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Cisto de Bartholin: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento Eficaz

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O cisto de Bartholin é uma condição comum que afeta muitas mulheres em idade reprodutiva, sendo frequentemente responsável por desconforto, dor e inflamação na região vulvar. Embora seja uma condição geralmente benigna, o cisto de Bartholin pode evoluir para abscesso se não tratado adequadamente, causando incômodo significativo e afetando a qualidade de vida da paciente. O objetivo deste artigo é fornecer informações completas e atualizadas sobre o tema, abordando sintomas, diagnóstico, opções de tratamento, além de esclarecer dúvidas frequentes e oferecer orientações para uma gestão adequada.

O que é o Cisto de Bartholin?

O cisto de Bartholin ocorre quando as glândulas de Bartholin, localizadas em ambos os lados da vulva, ficam obstruídas. Essas glândulas, do tamanho aproximadamente de uma ervilha, produzem uma secreção que ajuda a lubrificar a vulva durante o ato sexual. Quando a saída dessa secreção é bloqueada, ela se acumula, formando um cisto.

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Anatomia e Funcionamento das Glândulas de Bartholin

Anatomia das Glândulas de Bartholin

As glândulas de Bartholin estão situadas em cada lado da vulva, próximas à abertura vaginal, sob a pele do lábido maior. Cada glândula mede cerca de 0,5 a 1 cm de diâmetro e é responsável por produzir uma pequena quantidade de fluidos límpidos.

Funcionamento

Durante o ato sexual ou mesmo em repouso, essas glândulas secretam fluidos que auxiliam na lubrificação, facilitando o relacionamento íntimo e prevenindo irritações. O funcionamento adequado dessas glândulas depende de uma drenagem eficiente do fluido produzido.

Sintomas do Cisto de Bartholin

Sintomas Comuns

  • Formações arredondadas ou ovais, móveis e indolores na região vulvar;
  • Sensação de massa ou inchaço na parte externa da vulva;
  • Desconforto ou dor ao sentar, caminhar, durante o ato sexual ou higiene íntima;
  • Pode haver vermelhidão e calor local se houver inflamação ou infecção.

Quando a Dor Se Torna Intensa

Se o cisto evoluir para abscesso, a dor torna-se mais intensa, acompanhada de febre e mal-estar geral. Nessa fase, a inflamação atinge um grau mais grave, exigindo intervenção médica urgente.

Diagnóstico do Cisto de Bartholin

Exame Clínico

O diagnóstico geralmente é realizado por meio de exame físico, no qual o médico avalia a presença da massa, sua consistência, mobilidade e sensibilidade. É comum que o profissional realize também um exame ginecológico para descartar outras condições.

Exames Complementares

  • Ultrassonografia pélvica: Para avaliar a extensão do cisto ou a presença de abscessos;
  • Swab vaginal ou da lesão: Para identificar possíveis infecções causadoras, como gonorreia ou clamídia.

Critérios Diagnósticos

O diagnóstico de cisto de Bartholin é clinicamente confirmado, com base na história da paciente e no exame físico. A classificação do cisto pode variar conforme a presença ou não de infecção.

Opções de Tratamento para Cisto de Bartholin

O tratamento depende do tamanho, sintomas e presença de infecção ou abscesso. Abaixo, apresentamos uma tabela resumindo as principais opções:

TratamentoIndicaçãoDescriçãoRiscos/Considerações
ObservaçãoCistos assintomáticos ou pequenosAcompanhamento sem intervenção imediata.Pode evoluir para abscesso ou inflamação.
Compressas mornasCistos pequenos ou iniciaisAplicação de compressas para promover drenagem espontânea.Resultados variáveis; pode não ser eficaz em casos mais graves.
Drenagem com agulha ou incisãoCistos dolorosos ou inflamadosProcedimento para retirar o conteúdo do cisto, aliviando a dor.Risco de recorrência, infecção ou formação de abscesso.
Excisão do cistoCistos recorrentes ou persistentesRemoção cirúrgica do cisto e da glândula de Bartholin.Pode causar cicatriz, sangramento ou infecção secundária.
MarsupializaçãoCistos recorrentes ou grandesTécnica cirúrgica que cria uma abertura permanente para drenagem contínua.Melhora a prevenção de recidivas.
Vaporizar ou laserCasos específicosUso de laser para destruir a glândula ou cisto, minimizando danos.Técnicas mais avançadas, requerem equipe especializada.

Tratamento para Abscesso de Bartholin

No caso de abscesso, o tratamento deve ser imediato, envolvendo:- Incisão e drenagem do pus;- Uso de antibióticos, se necessário;- Cuidados locais e, em alguns casos, enfaixamentos.

Quais São as Complicações Possíveis?

  • Recorrência do cisto ou abscesso;
  • Infecção secundária;
  • Formação de fibrose ou cicatriz que possa alterar a anatomia;
  • Raramente, fístula ou fistula de Bartholin.

Como Prevenir o Cisto de Bartholin?

Embora não exista uma prevenção definitiva, práticas que promovam a higiene íntima adequada, o uso de preservativos e evitar fatores que aumentem o risco de infecção contribuem para reduzir a incidência. Manter cuidado com infecções sexualmente transmissíveis é primordial.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. O cisto de Bartholin pode se transformar em câncer?

Segundo especialistas, o cisto de Bartholin é uma condição benigna e rara pode, em casos muito específicos, apresentar alterações que evoluam para câncer, mas essa é uma ocorrência extremamente rara.

2. Quanto tempo leva para um cisto de Bartholin desaparecer espontaneamente?

Depende do tamanho e da resposta do organismo. Alguns podem se resolver em poucos dias com compressas mornas, mas outros podem persistir por semanas ou evoluir para inflamação.

3. É necessário cirurgia em todos os casos de cisto de Bartholin?

Não. Muitas vezes, o tratamento conservador com compressas e acompanhamento é suficiente. Cirurgias são indicadas em casos de recorrência ou complicações.

4. Quanto tempo leva para se recuperar de uma marsupialização?

Geralmente, a recuperação ocorre em cerca de uma semana, com cuidados locais recomendados pelo médico.

5. O uso de cremes ou pomadas ajuda no tratamento do cisto de Bartholin?

Não há evidências de que cremes auxiliem na resolução do cisto, mas podem ser utilizados para o tratamento de infecções concomitantes sob orientação médica.

Conclusão

O cisto de Bartholin é uma condição comum, que pode causar desconforto e dor, mas que, na grande maioria dos casos, apresenta tratamento eficaz. A atenção aos sintomas, o diagnóstico precoce e a escolha adequada do tratamento são fundamentais para evitar complicações e melhorar a qualidade de vida da paciente. Sempre que houver suspeita ou diagnóstico confirmado, é essencial procurar um profissional de saúde para avaliação e orientações específicas.

Para manter-se bem informado e buscar opções de tratamento especializadas, recomendo consultar centros de referência em ginecologia ou saúde da mulher, além de buscar informações em fontes confiáveis, como o Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (SBGO).

Referências

  1. Williams Gynecology, 3ª edição. McGraw-Hill Education, 2016.
  2. Creinin MD, et al. Diseases of the Vulva and Vagina. In: Obstetrics & Gynecology. 2020.
  3. Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (SBGO). Guia de Conduta em Saúde da Mulher. Disponível em: sbgo.org.br.
  4. Ministério da Saúde. Saúde da Mulher: Guia de Orientação. Governo Federal, 2022.

Este conteúdo é de caráter informativo e não substitui a avaliação médica especializada.