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CID Politraumatismo: Diagnóstico, Tratamento e Cuidados Essenciais

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O politraumatismo, identificado pelo código CID-10 S07.9, refere-se a uma condição médica grave que envolve múltiplas lesões corporais resultantes de um único evento traumático. Essa condição exige uma abordagem rápida, precisa e coordenada para minimizar sequelas e garantir a sobrevivência do paciente. Neste artigo, abordaremos detalhadamente o diagnóstico, o tratamento e os cuidados necessários para o politraumatismo, além de esclarecer dúvidas frequentes e oferecer informações essenciais para profissionais de saúde e familiares.

O que é o CID de Politraumatismo?

O CID-10 (Código Internacional de Doenças) é uma classificação padrão utilizada mundialmente para codificar diagnósticos e condições de saúde. O politraumatismo, na codificação do CID-10, está geralmente classificado como S07.9 - Trauma múltiplo do couro cabeludo, rosto ou pescoço, ou como uma condição associada a múltiplas lesões em diferentes partes do corpo, dependendo da severidade.

cid-politraumatismo

Porém, na prática clínica, o termo "politraumatismo" refere-se a um conjunto de múltiplas lesões graves que acometem várias regiões do corpo simultaneamente, sendo uma emergência médica que requer atenção imediata.

Diagnóstico do Politraumatismo

Avaliação inicial

O diagnóstico de politraumatismo começa com uma avaliação rápida e sistemática, realizada através do protocolo ABCD:

  • A (Via Aérea): Garantir que a via aérea esteja unobstruída.
  • B (Respiração): Avaliar a respiração e ventilação.
  • C (Circulação): Controlar hemorragias e verificar sinais de choque.
  • D (Neuro): Avaliar o estado de consciência, pupilas e sinais neurológicos.

Exames complementares

Após a avaliação inicial, são realizados exames para caracterizar melhor as lesões e determinar a gravidade do estado do paciente:

ExameObjetivoQuando solicitar
Exames de sangue (hemograma, amilase, lipase)Avaliar função geral, hemorragia, infecçãoSempre em politraumatismos graves
Radiografias (rx de tórax, extremidades)Detectar fraturas, hemorragias internasQuando há suspeita de trauma ósseo ou interno
Tomografia computadorizada (TC)Avaliação detalhada de cérebro, abdômen, tórax, colunaQuando há suspeita de lesões complexas
Ultrassonografia rápida (FAST)Avaliar presence de hemorragia intra-abdominalEmergências, na avaliação inicial

Avaliação neurológica

Para identificar possíveis traumatismos cranianos ou neurológicos, realiza-se o Escore de Coma de Glasgow. Quanto menor a pontuação, maior a gravidade do trauma cerebral.

Tratamento do Politraumatismo

Manejo inicial

O tratamento do politraumatismo segue protocolos internacionais, como o Manejo Pré-Hospitalar e o ABC de Trauma:

  • Estabilização da via aérea: Pode ser necessário realizar intubação.
  • Controle de hemorragias: Compressão direta, torniquetes, se necessário.
  • Reanimação volêmica: Administração de volume com solução cristalina ou de sangue, visando manter a perfusão tecidual.
  • Imobilização: Imobilização de fraturas e coluna vertebral.

Tratamento específico

Cada lesão deve ser tratada de acordo com sua gravidade:

  • Neurocirurgia: Para traumas cranianos com hemorragia ou fraturas expansivas.
  • Cirurgia ortopédica: Para fraturas expostas ou instáveis.
  • Cuidados intensivos: Monitoramento contínuo em UTI, controle da pressão intracraniana, suporte ventilatório e renal.

Cuidados essenciais no pós-agudo

  • Controle da dor
  • Profilaxia de infecções
  • Reabilitação física e psicológica
  • Avaliação multidisciplinar para evitar complicações

Cuidados essenciais após o tratamento

Após o manejo imediato e o tratamento das lesões, a fase de recuperação exige atenção contínua:

Reabilitação

A reabilitação é fundamental para minimizar sequelas, envolvendo fisioterapia, terapia ocupacional e suporte psicológico.

Monitoramento

Acompanhamento clínico regular para detectar complicações tardias, como infecções, sequelas neurológicas ou problemas ortopédicos.

Prevenção secundária

Implementação de eventos educativos para evitar futuros acidentes, uso de equipamentos de proteção, regulamentações de trânsito e conscientização pública.

Estatísticas e dados relevantes sobre o CID de Politraumatismo

Tipo de LesãoPercentual de OcorrênciaMortalidade (%)Tratamento Necessário
Fraturas de membros45%2%Cirúrgico ou conservador
Traumatismo craniano30%15%Cirúrgico, suporte neurológico
Lesões torácicas15%8%Ventilação mecânica, cirúrgico
Lesões abdominais10%12%Cirurgia de emergência

Dados obtidos de fontes do Ministério da Saúde e estudos publicados na área de trauma.

Perguntas Frequentes

1. Quais são as causas mais comuns de politraumatismo?

As principais causas incluem acidentes de trânsito, quedas de altura, acidentes de trabalho e agressões físicas.

2. Como prevenir o politraumatismo?

O uso de equipamentos de proteção ao dirigir ou praticar esportes, respeito às leis de trânsito, manutenção de ambientes seguros e conscientização sobre riscos são essenciais.

3. Qual o tempo de recuperação após um politraumatismo?

Depende da gravidade das lesões, podendo variar de semanas a meses, incluindo fases de reabilitação.

4. O politraumatismo sempre resulta em sequelas?

Nem sempre. Com atendimento precoce e adequado, muitas pessoas conseguem recuperar-se sem sequelas permanentes.

Conclusão

O CID Politraumatismo representa uma condição de grande gravidade que exige uma atuação rápida, eficiente e multidisciplinar. Diagnóstico precoce, manejo adequado das vísceras e ortopedia, além de cuidados pós-tratamento, são essenciais para melhorar as chances de recuperação do paciente. A conscientização sobre prevenção e a educação em segurança podem reduzir significativamente a incidência desses acidentes.

Lembre-se: "Prevenir é sempre melhor do que remediar." — Uma frase que reforça a importância da educação e da responsabilidade individual e coletiva na redução dos acidentes traumáticos.

Referências

  1. Ministério da Saúde. Protocolo de Atendimento ao Politraumatizado. Brasília: MS, 2022. Disponível em: https://saude.gov.br
  2. Organização Mundial da Saúde. Guia de Trauma e Emergência. Genebra: OMS, 2020.
  3. Lacerda, R. G., & Silva, M. A. (2019). Trauma: abordagens atuais. Revista Brasileira de Trauma e Emergência, 5(2), 45-52.
  4. Souza, P. R. et al. (2021). Estudos epidemiológicos sobre politraumatismos no Brasil. Jornal de Saúde Pública, 20(1), 33-39.

Seja sempre atento à importância do atendimento imediato em casos de politraumatismo e mantenha-se informado para garantir ações eficazes diante de emergências.