CID Tricotilomania: Entenda a Contratura do Cabelo e Seus Tratamentos
A saúde mental e os hábitos comportamentais muitas vezes estão interligados com questões físicas que podem impactar de forma significativa a autoestima e o bem-estar geral. Um desses tópicos que vêm ganhando atenção na área de saúde é a tricotilomania, um transtorno que leva a pessoa a puxar compulsivamente os fios de cabelo, levando à formação de áreas calvas e, em alguns casos, a contraturas capilares. Este artigo tem como objetivo explicar o que é a tricotilomania, seu código CID, causas, sintomas, tratamentos disponíveis e dúvidas comuns, além de fornecer informações essenciais para quem busca compreender essa condição.
O que é CID Tricotilomania?
A Classificação Internacional de Doenças (CID) é um sistema utilizado mundialmente para categorizar e diagnosticar diferentes patologias. O código CID para a tricotilomania é F63.3, classificada como um transtorno body-focused, que envolve comportamentos compulsivos direcionados ao próprio corpo, especificamente ao cabelo.

Definição de Tricotilomania
A tricotilomania é um transtorno do controle dos impulsos, caracterizado pelo desejo irresistível de puxar os fios de cabelo, levando à perda de cabelo perceptível. Essa condição também pode afetar pelos peludos do corpo, como sobrancelhas e pelos do corpo, dependendo do caso.
CID 10 e CID 11
Na CID-10, ela é identificada pelo código F63.3, enquanto na CID-11, ela aparece como um transtorno de controle de impulso dentro do capítulo de Transtornos Obsessivo-Compulsivos e Relacionados.
Causas e Fatores de Risco
A tricotilomania é uma condição multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais, psicológicos e neuroquímicos.
Causas Possíveis
| Fatores | Descrição |
|---|---|
| Genética | História familiar de transtornos compulsivos ou ansiedade |
| Aspectos psicológicos | Sintomas de ansiedade, depressão ou estresse |
| Neuroquímicos | Desequilíbrio de serotonina e dopamina |
| Traumas e estresse | Eventos traumáticos ou altos níveis de estresse emocional |
Segundo a Dra. Ana Paula, psicóloga clínica especializada em transtornos compulsivos:
"A tricotilomania muitas vezes está relacionada a um mecanismo de enfrentamento para lidar com emoções difíceis ou estresse, o que reforça a importância de uma abordagem multidisciplinar."
Como a Tricotilomania se Desenvolve?
Diante de gatilhos ambientais ou emocionais, a pessoa pode desenvolver o hábito de puxar o cabelo como uma resposta automática, proporcionando uma sensação temporária de alívio ou prazer. Com o passar do tempo, isso se torna uma rotina compulsiva difícil de controlar.
Sintomas da Tricotilomania
Os principais sinais que indicam a presença de tricotilomania incluem:
- Puxar os fios de cabelo deliberadamente, muitas vezes de forma impulsiva ou compulsiva
- Perda visível de cabelo em áreas específicas do couro cabeludo ou outras regiões do corpo
- Sentimentos de tensão ou ansiedade antes do ato de puxar cabelo
- Sentimentos de alívio ou prazer após puxar cabelo
- Dificuldade em resistir ao impulso de puxar cabelo
- Dores ou desconforto no couro cabeludo devido à tração constante
Contratura Capilar e Seus Riscos
Em alguns casos, a tricotilomania pode levar a uma condição conhecida como contratura capilar, onde há uma deformidade do couro cabeludo devido à cicatrização e cura das áreas afetadas pelo ato de puxar cabelo. Isto pode causar:
- Formação de cicatrizes permanentes
- Dificuldade de crescimento capilar na região afetada
- Desequilíbrio estético significativo
Diagnóstico e CID Tricotilomania
O diagnóstico da tricotilomania é clínico, realizado por profissionais de saúde mental ou dermatologistas. Não há exame laboratorial específico para confirmá-la, sendo baseada na história clínica e na observação dos sintomas.
