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Refluxo Gastroesofágico: Sintomas, Causas e Tratamentos Eficazes

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O refluxo gastroesofágico é uma condição comum que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Embora muitas vezes seja confundido com problemas ocasionais de azia, o refluxo gastroesofágico pode evoluir para complicações mais sérias se não tratado adequadamente. Neste artigo, exploraremos em detalhes os sintomas, causas, diagnósticos e tratamentos eficientes, além de responder às perguntas frequentes dos pacientes.

Introdução

O refluxo gastroesofágico ocorre quando o ácido do estômago volta para o esôfago, causando desconforto e, em alguns casos, danos à mucosa esofágica. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 20% da população mundial sofre de refluxo gastroesofágico regular. Apesar de sua prevalência, muitos pacientes desconhecem suas causas e tratamentos, o que leva ao agravamento dos sintomas.

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O que é o Refluxo Gastroesofágico?

O refluxo gastroesofágico, também conhecido pela sigla RGE, é uma condição caracterizada pelo retorno do conteúdo gástrico ao esôfago devido a um mau funcionamento do esfíncter esofágico inferior (EEI). Essa disfunção permite que os ácidos, enzimas digestivas e, às vezes, alimentos parcialmente digeridos retornem ao esôfago, causando irritação e inflamação.

Como funciona o aparelho digestivo?

Para entender o refluxo, é importante compreender o funcionamento básico do aparelho digestivo. Abaixo, uma tabela explicativa:

EstruturaFunção
EstômagoArmazena e digere alimentos com ácido gástrico.
EsôfagoTransmite alimentos ao estômago.
Esfíncter esofágico inferior (EEI)Válvula que impede o retorno do conteúdo estomacal.
DuodenoContinuação do intestino delgado para absorção.

Quando o EEI não funciona corretamente — por fraqueza ou relaxamento inadequado — o conteúdo ácido do estômago pode escapar para o esôfago, levando aos sintomas do refluxo.

Sintomas do Refluxo Gastroesofágico

Os sintomas podem variar de leves a severos, impactando significativamente a qualidade de vida do paciente. Conhecer os sinais é fundamental para buscar ajuda médica.

Sintomas mais comuns

  • Azia (queimação no peito ou na garganta)
  • Regurgitação de alimento ou ácido
  • Dor torácica
  • Dificuldade para engolir
  • Sensação de nó na garganta
  • Voz rouca ou tosses frequentes
  • Mau hálito
  • Náusea após as refeições

Sintomas menos frequentes

  • Sensação de ardor na boca ou garganta
  • Escarro espumoso com sabor ácido
  • Tosse crônica ou crises de asma relacionadas ao refluxo
  • Dor abdominal superior

Causas do Refluxo Gastroesofágico

As causas do refluxo podem variar de pessoa para pessoa, mas alguns fatores contribuem consideravelmente para o seu desenvolvimento.

Causas principais

  • Relaxamento do EEI: O principal fator, geralmente relacionado ao estilo de vida e fatores genéticos.
  • Hérnia de hiato: Quando parte do estômago passa pelo diafragma para o tórax, facilitando o refluxo.
  • Obesidade: Aumenta a pressão intra-abdominal, favorecendo o refluxo.
  • Gravidez: Mudanças hormonais e aumento da pressão abdominal.
  • Alimentação inadequada: Consumo excessivo de alimentos gordurosos, cafeína, chocolate, alimentos apimentados, entre outros.
  • Tabagismo e consumo de álcool: Agravam a função do EEI.

Factores de risco

Fatores de riscoEfeito
ObesidadeAumenta a pressão abdominal
TabagismoDiminui a eficácia do EEI
Alimentação desequilibradaEstimula a produção de ácido ou relaxa o EEI
GravidezMudanças hormonais e aumento da pressão intra-abdominal
Hérnia de hiatoFacilita o refluxo devido à alteração anatômica

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do refluxo gastroesofágico é feito com base na avaliação clínica e, em alguns casos, exames complementares como:

  • Endoscopia digestiva alta: Visualização da mucosa esofágica para identificar inflamações, úlceras ou hérnias de hiato.
  • pHmetria esofágica: Medição do nível de ácido que retorna ao esôfago.
  • Manometria esofágica: Avaliação da motilidade do esôfago e função do EEI.
  • Teste de bário: Radiografia com contraste para detectar hérnia de hiato.

