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CID Pneumocistose: Entenda sobre a Infecção por Pneumocystis jirovecii

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A pneumocistose, também conhecida como pneumonia por Pneumocystis jirovecii, é uma infecção pulmonar grave que afeta principalmente indivíduos imunocomprometidos. Apesar de ser considerada uma doença oportunista, seu entendimento é fundamental para profissionais de saúde, pacientes imunodeprimidos e estudos epidemiológicos. Este artigo tem como objetivo esclarecer tudo sobre o CID pneumocistose, abordando aspectos clínicos, diagnóstico, tratamento, prevenção e o código CID relacionado.

O que é a Pneumocistose?

A pneumocistose é uma infecção pulmonar causada pelo fungo Pneumocystis jirovecii. Anteriormente classificado como protozoário, atualmente é reconhecido como fungo devido às suas características biológicas. Essa infecção costuma ocorrer em pessoas com sistema imunológico comprometido, como pacientes com HIV/AIDS, transplantados, portadores de câncer em tratamento quimioterápico, ou indivíduos que usam medicamentos imunossupressores.

cid-pneumocistose

Características do Pneumocystis jirovecii

  • É um fungo organismo unicelular.
  • Possui uma fase de dormência e uma fase de atividade na infecção.
  • Transmissão ocorre principalmente por via respiratória, através de pequenas gotículas respiratórias contaminadas.
  • Pode estar presente em ambientes internos, muitas vezes de forma assintomática.

Epidemiologia da Pneumocistose

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, a pneumocistose é uma das principais causas de pneumonia oportunista em pessoas vivendo com HIV/AIDS, especialmente na África Subsariana. A prevalência tem diminuído com a introdução de tratamentos antirretrovirais, mas permanece relevante em regiões com acesso limitado à saúde.

Fatores de riscoPopulações mais afetadasPrevalência global
Imunossupressão (HIV, transplantados)Pacientes com HIV/AIDS, transplantados, oncológicos0,5 - 15 casos por 100.000 pessoas por ano (dependendo do grupo)
Uso de corticosteroides ou imunossupressoresPacientes oncológicos, com doenças autoimunesVariável, depende do contexto clínico
Idade avançada ou neonatosPopulações vulneráveisMenor frequência em crianças imunocompetentes

Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS)

CID Pneumocistose: Código e Classificação

O código CID-10 para pneumocistose é B59. Este código é utilizado para fins de registro e estatísticas de saúde, além de ser importante para procedimentos de seguridade social e sistemas de informação em saúde no Brasil.

Classificação CID-10

CódigoDescrição
B59Pneumocistose

Importante: A classificação CID também ajuda profissionais de saúde na documentação adequada do diagnóstico e na pesquisa epidemiológica.

Sintomas e Manifestações Clínicas

Sintomas iniciais

  • Tosse seca persistente
  • Febre baixa
  • Dificuldade para respirar (dispneia)
  • Falta de ar, inicialmente ao esforço

Sintomas avançados

  • Dispneia progressiva
  • Sudorese noturna
  • Perda de peso
  • Toque de tosse produtiva (com escarro)

Manifestações radiológicas

A radiografia de tórax costuma mostrar infiltrados intersticiais difusos, podendo evoluir para padrões mais consolidados conforme a gravidade. A tomografia computadorizada (TC) pode revelar alterações mais específicas, como padrões em vidro fosco e quantidade de infiltrado difuso.

Diagnóstico da Pneumocistose

Métodos laboratoriais e de imagem

  • Exame de radiografia de tórax: padrão clássico de infiltrados intersticiais.
  • Tomografia computadorizada (TC): detalhes mais precisos, evidenciando opacidades em vidro fosco.
  • Exame de escarro ou lavado broncoalveolar: Detecção do Pneumocystis jirovecii via coloração ou técnicas de biologia molecular (PCR).
  • Dumont method: coloração com azul de cresil ou hematoxilina-éosina para identificar organismos.
  • Teste de antígeno no escarro ou sangue: alta sensibilidade e especificidade.
  • Hemoculturas: raramente positivas, uma vez que o fungo geralmente não é detectado via sangue.

