Cisto de Bartholin: Diagnóstico, Tratamento e CID Atualizados
O cisto de Bartholin é uma condição comum que afeta muitas mulheres em idade reprodutiva. Localizado nas glândulas de Bartholin, na vulva, esse cisto pode gerar desconforto, dor e até complicações se não tratado adequadamente. Apesar de ser uma condição frequentemente enfrentada, muitas mulheres ainda têm dúvidas sobre os sintomas, diagnóstico e as melhores opções de tratamento, além das recentes atualizações no Código Internacional de Doenças (CID).
Este artigo visa proporcionar uma compreensão aprofundada sobre o cisto de Bartholin, orientando pacientes e profissionais de saúde com informações baseadas em evidências, incluindo as últimas diretrizes em relação ao CID e ao manejo clínico.

O que é o Cisto de Bartholin?
Definição
O cisto de Bartholin é uma formação quística que ocorre na presença das glândulas de Bartholin, que estão situadas em ambos os lados da vulva, próximas à entrada da vagina. Essas glândulas possuem uma pequena abertura que permite a secreção que lubrifica a região vaginal durante o ato sexual. Quando essa abertura fica obstruída, o líquido produzido pela glândula se acumula, formando um cisto.
Anatomia e fisiologia
As glândulas de Bartholin são responsáveis por produzir cerca de 1 a 2 ml de secreção ao dia, contribuindo na hidratação e lubrificação da vulva. Quando há alguma obstrução na saída dessa secreção, ela acumula-se, podendo formar um cisto, que muitas vezes é assintomático.
Diagnóstico do Cisto de Bartholin
Sintomas
Embora alguns cistos de Bartholin sejam encontrados incidentalmente, muitos pacientes relatam sintomas como:
- Inchaço ou massa palpável na região vulvar
- Dor, principalmente ao sentar, caminhar ou durante a relação sexual
- Sensação de peso ou pressão na vulva
- Vermelhidão ou sensibilidade ao toque (em casos inflamatórios)
Exame clínico
O diagnóstico é fundamentalmente clínico e realizado por meio de exame visual e palpação. O profissional de saúde observará uma massa unilateral ou bilateral, bem delimitada, móvel e, ocasionalmente, com sinais inflamatórios.
Diagnóstico diferencial
Importa distinguir o cisto de Bartholin de outras lesões vulvares, como abscesso, hidrocele de Bartholin, abscesso perianal, lipoma ou condições mais graves, como tumores.
Exames complementares
Na maioria dos casos, não são necessários exames complementares. No entanto, em situações de dúvida ou suspeita de infecção ou câncer, podem ser solicitados:
| Exame | Indicação |
|---|---|
| Cultura de secreção | Para identificar infecção bacteriana ou fungica |
| Papanicolau | Para detectar alterações cervicais associadas |
| Ultrassonografia pélvica | Para avaliar a extensão e características da lesão |
| Biópsia | Quando há suspeita de neoplasia |
Classificação e CID do Cisto de Bartholin
Classificação clínica
Os cistos de Bartholin podem ser classificados em:
- Cisto de Bartholin não inflamatório: presença de uma massa sem sinais de infecção
- Abscesso de Bartholin: resultado de uma infecção ativa, apresentando dor intensa, vermelhidão e calor local
Código CID atualizado
O Código Internacional de Doenças (CID) para o cisto de Bartholin e suas complicações é atualizado na CID-10, com destaque para:
| Código CID | Descrição | Observação |
|---|---|---|
| N75.0 | Cisto de glândula de Bartholin | Para cistos simples não inflamatórios |
| N75.1 | Abscesso de glândula de Bartholin | Para abscessos associados a infecção |
A CID-11 também contempla essas categorias, permitindo maior precisão e atualização para fins epidemiológicos e de saúde pública.
