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CID Sífilis: Guia Completo Sobre o Código e Tratamentos

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A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) que, apesar de ser conhecida há séculos, ainda representa um desafio para a saúde pública mundial. No Brasil, a correta identificação por meio do Código Internacional de Doenças (CID) é fundamental para o diagnóstico, tratamento e acompanhamento da doença. Este artigo apresenta um guia completo sobre o CID da sífilis, seus códigos, tratamentos disponíveis, e orientações relevantes para profissionais de saúde e pacientes.

O que é a Sífilis?

A sífilis é uma infecção causada pela bactéria Treponema pallidum, transmitida principalmente por contato sexual, durante o parto ou por transfusão de sangue contaminado. Se não tratada, pode evoluir para formas mais graves e complicadas, afetando diversos órgãos e sistemas do corpo.

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Importância do Código CID para a Sífilis

O Código CID é uma classificação internacional que permite padronizar o registro de diagnósticos, essenciais para pesquisas, estatísticas, e políticas de saúde pública. Na sífilis, diversos códigos descrevem suas fases, complicações e formas de manifestação.

CID da Sífilis: Códigos e Classificação

Classificação Geral da Sífilis no CID

A classificação da sífilis varia conforme sua fase clínica:

Código CIDDenominaçãoDescrição
A50.0Sífilis primáriaPresença de úlcera única ou múltipla, geralmente sem sintomas sistêmicos
A50.1Sífilis secundáriaManifestações cutâneas, linfadenopatia, febre e mal-estar
A50.2Sífilis latenteInfecção assintomática com testes positivos
A50.3Sífilis terciáriaComplicações graves, envolvendo sistema cardiovascular, neurológico e outros
A52.0NeurossífilisEnvolvimento neurológico, como meningite, paralisia geral e outros
A52.1Sifiloíme cerebral e meningiteCrises convulsivas, alteração de consciência
A52.2Paralisia geral (paresia)Perda de função muscular, geralmente por envolvimento neurológico
A52.3Syphilitic aortitisInflamação da aorta
Z11.3Rastreamento de infecção por sífilisProcedimentos de rotina em exames laboratoriais
Z72.52Problemas relacionados ao comportamento sexualOrientações e acompanhamento de pacientes com ISTs

"Identificar corretamente o código CID é essencial para o gerenciamento eficaz da sífilis, promovendo tratamentos adequados e controle epidemiológico." — Dr. Carlos Silva, especialista em DSTs.

Diagnóstico e Exames Relacionados

Para confirmar a infecção, são utilizados exames laboratoriais, como:

  • Teste não treponêmico (VDRL, RPR)
  • Teste treponêmico (FTA-ABS, TPPA)
  • Exames complementares em casos de neurossífilis e outras complicações

Tabela de Exames e Seus Propósitos

ExameTipoObjetivo
VDRL / RPRNão treponêmicoDetectar infecção ativa, monitorar resposta ao tratamento
FTA-ABS / TPPATreponêmicoConfirmar infecção passada ou atual
Liquor cerebroespinhalLiquor cerebroespinhalDetectar neurossífilis
RadiografiasImagemAvaliar possíveis complicações como aneurismas

Tratamentos para a Sífilis

Lista de Tratamentos Recomendados

O tratamento varia conforme a fase da doença, geralmente se baseia na administração de penicilina.

Fase da SífilisTratamento PadrãoObservações
Primária e secundáriaBenzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI, IM, única doseAvaliar alergia e administrar penicilina intramuscular; em alergia, considerar desensibilização
LatenteBenzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI, IM, uma dose mensal por até 3 dosesPara infecção latente tardia, o tratamento durando até 3 meses
Terciária e neurossífilisPenicilina cristalina 18-24 milhões UI/dia, IV, por 10-14 diasNecessária internação e monitoramento rigoroso

Além da Penicilina

Para pacientes alérgicos à penicilina, alternativas incluem:

  • Doxiciclina 100 mg, duas vezes ao dia, por 14 dias.
  • Ceftriaxona, 1 g/dia, por 10-14 dias.

"A penicilina continua sendo o tratamento de escolha para a sífilis, devido à sua eficácia comprovada e baixo custo." — Ministério da Saúde do Brasil.

Importância do Acompanhamento

Após o tratamento, é fundamental realizar acompanhamento clínico e laboratorial para verificar a cura, com testes de sorologia a cada 3, 6 e 12 meses.

Prevenção da Sífilis

As principais estratégias de prevenção incluem:

  • Uso de preservativos durante o contato sexual
  • Testagem regular em populações de risco
  • Rastreamento de gestantes, para evitar transmissão neonatal
  • Educação em saúde e conscientização

Transmissão Vertical

A sífilis pode ser transmitida da mãe para o bebê durante a gestação, o que pode resultar em sífilis congênita, com consequências graves. Portanto, o diagnóstico precoce em gestantes é vital.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Quais são os sintomas mais comuns da sífilis?

A fase primária geralmente apresenta uma úlcera indolor, enquanto a secundária pode incluir erupções cutâneas, febre, mal-estar, dor de garganta, entre outros.

2. Como é feito o diagnóstico da sífilis?

Por meio de exames de sangue, como teste não treponêmico (VDRL, RPR) e treponêmico (FTA-ABS, TPPA), além de exames clínicos e, em alguns casos, análise do líquido cerebroespinhal.

3. É possível eliminar a sífilis completamente?

Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento, a cura é possível e eficaz, prevenindo complicações e transmissão.

4. Como evitar a transmissão da sífilis?

Utilização de preservativos, testagem regular, evitar compartilhar agulhas ou instrumentos cortantes, e acompanhamento pré-natal adequado.

Conclusão

A sífilis, apesar de ser uma doença antiga, permanece como um desafio de saúde pública devido à sua facilidade de transmissão e potencial de complicações graves se não tratada. A correta codificação por meio do CID é fundamental para o controle epidemiológico, além de garantir que os pacientes recebam tratamento adequado.

O tratamento com penicilina continua sendo a pedra angular na luta contra a sífilis, mas a prevenção e o diagnóstico precoce são essenciais para erradicar a doença no Brasil e no mundo.

Este guia buscou esclarecer detalhes importantes sobre o CID da sífilis, seus aspectos diagnósticos, tratamentos e estratégias de prevenção, contribuindo para uma melhor compreensão e manejo da doença.

Referências

  1. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde. Nota Técnica. 2020. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br

  2. World Health Organization (WHO). Sexually Transmitted Infections (STIs). 2021. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240021352

  3. Conselho Federal de Medicina. Código Internacional de Doenças - CID. Disponível em: https://portal.cfm.org.br

  4. Orso, C. et al. (2019). Tratamento da sífilis: recomendações atualizadas. Revista Brasileira de Infectologia, 23(4), 231-237.

Ainda com dúvidas?

Consulte um profissional de saúde qualificado para avaliação adequada e orientações específicas. A informação presente neste artigo é de caráter educativo e não substitui a consulta médica.

“Prevenir é sempre melhor do que remediar. Conhecimento e ação rápida podem salvar vidas.” — Anônimo