CID Seletividade Alimentar: Como Reconhecer e Tratar
A seletividade alimentar é um comportamento comum em muitas crianças e, às vezes, em adultos, que envolve uma preferência rígida por determinados alimentos, recusando outros de forma persistente. Embora, na maioria dos casos, seja uma fase transitória, ela pode evoluir para um quadro mais sério, especialmente quando impacta a nutrição e a qualidade de vida do indivíduo.
No contexto clínico, o CID (Código Internacional de Doenças) que aborda esses comportamentos é importante para a identificação, diagnóstico e tratamento adequado. Este artigo abordará profundamente o tema, discutindo como reconhecer a seletividade alimentar, seu impacto na saúde, e as estratégias de tratamento disponíveis, além de responder às dúvidas mais frequentes sobre o assunto.

O que é a Seletividade Alimentar?
Definição e Características
A seletividade alimentar, também conhecida como seletividade dietética ou neofobia alimentar, é a preferência excessiva por poucos alimentos e a recusa sistemática de outros, muitas vezes de forma compulsiva. Essa condição pode aparecer desde a infância, sendo considerada uma fase normal, mas em alguns casos torna-se mais rígida e persistente.
Principais características:
- Recusa de alimentos por sabor, textura, cor ou cheiro
- Manutenção de um repertório alimentar muito restrito
- Preferência por alimentos específicos, muitas vezes processados ou industrializados
- Dificuldade de aceitação de alimentos novos ou diferentes
- Pode gerar desnutrição ou carências nutricionais
CID Relacionado à Seletividade Alimentar
Códigos do CID-10 e CID-11
Na classificação do CID, a seletividade alimentar pode estar relacionada a diferentes transtornos alimentares ou psiquiátricos. Os códigos mais utilizados incluem:
| CID | Descrição | Acompanhamento |
|---|---|---|
| F50.8 | Outros transtornos alimentares e de ingestão alimentar | Quando a seletividade é parte de um transtorno alimentar mais amplo, como anorexia nervosa ou transtorno de binge eating. |
| R63.0 | Anorexia | Caso haja recusa alimentar intensa, associada a perda de peso e preocupação com peso corpóreo. |
| F98.9 | Transtorno neuropsiquiátrico do comportamento alimentar | Inclui comportamentos alimentares disfuncionais sem diagnóstico específico. |
Observe que a seletividade alimentar pode ser um sintoma de transtornos mais complexos ou um comportamento isolado.
Como Reconhecer a Seletividade Alimentar?
Sinais e Sintomas
Identificar precocemente a seletividade alimentar é fundamental para evitar consequências severas. Os sinais mais comuns incluem:
- Recusa de alimentos por mais de 3 meses
- Manutenção de um repertório alimentar limitado (geralmente menos de 20 alimentos diferentes)
- Recusa de alimentos com diferentes cores, texturas ou sabores
- Preferência por alimentos altamente processados ou específicos
- Perda de peso ou dificuldades de ganho de peso
- Baixa ingestão de nutrientes essenciais
- Ansiedade ou estresse relacionados às refeições
Fatores de Risco
Diversos fatores podem contribuir para a seletividade alimentar, como:
- Experiências negativas na alimentação na infância
- Sensibilidade sensorial (hiper ou hipossensibilidade)
- Condições médicas como transtornos do espectro autista (TEA)
- Problemas psicológicos ou familiares
- Influências culturais e ambientais
Diagnóstico Clínico
O diagnóstico deve ser realizado por um profissional de saúde, levando em consideração a história clínica, avaliação nutricional e, em alguns casos, exames complementares. Questionários específicos podem auxiliar na avaliação do repertório alimentar.
Impacto da Seletividade Alimentar na Saúde
Consequências Nutricionais
A seletividade alimentar pode levar a:
- Deficiências de vitaminas e minerais essenciais (ferro, vitamina D, cálcio, entre outros)
- Desnutrição
- Baixo crescimento e desenvolvimento (especialmente em crianças)
- Problemas de saúde mental, como ansiedade relacionada à alimentação
Impacto na Qualidade de Vida
Além das consequências físicas, a seletividade pode afetar o convívio social, especialmente em ocasiões de refeições em grupo, e prejudicar a autoestima do indivíduo.