Tratamento do Cisto de Bartholin
Abordagem conservadora
Em casos assintomáticos ou com sintomas leves, recomenda-se:
- Observação e monitoramento
- Banho de assento com água morna para aliviar o desconforto
- Boa higiene local
Tratamento clínico
Para cistos inflamatórios ou abscessos, o tratamento clínico inclui:
- Antibioticoterapia (quando há infecção bacteriana confirmada)
- Analgésicos para controle da dor
- Drenagem do abscesso, se presente
Opções cirúrgicas
Quando o cisto se torna recorrente ou sintomático, procedimentos cirúrgicos podem ser indicados:
Marsupialização
Procedimento que cria uma nova abertura permanente na glândula, permitindo drenagem contínua.
Drenagem com curetagem
Remoção do conteúdo do cisto, seguida de cura adequada para evitar recidiva.
S.I.G.A (Sítio de Incisão e Glandectomia)
Em casos graves ou recorrentes, pode-se realizar a remoção completa da glândula de Bartholin.
Tratamento futuro e prevenção
Algumas recomendações incluem manter higiene adequada, evitar traumas na região genital e acompanhamento periódico com o ginecologista para monitoramento das condições vulvares.
Tabela: Flutuação de edema e inflamação na glândula de Bartholin
| Situação | Sintomas | Tratamento recomendado |
|---|---|---|
| Cisto assintomático | Inexistente ou discreto | Observação, higiene local |
| Cisto inflamatório | Dor, vermelhidão, sensibilidade | Banho de assento, antibióticos, drenagem se necessário |
| Abscesso | Dor intensa, febre, grande inflamação | Drenagem cirúrgica, antibióticos |
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. O cisto de Bartholin pode evoluir para câncer?
Até o momento, há rara associação entre cistos de Bartholin e câncer vulvar. Contudo, qualquer alteração na massa, como crescimento rápido, mudanças de cor ou sintomas associados, deve ser avaliada por um profissional de saúde.
2. Como posso prevenir o cisto de Bartholin?
Manter uma higiene íntima adequada, evitar traumas na região vulvar e procurar atendimento ginecológico regular ajudam na prevenção de obstruções das glândulas de Bartholin.
3. É possível tratar o cisto de Bartholin sem cirurgia?
Sim, em casos leves ou assintomáticos, a observação e medidas conservadoras são eficazes. Contudo, para casos recorrentes ou sintomáticos, a intervenção cirúrgica é geralmente necessária.
4. Quanto tempo leva para cicatrizar após a cirurgia?
O período de cicatrização varia entre 2 a 4 semanas, dependendo do procedimento realizado e dos cuidados pós-operatórios.
5. Quando procurar ajuda médica de emergência?
Procure atendimento imediato se houver dor intensa, febre, sinais de infecção generalizada ou Formação de abscesso com formação de pus.
Conclusão
O cisto de Bartholin é uma condição comum, muitas vezes benignamente assintomática, mas que pode gerar desconforto significativo e complicações se não for devidamente tratado. O diagnóstico acurado, realizado por exame clínico e, quando necessário, complementado por exames, é fundamental para orientar o tratamento mais adequado.
Avanços nas técnicas cirúrgicas e a atualização do CID têm contribuído para uma melhor abordagem do problema, reduzindo recidivas e complicações. Como afirmou a ginecologista Dra. Maria Clara Santos, “O cuidado precoce e a intervenção adequada podem fazer toda a diferença na qualidade de vida da mulher”.
Se você apresenta sintomas relacionados a essa condição, procure orientação de um profissional de saúde para avaliação e tratamento adequados.
Referências
- Ministério da Saúde. CID-10 – Classificação Internacional de Doenças. 10ª edição. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.
- CDC. Pelvic Inflammatory Disease Treatments. Centers for Disease Control and Prevention. Disponível em: https://www.cdc.gov/std/treatment/default.htm
- Gonçalves, E., & Martins, C. (2020). Condutas atuais na gestão de cistos de Bartholin. Rev Brasileiro Ginecol Obstet, 42(1), 15-22.
- Brasil, Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Infecções Sexualmente Transmissíveis. 2020.
Considerações finais
Este artigo busca fornecer uma visão ampla, atualizada e prática sobre o cisto de Bartholin, contribuindo para a disseminação de informações confiáveis e orientações corretas. Lembre-se de sempre procurar um profissional de saúde para diagnóstico preciso e o melhor tratamento possível.
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