Tabela de diagnóstico

MétodoDescriçãoSensibilidadeEspecificidade
Radiografia de tóraxInfiltrados intersticiais difusosModeradaBaixa
TC de tóraxVisualização de padrões em vidro fosco, consolidadoAltaAlta
PCR para Pneumocystis jiroveciiDetecta DNA do fungoMuito altaAlta
Teste de antígenoDetecta antígeno na urina ou sangueAltaAlta

Tratamento e Prevenção

Tratamento da Pneumocistose

  • Primária: uso de cotrimoxazol (trimetoprima + sulfametoxazol) por pelo menos 21 dias.
  • Secundária: manutenção com cotrimoxazol para prevenção de recaídas, em doses menores.
  • Suporte: oxigenoterapia, corticosteróides (em casos graves), suporte ventilatório.

Medidas de prevenção

MedidaPúblico-alvoDescrição
Profilaxia PrimáriaImunossuprimidos com riscoUso de cotrimoxazol em doses profiláticas
Profilaxia SecundáriaPacientes com histórico de pneumocistoseContinuação do uso de cotrimoxazol
Diagnóstico precocePopulações em riscoTestes regulares para detectar infecção precoce

Considerações importantes

  • A administração da profilaxia deve ser avaliada pelo médico, levando em consideração o risco individual.
  • Em regiões com alta prevalência, a profilaxia é fundamental para reduzir a incidência.

Para mais detalhes, consulte o Ministério da Saúde.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. A pneumocistose é transmissível de pessoa para pessoa?

Sim, a transmissão ocorre por via respiratória, através de gotículas contaminadas, mas a maioria das pessoas já possui o organismo no território respiratório sem desenvolver a doença, sendo necessário um estado de imunossupressão para a doença se manifestar.

2. Quem está mais propenso a desenvolver pneumocistose?

Indivíduos com sistema imunológico comprometido, especialmente as pessoas com HIV/AIDS, transplantados, ou em uso de imunossupressores.

3. Como prevenir a pneumocistose?

A prevenção primária envolve o uso de profilaxia com cotrimoxazol em populações de risco, além de diagnósticos precoces e controle do imunossupressor.

4. Qual o tratamento mais eficaz para a pneumocistose?

O cotrimoxazol é considerado o tratamento de escolha, com bom suporte clínico e monitoramento.

5. Quais os efeitos colaterais do tratamento?

Podem incluir reações alérgicas, distúrbios gastrointestinais, alteração sanguínea (anemia ou leucopenia). O acompanhamento médico é essencial.

Conclusão

A pneumocistose é uma condição grave, frequentemente fatal sem diagnóstico e tratamento precoces. Entender o CID pneumocistose (B59), seus sintomas, métodos diagnósticos e estratégias de prevenção é fundamental para melhorar o manejo clínico e reduzir a mortalidade associada a ela. A ampliação do acesso ao diagnóstico e à profilaxia tem potencial para diminuir significativamente os casos e impactos dessa doença oportunista.

A disseminação de informações adequadas e o acompanhamento médico contínuo são ações essenciais para o controle efetivo da infecção por Pneumocystis jirovecii.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde. Relatório epidemiológico: infecções oportunistas. 2022.
  2. Ministério da Saúde. Diretrizes para diagnóstico e tratamento da pneumocistose. Brasília: MS, 2021.
  3. Kwon-Chung, K. J., & Bennett, J. E. (Eds.). Mandell, Douglas, and Bennett’s Principles and Practice of Infectious Diseases. 9th Edition, 2020.
  4. WHO. Pneumocystis pneumonia (PCP) Factsheet, 2023.
  5. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Guia de Imunossupressão e infecções oportunistas, 2022.

Referências externas

Pensamento final

A vigilância clínica, a atenção às populações vulneráveis e a educação em saúde continuam sendo as armas mais eficazes no combate à pneumocistose. Conhecer seu CID, suas manifestações e estratégias de prevenção é uma responsabilidade de todos os envolvidos na saúde pública.

"Prevenir é sempre melhor do que tratar, especialmente quando se trata de infecções oportunistas que podem ser evitadas com conhecimento e atenção."