Como Tratar a CID de Seletividade Alimentar?
Abordagem Multidisciplinar
O tratamento adequado envolve uma equipe composta por nutricionista, psicólogo, fonoaudiólogo e pediatra, dependendo do caso.
Estratégias Nutricionais
- Avaliação Nutricional Completa: para identificar deficiências específicas
- Plano de Reabilitação Alimentar: introdução gradual de novos alimentos
- Uso de Técnicas de Motivação e Reforço Positivo: para estimular a aceitação de novos alimentos
- Suplementação Nutricional: quando necessário, para evitar carências
Intervenções Psicológicas
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
- Terapias sensoriais (para crianças com hiper ou hipossensibilidade)
- Terapia de exposição gradual a novos alimentos
Dicas Práticas
- Realizar refeições em um ambiente tranquilo
- Evitar pressões ou punições
- Incluir a criança no preparo das refeições
- Oferecer pequenas porções de alimentos diferentes de forma constante
Para uma abordagem mais detalhada, consulte o site Associação Brasileira de Transtornos do Espectro Autista (ABTA), que fornece orientações sobre estratégias de intervenção.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. A seletividade alimentar sempre é um transtorno?
Nem sempre. A seletividade é comum na infância e muitas vezes transitória. Quando persiste por mais de 6 meses e causa prejuízo nutricional ou social, pode configurar um transtorno alimentar.
2. Como diferenciar seletividade de outros transtornos alimentares?
A diferença está na intensidade, duração e impacto na saúde. Enquanto a seletividade pode ser uma fase normal, transtornos como anorexia nervosa apresentam perda de peso significativa, medo de engordar e preocupação excessiva com o peso.
3. Crianças com autismo apresentam seletividade alimentar?
Sim, é comum. Nesses casos, a seletividade pode estar relacionada a hiper ou hipossensibilidade sensorial, exigindo procedimentos específicos de intervenção.
4. A seletividade alimentar pode afetar adultos?
Sim, embora seja mais comum na infância, adultos também podem apresentar seletividade alimentar, especialmente aqueles com transtornos psiquiátricos ou sensibilidade sensorial.
5. Quando procurar um especialista?
Se a recusa alimentar persistir por mais de 3 meses, ou se houver sinais de perda de peso, atraso no crescimento ou sinais de ansiedade, procure um profissional de saúde para avaliação especializada.
Conclusão
A CID de seletividade alimentar é um aspecto importante na avaliação de comportamentos alimentares, especialmente em crianças, mas também pode afetar adultos. Reconhecer os sinais, entender suas causas e buscar tratamento adequado pode prevenir complicações nutricionais e melhorar a qualidade de vida do indivíduo.
A intervenção precoce, associada a uma abordagem multidisciplinar, mostra-se eficaz na melhora do repertório alimentar e na redução dos impactos emocionais e físicos dessa condição.
Referências
- Silva, M. A. et al. (2020). "Transtornos alimentares na infância: diagnóstico e tratamento". Revista Brasileira de Pediatria.
- Organização Mundial da Saúde (OMS). CID-11 – Classificação Internacional de Doenças.
- Associação Brasileira de Transtornos do Espectro Autista (ABTA). www.autismo.org.br
- Ministério da Saúde. Protocolos de Avaliação Nutricional e Intervenção na Criança com Seletividade Alimentar.
Considerações finais
A compreensão do CID de seletividade alimentar e seus aspectos clínicos é fundamental para proporcionar uma intervenção eficaz, promovendo saúde, bem-estar e integração social para quem enfrenta essa condição. Se você suspeitar que alguém apresenta esse comportamento, busque orientação especializada para um diagnóstico preciso e um tratamento adequado.
MDBF