MDBF Logo MDBF

Cistocele: O que É, Sintomas e Tratamentos para Saúde Feminina

Artigos

A saúde da mulher envolve diversos aspectos e condições que podem afetar sua qualidade de vida. Uma dessas condições, muitas vezes pouco discutida, é a cistocele. Conhecida também como prolapso da bexiga, a cistocele é uma problema que afeta muitas mulheres, especialmente após o parto, envelhecimento ou devido a fatores relacionados à musculatura pélvica. Neste artigo, iremos explorar detalhadamente o que é a cistocele, seus sintomas, formas de diagnóstico, tratamentos disponíveis e dicas para prevenção.

Introdução

A anatomia pélvica feminina é complexa e fundamental para o funcionamento adequado de órgãos como bexiga, útero e intestino. Quando há fraqueza ou enfraquecimento dos músculos que sustentam esses órgãos, podem ocorrer deslocamentos ou projeções. A cistocele é uma dessas condições, que pode impactar a vida diária, a autoestima e a saúde geral da mulher.

cistocele-o-que-e

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), problemas relacionados ao prolapsos de órgãos pélvicos representam uma condição comum entre mulheres na pós-menopausa e após o parto, afetando a qualidade de vida e o bem-estar emocional.

O que é cistocele?

Definição de cistocele

Cistocele, também conhecida como prolapso da bexiga ou protusão vesical, é uma condição em que a parede anterior da vagina enfraquece, levando ao deslocamento ou projeção da bexiga para dentro da vagina. Esse enfraquecimento ocorre na musculatura e nos tecidos de suporte pélvico, causando uma espécie de “bolsa” ou abaulamento na parede vaginal anterior.

Anatomia do suporte pélvico

Para compreender melhor o que acontece na cistocele, é importante entender a anatomia básica:

ÓrgãoFunçãoLocalização
BexigaArmazenar urinaPelve, acima do assoalho pélvico
VaginaÓrgão muscular que conecta o útero à vulvaCanal muscular na pelve
Músculos de suporteMantêm os órgãos pélvicos na posição corretaParedes anteriores e posteriores

Quando esses músculos enfraquecem, permitido que a bexiga protrua na parede vaginal anterior, formando a cistocele.

Cistocele: causas e fatores de risco

Causas principais

  • Parto vaginal: principal fator de risco devido ao esforço e trauma na musculatura pélvica.
  • Envelhecimento: perda de elasticidade e diminuição de estrogênio afetam os tecidos de suporte.
  • Aumento de peso: maior carga na região pélvica aumenta o risco de fraqueza muscular.
  • Obesidade: relacionada ao aumento do esforço nos músculos pélvicos.
  • Constipação crônica: esforço excessivo para evacuar enfraquece os músculos.
  • Histórico de cirurgias na região pélvica: podem alterar o suporte natural dos órgãos.

Fatores de risco adicionais

  • Levantamento de peso frequente
  • Tosse crônica
  • Condições genéticas de fraqueza nos tecidos conjuntivos
  • Má postura e fatores de estilo de vida

Sintomas da cistocele

A manifestação clínica da cistocele pode variar de leve a grave, dependendo do grau de prolapso e do impacto na rotina da mulher.

Sintomas comuns

  • Sensação de peso ou pressão na pelve
  • Bolsas ou abaulamento na vagina, visível ou sensível ao toque
  • Dificuldade ou dor durante relações sexuais
  • Urgência para urinar ou perda involuntária de urina
  • Infecções do trato urinário recorrentes
  • Dificuldade para esvaziar a bexiga completamente
  • Sensação de que a bexiga não esvazia totalmente

Classificação dos graus de cistocele

GrauDescriçãoCaracterísticas
Grau IProtrusão leve, bexiga localizada na parede vaginais anteriorDiscreta, muitas vezes assintomática
Grau IIBexiga projeta-se até a entrada da vaginaPode apresentar sintomas de pressão
Grau IIIProlapso total, bexiga invade a entrada da vagina e pode sair totalmente para foraSintomas mais intensos, possível visualização externa

Diagnóstico da cistocele

Exame clínico

O diagnóstico geralmente é realizado por ginecologistas através de exame clínico pélvico, no qual avalia-se a posição dos órgãos e a presença de abaulamento na parede vaginal.