Critérios Diagnósticos
Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), os critérios incluem:
- Puxar fios de cabelo de forma recorrente, levando à perda de cabelo
- Tentativas de resistir ao comportamento ou controlá-lo
- Sintomas causam sofrimento ou prejuízo funcional
- O comportamento não é causado por outro transtorno ou condição física
Já o código CID F63.3 na CID-10 é utilizado para fins de classificação e codificação em contextos clínicos e administrativos.
Tratamentos para a Tricotilomania
O tratamento da tricotilomania é multifacetado, incluindo abordagens psicológicas, farmacológicas e outras estratégias complementares.
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
A TCC é considerada a principal abordagem terapêutica, especialmente a técnica conhecida como Habit Reversal Training (Treinamento de Reversão de Hábito). Essa técnica ajuda o paciente a identificar gatilhos e desenvolver outros comportamentos para substituir o ato de puxar cabelo.
Medicações
Embora não haja medicação específica para tricotilomania, alguns medicamentos podem ajudar a reduzir os sintomas, como:
- Inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS)
- Antidepressivos tricíclicos
- Neurolepticos em casos mais graves
Outras abordagens
- Técnicas de mindfulness e relaxamento: ajudam a controlar a ansiedade e o estresse
- Terapias de grupo: proporcionam suporte emocional e compartilhamento de experiências
- Acessórios e estratégias de distração: uso de luvas, bandanas ou outros objetos para evitar puxar cabelo
Prevenção de contraturas e cicatrizes
Para evitar a formação de contraturas capilares e cicatrizes permanentes, recomenda-se iniciar o tratamento precoce, além de acompanhamento dermatológico para cicatrizes e danos estruturais.
Tabela: Diferenças entre Tricotilomania e Outros Transtornos de Puxar Cabelo
| Critério | Tricotilomania (F63.3) | Transtorno de Puxar o Cabelo (Outro) | Transtorno de Escoriação da Pele |
|---|---|---|---|
| Característica principal | Puxar cabelo involuntariamente | Puxar cabelo de forma voluntária | Escarificar ou cutucar a pele |
| Gatilho | Estresse, ansiedade, compulsão | Impulso ou hábito repetitivo | Estresse, ansiedade, autoagressão |
| Prevalência | Comum em adolescentes e adultos jovens | Mais comum em adolescentes | Pode envolver outras áreas do corpo |
| CID/ Diagnóstico | F63.3 (CID-10) | Variável | Variável |
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. A tricotilomania é uma doença hereditária?
Sim, há evidências de uma predisposição genética, embora fatores ambientais também desempenhem papel importante.
2. Quanto tempo leva para tratar a tricotilomania?
O tempo varia de acordo com a gravidade, adesão ao tratamento e acompanhamento. Alguns podem perceber melhorias em meses, enquanto outros podem levar anos.
3. A tricotilomania pode causar problemas de saúde graves?
Sim, além da perda de cabelo, ela pode levar a infecções, cicatrizes e contraturas capilares permanentes, além de impacto emocional significativo.
4. É possível curar a tricotilomania?
Embora não exista uma cura definitiva, o tratamento adequado pode controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Conclusão
A tricotilomania, codificada como CID F63.3, é uma condição complexa que envolve aspectos comportamentais, emocionais e físicos. Reconhecer os sinais precocemente e buscar um tratamento adequado podem prevenir complicações sérias, como contraturas capilares e cicatrizes permanentes. A abordagem multidisciplinar, incluindo terapia e, quando necessário, medicação, é fundamental para o sucesso do tratamento. Se você ou alguém que conhece apresenta sintomas de puxar compulsivamente os fios de cabelo, procure ajuda especializada e tire suas dúvidas com profissionais qualificados.
Referências
- American Psychiatric Association. DSM-5. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5ª edição, 2013.
- Organização Mundial da Saúde. CID-10. Classificação Internacional de Doenças.
- American Psychiatric Association. Transtorno de Puxar o Cabelo (Tricotilomania). Disponível em: https://www.psychiatry.org/patients-families/hoarding-disorder/what-is-hoarding
- Instituto de Psicologia da USP. Tricotilomania: causas, sintomas e tratamentos.
- Sociedade Brasileira de Dermatologia. Cuidados com cicatrizes de couro cabeludo.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica ou de saúde mental especializada.
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