CID Taquicardia Fetal: Entenda os Riscos e Diagnóstico
A saúde fetal é um dos principais focos da obstetrícia, e a detecção de alterações no ritmo cardíaco do bebê é fundamental para garantir o bem-estar tanto da gestante quanto do feto. Entre as condições que podem afetar o coração fetal, a taquicardia fetal é uma das mais preocupantes, pois indica uma frequência cardíaca acelerada que pode estar relacionada a diversos riscos durante a gestação. Neste artigo, abordaremos o que é a taquicardia fetal, seus fatores de risco, diagnóstico, classificação, além do código CID relacionado e as melhores formas de acompanhamento e tratamento.
O que é Taquicardia Fetal?
Definição
A taquicardia fetal é uma condição na qual o ritmo cardíaco do feto ultrapassa os limites considerados normais. Geralmente, um ritmo cardíaco fetal comum varia entre 110 e 160 batimentos por minuto (bpm). Quando essa frequência ultrapassa 160 bpm de forma sustentada, configura-se a taquicardia fetal.

Causas comuns
As causas podem variar, incluindo:
- Infecções maternas (como toxoplasmose, citomegalovírus)
- Arritmias cardíacas congênitas
- Anomalias estruturais cardíacas fetais
- Anemia fetal
- Estresse ou hipóxia
- Uso de certos medicamentos pela gestante
- Hipóxia ou outros distúrbios metabólicos
Sintomas e sinais
Geralmente, a gestante não demonstra sintomas específicos relacionados à taquicardia fetal, por isso o monitoramento regular é essencial para a detecção precoce.
Diagnóstico e Monitoramento
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é realizado através de exames de acompanhamento fetal, sendo o mais comum o doppler fetal e o cardiotocografia (CTG).
Cardiotocografia (CTG)
A CTG é um exame que avalia o ritmo cardíaco fetal e as contrações uterinas, ajudando na identificação de taquicardia e outras alterações no ritmo.
Doppler fetal
Esse exame fornece informações detalhadas sobre o fluxo sanguíneo e frequência cardíaca fetal, possibilitando avaliação mais precisa e acompanhamento do quadro clínico.
Tabela de Diagnóstico de Taquicardia Fetal
| Exame | Informação Fornecida | Frequência Recomendada |
|---|---|---|
| Cardiotocografia (CTG) | Monitoramento do ritmo cardíaco e contrações | Semanal ou conforme orientação médica |
| Doppler Fetal | Fluxo sanguíneo e frequência cardíaca | A cada 2-4 semanas, dependendo do caso |
| Eletrocardiograma fetal | Avaliação detalhada da atividade elétrica do coração fetal | Quando necessário |
Classificação da Taquicardia Fetal
Tipos de taquicardia fetal
A taquicardia fetal pode ser classificada em dois principais tipos:
- Taquicardia Supraventricular (TSV): é o tipo mais comum e originada acima dos ventrículos, muitas vezes relacionada a arritmias benignas, mas que requer acompanhamento.
- Taquicardia Ventricular: mais rara, constitui uma condição mais grave, podendo levar a comprometimento hemodinâmico.
CID da Taquicardia Fetal
A Classificação Internacional de Doenças (CID) inclui códigos específicos para condições relacionadas ao ritmo cardíaco fetal, sendo o código mais utilizado:
| Código CID | Descrição |
|---|---|
| O99.810 | Complicações relacionadas à taquicardia fetal |
De acordo com a CID-10, o código O99.810 refere-se a "Complicações relacionadas à taquicardia fetal", sendo utilizado para codificação clínica e estatística.
Riscos associados à Taquicardia Fetal
A taquicardia fetal, se não for tratada adequadamente, pode resultar em diversos complicações, incluindo:
- Hipoxemia fetal
- Insuficiência cardíaca
- Hipoatividade fetal
- Parto prematuro
- Mortalidade intrauterina
Segundo estudos publicados pelo Ministério da Saúde, "a detecção precoce e o manejo adequado da taquicardia fetal são fundamentais para prevenir desfechos adversos."
Quais os riscos de forma detalhada?
| Risco | Descrição | Consequência potencial |
|---|---|---|
| Hipoxemia | Diminuição da oxigenação do sangue fetal | Lesões cerebrais, dano neurológico |
| Insuficiência cardíaca | Sobrecarrega o coração fetal, levando a insuficiência | Comprometimento da circulação sanguínea |
| Parto prematuro | Estresse fetal extremo aumenta risco de parto antes do tempo | Problemas de desenvolvimento do recém-nascido |
| Mortalidade intrauterina | Risco de óbito fetal em casos graves | Falha do monitoramento ou intervenção tardia |
Tratamento e Acompanhamento
O manejo da taquicardia fetal depende do tipo e da gravidade do quadro, além da condição geral da gestante e do feto.
Condutas adotadas
- Monitoramento contínuo via CTG
- Administração de medicamentos (como digoxina ou amiodarona em casos selecionados)
- Correção de fatores associados (como infecções ou distúrbios metabólicos)
- Parto precoce, se necessário, através de cesárea ou forceps
Importância do acompanhamento pré-natal
Realizar exames periódicos e seguir as recomendações médicas são essenciais para detectar alterações com antecedência, minimizando riscos. Além disso, recomenda-se que gestantes com fatores de risco associados tenham acompanhamento mais frequente.
Perguntas Frequentes
1. A taquicardia fetal é sempre uma emergência?
Nem sempre. Em alguns casos leves e transitórios, o quadro pode se resolver espontaneamente. Contudo, a taquicardia persistente requer atenção médica imediata para evitar complicações.
2. Como prevenir a taquicardia fetal?
A prevenção envolve acompanhamento pré-natal adequado, controle de infecções maternas, evitar uso de medicamentos teratogênicos sem orientação médica, e manter uma gestação saudável.
3. É possível tratar a taquicardia fetal durante o parto?
Sim. Em alguns casos, medicamentos podem ser administrados para controlar o ritmo cardíaco fetal durante o trabalho de parto.
4. Quando a cirurgia é indicada?
A cirurgia ou procedimentos invasivos são considerados em casos de arritmias graves ou quando o tratamento clínico não traz resultados satisfatórios.
Conclusão
A taquicardia fetal é uma condição que exige atenção especial durante a gestação devido ao risco de complicações graves para o feto. O diagnóstico precoce por meio de exames como a cardiotocografia e o doppler fetal é fundamental para o manejo adequado. Com acompanhamento contínuo e intervenções médicas quando necessárias, é possível minimizar os riscos e garantir o bem-estar do bebê e da mãe. A conscientização das gestantes acerca da importância do acompanhamento pré-natal e do monitoramento do ritmo cardíaco fetal é essencial para promover uma gestação segura e saudável.
Referências
- Ministério da Saúde. Diretrizes de Monitoramento Fetal. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Cuidados na gestação e parto. Geneva: OMS, 2018.
- Sociedade Brasileira de Cardiologia. Ar Ritmias Fetais. Disponível em: https://publicacoes.cardiol.org.br
- Organização Mundial da Saúde. CID-10: Classificação Internacional de Doenças. Geneva: OMS, 2019.
- Silva, M. A. et al. "Síntese sobre taquicardia fetal e manejo clínico." Revista Brasileira de Obstetrícia e Ginecologia, vol. 65, no. 3, 2023.
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