Tratamentos Eficazes para Refluxo Gastroesofágico

O tratamento do refluxo pode ser clínico, medicamentoso ou, em casos mais graves, cirúrgico. O objetivo é aliviar os sintomas e prevenir complicações.

Tratamentos não invasivos

Mudanças de estilo de vida

  • Controle do peso: Reduzir a obesidade ajuda a diminuir a pressão intra-abdominal.
  • Elevar a cabeceira da cama: Para evitar refluxo durante o sono.
  • Alimentação adequada: Evitar alimentos que irritam o esôfago ou aumentam a produção de ácido.
  • Evitar deitar após as refeições: Recomenda-se aguardar pelo menos 2-3 horas antes de se deitar.
  • Parar de fumar e moderar o consumo de álcool.

Tratamento medicamentoso

Tipo de medicaçãoFunçãoExemplos
Inibidores da bomba de prótons (IBPs)Reduzem a produção de ácido gástricoOmeprazol, Pantoprazol, Esomeprazol
Antagonistas dos receptores H2Diminuem a produção de ácidoRanitidina, Famotidina
AntiácidosNeutralizam o ácido no estômagoHidróxido de magnésio, aluminium hydroxide

Nota: Sempre consultar um médico antes do uso de medicamentos.

Tratamento cirúrgico

Em casos de refluxo refratário, hérnia de hiato grande ou complicações como esofagite severa, a cirurgia pode ser indicada. A fundoplicatura de Nissen é o procedimento mais comum, que consiste em envolver o fundo do estômago ao redor do esôfago para reforçar o EEI.

Prevenção do Refluxo Gastroesofágico

Para evitar o desenvolvimento ou agravamento do refluxo, algumas medidas preventivas são essenciais:

  • Manter uma dieta equilibrada.
  • Controlar o peso corporal.
  • Evitar roupas muito apertadas.
  • Evitar deitar logo após as refeições.
  • Praticar atividades físicas regularmente.
  • Abandonar hábitos nocivos, como fumar e consumir álcool em excesso.

Quando procurar um médico?

Apesar de muitas pessoas conseguirem controlar os sintomas com mudanças de estilo de vida e medicamentos, sinais de agravamento como perda de peso, dificuldades para engolir, sangramento ou dor torácica intensa, devem levar à busca urgente por avaliação médica.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Refluxo gastroesofágico é uma doença crônica?

Sim, em muitos casos, o refluxo tende a ser uma condição de longo prazo, necessitando de acompanhamento constante e mudanças nos hábitos de vida.

2. Posso curar o refluxo de forma definitiva?

Alguns pacientes conseguem controlar os sintomas com tratamentos conservadores e mudanças no estilo de vida, mas a cura completa depende do caso. Em alguns casos, a cirurgia pode proporcionar resolução definitiva.

3. O refluxo pode causar complicações graves?

Sim, quando não tratado, pode levar à esofagite, úlceras, estenoses e até ao câncer de esôfago em casos avançados.

4. Quais alimentos devem ser evitados?

Alimentos gordurosos, cafeína, chocolates, alimentos picantes, alimentos condimentados, bebidas alcoólicas e cigarro.

5. O refluxo pode afetar a qualidade do sono?

Sim, pois a vertigem com refluxo noturno pode provocar dificuldades para dormir, além de piorar a azia.

Conclusão

O refluxo gastroesofágico é uma condição que, quando não bem controlada, pode impactar significativamente a qualidade de vida. É fundamental estar atento aos sintomas e buscar avaliação médica para diagnóstico e tratamento adequados. Mudanças no estilo de vida, medicamentos e na maioria dos casos, cirurgias, são estratégias eficazes para combater essa condição. Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, maiores as chances de prevenir complicações futuras.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde (OMS). Dados epidemiológicos sobre refluxo gastroesofágico. Link externo
  2. Sociedade Brasileira de Gastroenterologia. Guia de conduta para refluxo gastroesofágico. Disponível em: www.sbg.org.br

"O tratamento adequado do refluxo gastroesofágico deve ser individualizado, com ênfase na modificação dos fatores de risco e acompanhamento clínico constante." — Dr. João Silva, especialista em Gastroenterologia.

Este artigo foi elaborado para promover um entendimento completo e atualizado sobre o refluxo gastroesofágico, auxiliando pacientes e profissionais de saúde na identificação, diagnóstico e tratamento dessa condição prevalente.