Exames complementares

  • Ultrassonografia pélvica: ajuda a visualização dos órgãos e confirmação do grau de prolapso.
  • Cistoscopia: avalia a bexiga e uretra, principalmente se houver sintomas urinários associados.
  • Urodinâmica: teste de função da bexiga, útil em casos de incontinência ou dificuldades urinárias.

Tratamentos para cistocele

O tratamento varia de acordo com o grau do prolapso, sintomas apresentados e impacto na vida da paciente. Pode incluir medidas conservadoras, mudanças no estilo de vida ou procedimentos cirúrgicos.

Tratamentos não invasivos (conservadores)

  • Mudanças de estilo de vida: controle do peso, tratamento de constipação, evitar levantamento de peso.
  • Fisioterapia do assoalho pélvico: exercícios de fortalecimento muscular (como os exercícios de Kegel).
  • Uso de dispositivos vaginais: pessários que sustentam a parede vaginal e evitam o abaulamento.

Tratamentos cirúrgicos

Quando os sintomas são intensos ou os tratamentos conservadores não são eficazes, a cirurgia pode ser indicada para reposicionar os órgãos e reforçar a parede vaginal.

Tipo de cirurgiaDescriçãoBenefícios
Colporrafia anteriorReforço da parede anterior da vagina para sustentar a bexigaCorretiva e de alta eficiência
Histerectomia (quando necessário)Remoção do útero, se houver indicaçãoMelhora o suporte geral pélvico
ColpofixaçãoFixação da parede vaginal ao osso pélvico ou ligamentosReparação duradoura

Considerações sobre tratamentos cirúrgicos

Antes da cirurgia, recomenda-se avaliar fatores de risco, estado geral de saúde e expectativas da paciente. Além disso, é importante consultar um especialista em cirurgia pélvica.

Prevenção da cistocele

A prevenção envolve cuidados que fortalecem e mantêm a musculatura pélvica saudável.

  • Praticar exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico: especialmente os exercícios de Kegel.
  • Manter o peso sob controle: reduz a pressão sobre os órgãos pélvicos.
  • Evitar esforços excessivos durante evacuações: tratar constipação.
  • Corrigir hábitos de postura: evitar esforço desnecessário na região pélvica.
  • Consulta periódica ao ginecologista: avaliação preventiva.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. A cistocele é uma condição grave?
Não necessariamente. Em graus leves, pode não causar sintomas ou desconforto. No entanto, se não tratada, pode evoluir e causar complicações.

2. É possível prevenir a cistocele?**
Sim, adotando hábitos de vida saudáveis, fortalecendo os músculos do assoalho pélvico e evitando esforços excessivos.

3. Qual médico devo procurar para tratar a cistocele?
Ginecologista especializado em saúde da mulher ou um cirurgião pélvico.

4. A cirurgia de cistocele é segura?
Sim, quando realizada por profissionais qualificados, apresenta boas taxas de sucesso e segurança.

5. Existe alguma relação entre cistocele e incontinência urinária?**
Sim, muitas mulheres com cistocele também apresentam incontinência urinária devido à alteração na estrutura da parede pélvica.

Conclusão

A cistocele é uma condição comum na saúde feminina, especialmente após o parto, na menopausa ou devido à perda de suporte muscular na pelve. Reconhecer os sintomas precocemente, buscar atendimento adequado e seguir as orientações médicas são passos essenciais para o controle e tratamento eficaz. Conhecer as opções de tratamento, incluindo cirurgias e fisioterapia, pode melhorar significativamente a qualidade de vida das mulheres afetadas por essa condição.

A prevenção, através do fortalecimento da musculatura pélvica e hábitos de vida saudáveis, desempenha papel fundamental na redução do risco de desenvolver a cistocele. É importante que as mulheres tenham uma rotina de cuidados com a saúde pélvica e procurem orientação médica regular.

Referências

  • Organização Mundial da Saúde (OMS). "Prolapso de Órgãos Pélvicos". Disponível em: https://www.who.int/
  • Instituto Nacional de Saúde dos EUA. "Pelvic Floor Disorders". Disponível em: https://www.nih.gov/
  • Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. "Prolapso de Órgãos pélvicos". Disponível em: https://sbgo.org/

Seja qual for a sua dúvida ou necessidade, consulte um especialista em saúde feminina para uma avaliação completa e orientação adequada. A sua saúde pélvica é fundamental para o bem-estar geral!