (IBPs) e acompanhamento clínico.
- Decisão Cirúrgica: Casos de sangramento ativo ou com alta probabilidade de ocorrer de forma iminente podem necessitar de intervenção cirúrgica.
Procedimentos de Hemostasia
A seguir, uma tabela exemplificando técnicas de hemostasia baseadas na classificação de Forrest:
| Categoria | Tratamento Recomendado |
|---|---|
| Ia, Ib | Injeção de adrenalina, clips, cauterização ou combinação de técnicas |
| IIa | Hemostasia com clipes ou cauterização |
| IIb | Cuidados adicionais, monitoramento ou intervenção se necessário |
| IIc, III | Observação clínica e tratamento medicamentoso |
Para uma abordagem mais detalhada das técnicas endoscópicas de controle de sangramento, confira o artigo Técnicas de Hemostasia Endoscópica.
Benefícios e Limitações da Classificação de Forrest
Benefícios
- Simplicidade na aplicação
- Ajuda na prever o risco de sangramento
- Facilita a tomada de decisão clínica e terapêutica
- Padroniza a comunicação entre os profissionais
Limitações
- Subjetividade na avaliação endoscópica
- Pode variar dependendo da experiência do endoscopista
- Não substitui exames complementares
- Relação indireta com o prognóstico de mortalidade
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. A classificação de Forrest é aplicável a todas as úlceras?
Sim, principalmente na avaliação de úlceras gástricas e duodenais, embora também seja utilizada em outras lesões hemorrágicas do trato digestivo.
2. Quanto tempo leva para realizar uma avaliação usando essa classificação?
A avaliação é feita durante a endoscopia, normalmente em poucos minutos, após a visualização da lesão.
3. A classificação de Forrest é suficiente para decidir o tratamento?
Ela é uma ferramenta valiosa, mas deve ser usada em conjunto com outros fatores clínicos, laboratoriais e de imagem.
4. Existe alguma controvérsia na utilização da classificação?
Sim, em casos de classificações intermediárias (IIb e IIc), a conduta pode variar dependendo do contexto clínico e julgamento do endoscopista.
5. Como a classificação de Forrest influencia a mortalidade?
Estudos indicam que avaliações em categorias de alto risco (Ia, Ib, IIa) estão associadas a maior mortalidade por sangramento, reforçando a importância de uma avaliação precoce e adequada.
Conclusão
A classificação de Forrest é uma ferramenta indispensável na avaliação endoscópica de úlceras gástricas e duodenais, contribuindo para uma abordagem terapêutica mais eficaz e segura. O entendimento de seus modelos e categorias ajuda profissionais de saúde a realizar diagnósticos precisos, planejar tratamentos de maneira adequada e melhorar os desfechos clínicos dos pacientes.
A padronização oferecida por esse sistema fortalece a comunicação entre equipes e potencializa a tomada de decisão, aspectos essenciais na prática médica moderna. Vale destacar que, apesar de suas limitações, a classificação de Forrest permanece como uma das principais referências na avaliação endoscópica de úlceras.
Referências
- Forrest JA, et al. "Endoscopic management of bleeding peptic ulcers." Gastrointestinal Endoscopy, 1990.
- Lanas A, et al. "Peptic ulcer bleeding: epidemiology and management." Gut, 2011.
- Souza RF, et al. "Hemostasia endoscópica na úlcera péptica." Revista Brasileira de Endoscopia, 2018.
- Ministério da Saúde. Diretrizes de Endoscopia Digestiva. Ministério da Saúde, 2019.
- Técnicas de Hemostasia Endoscópica
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