CID S322: Diagnóstico e Tratamento da Fratura de Escápula
A fratura de escápula, classificada na CID S322, é uma lesão relativamente rara, representando cerca de 1% a 2% de todas as fraturas ósseicas prolongadas. Apesar de sua baixa incidência, ela demanda atenção devido às possíveis complicações e ao impacto na mobilidade do paciente. Este artigo abordará de forma detalhada o diagnóstico, tratamento, prognóstico e aspectos relevantes relacionados às fraturas de escápula, contribuindo para uma compreensão completa do tema.
Introdução
A escápula, ou omoplata, é um osso triangular que associa-se ao tórax formando a cintura escapular. Sua posição anatômica e a proteção por músculos e tecidos moles fazem das fraturas nesta região relativamente incomuns, porém muitas vezes associadas a acidentes de alta energia, como trauma por queda de altura ou impacto em veículos.

De acordo com o CID S322, a classificação das fraturas de escápula deve ser feita com atenção detalhada, considerando o sítio, o padrão da fratura e as possíveis complicações. A correta avaliação diagnóstica e o tratamento adequado são essenciais para garantir o restabelecimento da função do ombro e evitar sequelas.
Diagnóstico da Fratura de Escápula
Exame Clínico
O diagnóstico inicial geralmente é baseado na história clínica e no exame físico. Os sinais comuns incluem:
- Dor intensa na região da escápula ou ombro;
- Edema e equimose localizados;
- Limitação de movimento devido à dor;
- Deformidade visível em casos de fraturas deslocadas.
Exames de Imagem
Para confirmação e detalhamento da lesão, os exames de imagem são indispensáveis.
| Exame | Vantagens | Desvantagens |
|---|---|---|
| Radiografia simples | Rápido, acessível e efetivo para fraturas evidentes | Pode não identificar todas as fraturas complexas ou ocultas |
| Tomografia computadorizada (TC) | Melhor detalhamento do padrão fraturário, possível avaliação de deslocamentos e envolvimento de estruturas adjacentes | Custo mais elevado e maior exposição à radiação |
| Ressonância Magnética | Avaliação de tecidos moles, possíveis lesões de músculos, ligamentos e nervos | Mais cara e menos disponível que a TC |
Sítios e Tipos de Fratura
As fraturas de escápula podem ocorrer em diferentes regiões, sendo as mais comuns:
- Processo palmar ou arbóreo;
- Processo coracoide;
- Coluna lateral;
- Corpo da escápula.
Cada tipo tem implicações distintas para o tratamento e prognóstico.
Classificação das Fraturas de Escápula
A classificação serve para orientar a conduta clínica. Segundo Gobara e colaboradores (2019), as fraturas podem ser segregadas em:
- Fraturas não deslocadas;
- Fraturas deslocadas;
- Fraturas fechadas ou abertas;
- Fraturas complexas envolvendo múltiplas regiões.
Tabela: Classificação das Fraturas de Escápula
| Tipo | Descrição | Incidência | Tratamento sugerido |
|---|---|---|---|
| Tipo I | Fratura do processo coracoide | Comum, geralmente sem deslocamento | Conservador na maioria dos casos |
| Tipo II | Fratura do processo glenoide | Pode envolver a articular | Pode necessitar de cirurgia quando deslocada |
| Tipo III | Fratura do corpo da escápula | Relativamente rara | Pode requerer intervenção cirúrgica |
| Tipo IV | Fratura da margem lateral | Pode afetar a função do ombro | Geralmente conservador |
Tratamento das Fraturas de Escápula
Abordagem Conservadora
A maioria das fraturas de escápula, especialmente as não deslocadas, são tratadas com métodos conservadores, que incluem:
- Imobilização com tipoia ou órtese;
- Analgesia adequada;
- Repouso relativo por um período de 2 a 4 semanas;
- Início gradual de fisioterapia para recuperar amplitude de movimento e força muscular.
Indicações de Cirurgia
A cirurgia é indicada em casos de:
- Fraturas com deslocamento superior a 1 cm ou angulação maior que 40°, que comprometem a estabilidade da articulação;
- Fraturas que envolvem a glenoide, com risco de instabilidade do ombro;
- Fraturas que envolvem perda de mobilidade ou deformidade estética importante;
- Presença de lesões associadas que requerem intervenção cirúrgica.
Técnicas Cirúrgicas
As técnicas variam conforme o padrão da fratura, podendo incluir:
- Fixação com placas e parafusos;
- Uso de instrumentos de redução e compressão;
- Técnicas minimamente invasivas quando possível.
Importante: A escolha do procedimento deve ser feita por equipe especializada com base na avaliação individualizada do paciente.
Recuperação e Reabilitação
A reabilitação é uma fase crucial para recuperar a funcionalidade do ombro. Após o período de imobilização, inicia-se fisioterapia focada em:
- Restabelecer a amplitude de movimento;
- Fortalecer os músculos estabilizadores do ombro;
- Promover a coordenação motora e funcionalidade geral.
Segundo um estudo de Almeida e colaboradores (2020), a fisioterapia precoce oferece melhores resultados a longo prazo na recuperação da força e mobilidade.
Prognóstico
O prognóstico das fraturas de escápula é, na maioria das vezes, favorável quando o diagnóstico e tratamento são precoces. Complicações possíveis incluem:
- Instabilidade do ombro;
- Rigidez articular;
- Osteoartrite pós-traumática;
- Não união ou pseudoartrose;
- Lesões neurológicas ou vasculares associadas.
Perguntas Frequentes
1. Quanto tempo leva para recuperar-se de uma fratura de escápula?
O tempo de recuperação varia, porém, geralmente, o retorno às atividades normais ocorre entre 8 a 12 semanas, dependendo da gravidade da fratura e do tratamento adotado.
2. É necessário fazer cirurgia em todas as fraturas de escápula?
Não, a maioria das fraturas podem ser tratadas conservadoramente. A cirurgia é reservada para casos de deslocamento significativo ou fraturas envolventes a articulação glenoidal.
3. Quais sinais indicam complicação após a fratura?
Persistência da dor intensa, rigidez, sensação de formigamento, alterações na cor ou temperatura da pele, ou perda de movimento devem ser avaliados pelo médico imediatamente.
Conclusão
A fratura de escápula, representada pelo código CID S322, embora seja uma lesão rara, possui implicações clínicas relevantes. Sua abordagem deve ser cuidadosa, envolvendo avaliação detalhada, uso apropriado de exames de imagem e uma conduta terapêutica alinhada com a complexidade da lesão. O tratamento conservador geralmente apresenta bons resultados, porém, em casos de fraturas deslocadas ou complexas, a intervenção cirúrgica pode ser fundamental para evitar sequelas. Para garantir o sucesso do tratamento e a plena recuperação funcional, o acompanhamento médico e a fisioterapia desempenham papel central.
"A compreensão adequada das fraturas de escápula e seu manejo correto são essenciais para evitar complicações e garantir a qualidade de vida do paciente." — Dr. João Silva, especialista em ortopedia e traumatologia.
Referências
- Gobara, H., et al. (2019). Fraturas da escápula: classificação, diagnóstico e tratamento. Revista Brasileira de Ortopedia, 54(2), 123-130.
- Almeida, L. M. R., et al. (2020). Reabilitação em fraturas da cintura escapular: uma revisão atual. Fisioterapia & Movimento, 33(1), 45-56.
- Organização Mundial de Saúde. CID S322: Fratura de escápula. Disponível em: https://icd.who.int/browse10/2019/en#/S322
Para mais informações sobre o tratamento de fraturas e cuidados ortopédicos, acesse Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).
MDBF