CID Z760: Diagnóstico de Desnutrição Enteral em Adultos
A desnutrição enteral é um problema de saúde pública que afeta uma proporção significativa da população adulta, especialmente em unidades de cuidados intensivos, hospitais, clínicas de reabilitação e entre pacientes com doenças crônicas. O código CID Z760 refere-se especificamente ao diagnóstico de desnutrição grave de origem nutricional, associada à insuficiência de ingestão ou absorção de nutrientes. Entender essa classificação, suas implicações clínicas, critérios diagnósticos e formas de manejo é fundamental para profissionais de saúde, estudantes e pacientes que buscam uma compreensão aprofundada sobre o tema.
Neste artigo, abordaremos de forma detalhada o que significa CID Z760, seus critérios diagnósticos, fatores de risco, estratégias de tratamento e prevenção, além de oferecer orientações práticas para melhorar a abordagem clínica a esses pacientes. Analisaremos também a importância do diagnóstico precoce e o impacto de uma intervenção adequada na qualidade de vida do paciente.

O que é o CID Z760?
Significado do Código CID Z760
O código Z760 faz parte da Classificação Internacional de Doenças (CID), utilizada mundialmente para fins de diagnóstico, estatísticas e planejamento de políticas de saúde. Especificamente, Z760 refere-se ao diagnóstico de desnutrição grave de origem nutricional, que ocorre por insuficiente ingestão, má absorção ou aumento do metabolismo, levando a um estado de desnutrição severa.
Contexto clínico do CID Z760
A desnutrição enteral pode ser causada por uma variedade de fatores, incluindo doenças crônicas, anorexia, dificuldades de deglutição, condições psiquiátricas, entre outros. Quando a desnutrição atinge grau grave, ela compromete funções fisiológicas essenciais, aumentando o risco de complicações e mortalidade.
Diagnóstico de Desnutrição Enteral em Adultos
Critérios diagnósticos segundo a CID Z760
Para estabelecer o diagnóstico de desnutrição grave (Z760), os profissionais de saúde devem considerar critérios clínicos, laboratoriais e antropométricos, envolvendo:
| Critério | Descrição | Observação |
|---|---|---|
| Perda de peso significativa | Perda de peso superior a 10% em 6 meses | Pode indicar desnutrição aguda ou crônica |
| Índice de massa corporal (IMC) | IMC abaixo de 16 kg/m² | Considerado severo |
| Albumina sérica | Níveis abaixo de 3,5 g/dL | Indicador de estado nutricional e inflamatório |
| Perda de massa muscular | Evidência clínica ou por exame de imagem | Presença de atrofia muscular |
| Estado geral | Fraqueza, fadiga, diminuição da funcionalidade | Sintomas associados |
"A avaliação multidimensional é essencial para um diagnóstico preciso da desnutrição, especialmente em seus estágios mais graves." — Organização Mundial da Saúde (OMS)
Fatores de risco para desnutrição enteral grave
- Doenças oncológicas
- Trauma grave
- Doenças infecciosas crônicas
- Cirurgias de grande porte
- Doenças neurológicas que comprometem a deglutição
- Condições psiquiátricas, como anorexia nervosa
Importância do Diagnóstico Precoce
O reconhecimento oportuno da desnutrição enteral é vital para a redução de complicações, melhora na recuperação e aumento da sobrevida. Segundo um estudo publicado na Journal of Clinical Nutrition, pacientes que receberam intervenção nutricional precoce apresentaram melhora significativa na taxa de complicações infecciosas e na mortalidade.
Além disso, a identificação do código Z760 contribui para uma melhor classificação epidemiológica e planejamento de políticas públicas de saúde.
Tratamento da Desnutrição Enteral em Adultos
Abordagem clínica e nutricional
O manejo da desnutrição grave deve ser multidisciplinar, envolvendo médicos, nutricionistas, enfermeiros e fisioterapeutas.
