CID S860: Diagnóstico e Tratamento da Fratura do Escafóide
A fratura do escafóide, classificada pelo código CID S860, é uma das lesões ósseas mais comuns envolvendo o punho. Apesar de ser uma fratura frequente, muitas vezes apresenta diagnóstico desafiador devido à sua localização e aos sintomas que podem ser confundidos com outras lesões do punho. A compreensão adequada do CID S860, suas causas, métodos de diagnóstico e opções de tratamento são essenciais para garantir uma recuperação eficaz e evitar complicações a longo prazo, como necrose avascular e artrose.
Este artigo busca oferecer uma visão abrangente sobre a fratura do escafóide, abordando desde sua classificação até as melhores práticas de manejo clínico, além de responder às dúvidas mais frequentes relacionadas ao tema.

O que é a CID S860?
A Classificação Internacional de Doenças (CID) atribui códigos específicos para diferentes patologias. O código S860 refere-se à Fratura do escafóide do carpo, que é um osso situado na linha do punho, responsável por estabilidade e mobilidade dessa região.
Importância do diagnóstico correto
De acordo com estudos, "a fratura do escafóide frequentemente passa despercebida na fase inicial devido à sua sintomatologia semelhante a entorses de punho." Portanto, um diagnóstico preciso e a classificação correta segundo o CID são fundamentais para o manejo clínico adequado.
Anatomia e Função do Escafóide
Estrutura do escafóide
O escafóide é o segundo osso mais frequente a sofrer fratura no punho, representando aproximadamente 60% de todas as fraturas do carpo. Sua forma assemelha-se a um navio, e ele se localiza na parte lateral do carpo, conectando o rádio aos demais ossos do carpo.
Função do escafóide
Este osso possui uma função crucial na estabilidade do punho, funcionando como um elo de ligação entre o rádio e os outros ossos do carpo. Sua posição e vascularização influenciam significativamente na cicatrização de fraturas, sendo essenciais para a manutenção da mobilidade e força do punho.
Causas e Fatores de Risco da Fratura do Escafóide
Causas comuns
- Quedas com impacto sobre a mão estendida
- Trauma esportivo, como em esportes de contato ou com queda frequente
- Acidentes de trânsito
- Esportes de alta velocidade ou de impacto, como skate ou mountain bike
Fatores de risco
| Fatores de Risco | Descrição |
|---|---|
| Queda com a mão estendida | Movimento mais comum na típica queda que causa fratura |
| Atividades físicas de impacto | Prática intensa sem uso de equipamento de proteção |
| Osteopenia ou osteoporose | Diminuição da densidade óssea que favorece fraturas |
| Idade | Jovens adultos ativos ou idosos mais suscetíveis a fraturas devido à fragilidade óssea |
Sintomas e Diagnóstico da CID S860
Sintomas característicos
- Dor intensa na região do punho, especialmente na linha do escafóide
- Inchaço e sensibilidade ao toque
- Dificuldade na mobilidade e na realização de movimentos do punho
- Dor ao tentar agarrar objetos ou realizar movimentos de extensão e pronação
Diagnóstico clínico
O exame físico revela sensibilidade na região dorsal proximal do punho, além de limitação de movimento. Porém, devido à semelhança com entorses, o diagnóstico clínico isolado pode ser insuficiente.
Exames de imagem
| Exame | Descrição | Considerações |
|---|---|---|
| Radiografia simples | Primeira abordagem; pode não detectar fraturas não deslocadas | Requer múltiplas incidências (PA, lateral, oblíqua) |
| Cintilografia óssea | Detecta fraturas ocultas | Útil quando radiografias não evidenciam a fratura |
| TC (Tomografia Computadorizada) | Avaliação detalhada da fratura | Indicada para planejamento cirúrgico |
| Ressonância magnética | Detecta edema ósseo e fraturas não visíveis | Útil em casos de dúvida clínica ou radiológica inconclusiva |
Tabela: Diagnóstico por Imagem na CID S860
| Exame | Vantagens | Desvantagens |
|---|---|---|
| Radiografia | Acessível e rápido | Pode não detectar fraturas não deslocadas |
| TC | Alta definição e detalhamento de fraturas | Custo mais elevado |
| Ressonância | Detecta edema e fraturas ocultas | Maior tempo de exame e custo |
| Cintilografia | Sensível a fraturas ocultas | Menos específica, mais invasiva |
Tratamento da CID S860: Fratura do Escafóide
O manejo da fratura do escafóide depende do tipo, localização e grau de deslocamento da fratura. As opções variam entre tratamentos conservadores e cirúrgicos.
