CID Urgência Hipertensiva: Guia Completo Sobre Emergência Hipertensiva
A hipertensão arterial é uma condição clínica prevalente que afeta milhões de pessoas no Brasil e ao redor do mundo. Quando a pressão arterial (PA) sofre elevações abruptas e severas, pode levar a situações de emergência, denominadas urgência hipertensiva ou hipertensiva de emergência. Essas condições exigem atenção médica imediata, pois podem evoluir para complicações graves que comprometam a vida do paciente.
Neste artigo, abordaremos de forma detalhada o que caracteriza uma CID de urgência hipertensiva, seus sintomas, diagnóstico, tratamento e diferenças entre urgência e emergência hipertensiva. Além disso, apresentaremos uma tabela comparativa e responderemos às principais perguntas frequentes sobre o tema.

O que é CID de Urgência Hipertensiva?
A Classificação Internacional de Doenças (CID) para condições relacionadas à hipertensão inclui códigos específicos que ajudam na documentação, epidemiologia e gerenciamento clínico. Para urgência hipertensiva, o código mais utilizado é:
| Código CID | Descrição |
|---|---|
| I10.9 | Hipertensão essencial, não especificada (usada para hipertensão sem complicações agudas) |
| I16.9 | Hipertensão secundária, não especificada (quando a causa é identificada) |
| I10.0 | Hipertensão mais crise hipertensiva (indicada em contextos de emergência) |
Nota: embora a CID específica para "urgência hipertensiva" não exista como um código isolado, ela é categorizada dentro dos códigos de hipertensão que apresentam risco de vida ou complicações agudas.
Definição de Urgência Hipertensiva
A urgência hipertensiva é uma condição clínica na qual a pressão arterial atinge valores elevados (geralmente PA ≥ 180/120 mmHg), sem sinais ou sintomas de comprometimento de órgãos-alvo. É uma situação que demanda atenção rápida, mas que, na maioria dos casos, não requer hospitalização imediata.
Diferença entre urgência e emergência hipertensiva
| Critério | Urgência Hipertensiva | Emergência Hipertensiva |
|---|---|---|
| Pressão arterial | ≥ 180/120 mmHg | ≥ 180/120 mmHg ou superior |
| Presença de sinais de dano em órgãos-alvo | Não presente | Presente (encaixe de encefalopatia, dissecção de aorta, insuficiência renal aguda) |
| Sintomas | Geralmente ausentes ou leves | Sintomas severos (Dor de cabeça intensa, dor torácica, alterações neurológicas) |
| Tratamento | Redução gradual da PA em horas ou dias | Redução rápida, em minutos ou horas, para evitar dano progressivo |
Sinais e Sintomas da Urgência Hipertensiva
Apesar de a maioria dos casos serem assintomáticos ou apresentarem sintomas leves, é comum que pacientes relatem:
- Dor de cabeça forte ou sensação de peso na cabeça
- Tontura e sensação de desmaio
- Palpitações
- Visão turva ou alterações visuais
- Cansaço ou fadiga incomum
Em casos de evolução para emergência hipertensiva, podem ocorrer:
- Dor torácica (sugestiva de angina ou dissecção de aorta)
- Dificuldade na fala ou alteração neurológica
- Edema agudo de pulmão
- Alterações visuais graves
Diagnóstico
O diagnóstico de urgência hipertensiva baseia-se, principalmente, na mensuração precisa da pressão arterial e na avaliação clínica.
Procedimentos essenciais:
- Mensuração da pressão arterial: deve ser realizada com aparelho calibrado e adequado ao braço do paciente.
- Exame físico completo: avaliação cardiovascular, neurológica, renal e ocular.
- Exames complementares: podem incluir eletrocardiograma, dosagem de proteína na urina, creatinina, gás arterial, entre outros, dependendo do quadro clínico.
Tratamento da Urgência Hipertensiva
O manejo clínico visa a redução gradual da PA, evitando queda abrupta que possa prejudicar órgãos vitais.
Objetivos do tratamento
- Controlar os níveis pressóricos sem causar hipotensão
- Identificar e tratar possíveis causas secundárias
- Monitorar sinais de comprometimento orgânico
Estratégias de tratamento
- Administração de medicamentos orais: como captopril, nifedipino, cloridrato de amlodipina.
- Pacientes hospitalizados: podem receber medicamentos intravenosos, como nitropress (nitroprussiato de sódio), fenoldopam ou labetalol, dependendo da gravidade.
Tabela de manejo da urgência hipertensiva
| Fármaco | Via de administração | Dose inicial recomendada | Observações |
|---|---|---|---|
| Captopril | Oral | 25 mg a cada 2 horas | Pode ser ajustado conforme resposta |
| Nifedipino (capsula) | Oral | 10 a 20 mg, repetir após 30-60 min | Evitar uso em pacientes com risco de isquemia |
| Labetalol | Intravenoso | 20 a 40 mg em dose única, podendo repetir a cada 10 min | Monitorar frequência cardíaca e pressão arterial |
| Nitroprussiato de sódio | Intravenoso | Dose inicial: 0,3 mcg/kg/min | Ajustar conforme resposta; monitorar pressão intracraniana |
Quando procurar ajuda médica imediatamente?
Se você ou alguém apresentar os seguintes sinais, procure atendimento de emergência:
- Dor intensa no peito
- Dificuldade na fala ou fraqueza
- Alterações visuais graves
- Perda de consciência ou convulsões
- Dispneia súbita ou edema pulmonar
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Qual a diferença entre hipertensão essencial e secundária?
Resposta: Hipertensão essencial é a forma mais comum, sem causa identificável específica. A hipertensão secundária resulta de condições clínicas específicas, como doenças renais, tumores adrenalinos ou medicamentos.
2. Quais valores de pressão arterial indicam urgência hipertensiva?
Resposta: Geralmente, valores superiores a 180/120 mmHg, acompanhados ou não de sintomas, indicam uma urgência hipertensiva.
3. É necessário internar todos os pacientes com urgência hipertensiva?
Resposta: Nem todos. A maioria pode ser manejada ambulatorialmente com terapia oral e acompanhamento, a não ser que haja sinais de comprometimento de órgãos ou risco de vida.
4. Como diferenciar uma crise hipertensiva de uma emergência?
Resposta: A crise hipertensiva é quando a PA está elevada, mas sem sinais de dano de órgãos. Emergência hipertensiva apresenta sinais ou sintomas de dano orgânico.
Conclusão
A urgência hipertensiva é uma condição que exige atenção rápida, porém diferentemente da emergência hipertensiva, muitas vezes pode ser manejada com controle ambulatorial e medicamentos orais. O reconhecimento precoce dos sintomas e a ação adequada são essenciais para evitar a progressão para estados mais graves, como acidente vascular cerebral, infarto ou dissecção aórtica.
Sempre que houver suspeita de níveis pressóricos elevados, especialmente com sintomas associados, é fundamental procurar atendimento médico especializado. A hipertensão é uma doença crônica que, se bem controlada, permite uma vida habitual com menor risco de complicações.
Referências
- Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes de Hipertensão Arterial Sistêmica
- World Health Organization. Hypertension
- Ministério da Saúde. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial
Lembre-se: A hipertensão deve ser acompanhada regularmente por um profissional de saúde, e mudanças no estilo de vida aliado a medicamentos podem ajudar a manter a pressão arterial sob controle e prevenir complicações a longo prazo.
MDBF