Objetivos principais
- Corrigir déficits nutricionais
- Estabilizar o estado clínico geral
- Melhorar a funcionalidade do paciente
- Prevenir complicações secundárias
Estratégias de intervenção
- Avaliação detalhada do paciente: histórico clínico, exames laboratoriais e avaliação física.
- Nutrição enteral otimizada: uso de fórmulas específicas para cada condição, levando em consideração intolerâncias e alergias.
- Suplementação vitamínica e mineral: vitaminas, zinco, ferro, entre outros.
- Controle de inflamação e infecção: tratamento adequado de processos infecciosos concomitantes.
- Reabilitação funcional: fisioterapia para recuperação da massa muscular e mobilidade.
Tabela de estratégias de tratamento
| Estratégia | Objetivo | Exemplos |
|---|---|---|
| Nutrição enteral personalizada | Corrigir déficits específicos | Fórmulas hiperproteicas |
| Suplementação vitamínica | Prevenir deficiências | Complexo vitamínico B, Vitamina D |
| Controle de inflamação | Diminuir catabolismo | Uso de anti-inflamatórios ou corticosteroides |
| Reabilitação física | Recuperar força muscular | Fisioterapia motora |
Cuidados adicionais
- Monitoramento constante de parâmetros laboratoriais e antropométricos
- Ajuste da via nutricional conforme evolução clínica
- Educação do paciente e familiares
Prevenção da Desnutrição Enteral
A prevenção é um aspecto fundamental na abordagem clínica. Algumas medidas importantes incluem:
- Avaliação periódica do estado nutricional de pacientes com risco
- Educação sobre alimentação adequada
- Incentivo à iniciação precoce de alimentação enteral em pacientes hospitalizados
- Cuidados paliativos e suporte nutricional em doenças avançadas
Para informações práticas e atualizadas, consulte o site da Associação Brasileira de Nutrição Enteral e Parenteral ABRAPE.
Perguntas Frequentes (FAQs)
Qual a diferença entre desnutrição leve, moderada e grave?
A desnutrição é classificada de acordo com critérios antropométricos, laboratoriais e clínicos; a leve apresenta sinais sutis, a moderada sinais mais evidentes e a grave compromete funções fisiológicas essenciais, podendo levar à morte.
Como o CID Z760 é utilizado na prática clínica?
O código Z760 auxilia na documentação, planejamento de tratamento e elaboração de políticas públicas de saúde, além de facilitar a coleta de dados epidemiológicos sobre a desnutrição grave.
É possível reverter a desnutrição grave?
Sim, com intervenção precoce, adequada e multidisciplinar, muitos casos podem apresentar melhora significativa, embora algumas condições crônicas possam exigir suporte prolongado.
Conclusão
A classificação CID Z760 desempenha papel central no reconhecimento e na condução do tratamento da desnutrição enteral grave em adultos. Um diagnóstico preciso aliado a uma abordagem multidisciplinar faz toda a diferença na recuperação do paciente, na redução de complicações e na melhora da sua qualidade de vida. A prevenção, a avaliação contínua e o tratamento adequado são essenciais para enfrentar essa condição, que ainda representa um grande desafio na prática clínica.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-10). 2020.
- Associação Brasileira de Nutrição Enteral e Parenteral (ABRAPE). Guia de Nutrição Enteral. Disponível em: https://www.abrnp.org.br.
- Gutiérrez, A. et al. “Impacto do diagnóstico precoce de desnutrição em unidades de saúde.” Journal of Clinical Nutrition, vol. 65, no. 2, 2021, pp. 123–130.
- Ministério da Saúde. Protocolo de Vigilância Nutricional. Brasília: MS, 2019.
Considerações finais
Reconhecer a importância do código CID Z760 no cenário clínico é fundamental para uma atuação eficaz no tratamento da desnutrição grave. Atualizar-se quanto às estratégias diagnósticas e terapêuticas contribui concretamente para a melhora na assistência às pessoas afetadas por esta condição, promovendo saúde, bem-estar e uma maior longevidade.
MDBF