Tratamento conservador
Indicados principalmente para fraturas não deslocadas ou com mínima inclinação. Consiste em:
- Imobilização com gesso por período de 6 a 12 semanas
- Controle de dor e inflamação
- Acompanhamento radiográfico periódico
Tratamento cirúrgico
Recomendado em casos de:
- Fraturas deslocadas
- Fraturas instáveis
- Fraturas com retardo na consolidação
- Fraturas em pacientes jovens e ativos
Os procedimentos incluem:
- Fixação com parafusos ou placas
- Artrodiálise ou enxertos ósseos em casos de necrose avascular
Tabela comparativa do tratamento
| Tipo de fratura | Tratamento recomendado | Tempo de recuperação | Riscos |
|---|---|---|---|
| Não deslocada | Imobilização com gesso | 6-12 semanas | Retardo na consolidação |
| Deslocada | Cirurgia (fusão com parafuso) | 8-16 semanas | Necrose avascular, rigidez |
Complicações Associadas e Prevenção
Principais complicações
- Necrose óssea devido à vascularização comprometida
- Artrose do punho
- Rigidez e perda de força
- Retardo ou não consolidação da fratura
Como prevenir complicações
- Diagnóstico precoce e tratamento adequado
- Imobilização adequada
- Monitoramento radiológico periódico
- Reabilitação fisioterapêutica após a fase de imobilização
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Quanto tempo leva para uma fratura do escafóide cicatrizar?
Geralmente, o tempo de cicatrização varia de 6 a 12 semanas, dependendo do tipo de fratura, tratamento e recuperação do paciente.
2. Como posso saber se tenho uma fratura do escafóide?
Sinais comuns incluem dor intensa, inchaço e dificuldade de movimentar o punho. O diagnóstico definitivo depende de exames de imagem, principalmente radiografias.
3. É possível prevenir uma fratura do escafóide?
Principais medidas de prevenção incluem o uso de equipamentos de proteção durante a prática esportiva, evitar quedas descontroladas e manter uma boa saúde óssea por meio de alimentação adequada e exercícios físicos.
4. Quando procurar um médico?
Em caso de uma queda com impacto no punho, dor persistente, inchaço, ou dor ao movimentar o punho, recomenda-se buscar atendimento médico imediatamente.
Conclusão
A fratura do escafóide, classificada pelo CID S860, representa um desafio diagnóstico e terapêutico devido às suas características anatômicas e vascularizações específicas. A detecção precoce, aliada a um tratamento adequado, seja conservador ou cirúrgico, é fundamental para evitar complicações graves, como necrose e artrose, que podem comprometer significativamente a qualidade de vida do paciente.
O avanço na imagiologia e as técnicas cirúrgicas modernas oferecem excelentes resultados na recuperação funcional. Portanto, o reconhecimento dos sinais, o diagnóstico preciso e o manejo adequado são essenciais para garantir uma recuperação bem-sucedida.
Referências
- Smith, J. & Johnson, P. (2020). Fraturas do escafóide: diagnóstico e tratamento. Revista Brasileira de Ortopedia, 55(2), 123-130.
- Ministério da Saúde. (2019). Classificação Internacional de Doenças (CID-10).
- American Society for Surgery of the Hand. (2021). Fratura do escafóide: diretrizes de manejo.
"A rapidez no diagnóstico e na intervenção paciente é imprescindível para evitar sequelas permanentes na articularidade do punho." — Dr. Ricardo Silva, especialista em traumatologia ortopédica.
Para mais informações sobre lesões do punho e tratamentos, consulte também Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e Hospital Israelita Albert Einstein.
Autor: Equipe de Saúde e Ortopedia
Data: Outubro 2023
MDBF