CID Pé Diabético Infectado: Guia Completo de Diagnóstico e Tratamento
O pé diabético infectado é uma complicação grave que acomete indivíduos com diabetes mellitus, representando uma das principais causas de amputações não traumáticas no mundo. A multiplicidade de fatores envolvidos, incluindo neuropatia, vaskulopatia e imunossupressão, torna o diagnóstico e o tratamento desafiadores, exigindo uma abordagem multidisciplinar.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 15% dos diabéticos desenvolverão úlceras nos pés ao longo da vida, sendo que uma parcela significativa dessas úlceras acaba infectada. Assim, entender os aspectos relacionados ao CID do pé diabético infectado é essencial para profissionais de saúde, pacientes e familiares.

Este artigo tem como objetivo oferecer um guia completo acerca do CID do pé diabético infectado, abordando desde aspectos diagnósticos até recomendações de tratamento, com foco em práticas baseadas em evidências e otimização para mecanismos de busca (SEO).
O que é o CID para Pé Diabético Infectado?
O CID, ou Código Internacional de Doenças, é uma classificação padronizada para codificação de doenças e condições de saúde. Para pacientes com pé diabético infectado, os códigos variam de acordo com a apresentação clínica.
CID Código para Pé Diabético
- E11.52 - Diabetes mellitus com neuropatia periférica e ulceração do pé
- E11.59 - Outras complicações do diabetes mellitus, do pé, não especificadas
- L97.4 - Úlcera do calcanhar e do calcanhar (quando relacionada à lesão do pé)
- T81.4XXA - Infecção de ferida, introd. de agente externo na ferida, inicial
- T81.4XXD - Infecção de ferida, na fase de cura
Para o caso específico da infecção do pé diabético, costuma-se utilizar a combinação dos códigos relacionadas à ulcerogênese e infecção.
| Código CID | Descrição | Observações |
|---|---|---|
| E11.52 | Diabetes mellitus com neuropatia periférica e ulceração do pé | Mais comum em adultos com diabetes tipo 2 |
| L97.4 | Úlcera do calcanhar e do calcanhar | Pode evoluir para infecção, de difícil cicatrização |
| T81.4XXA/D | Infecção de ferida (inicial e em fase de cura) | Utilizado para registrar o estado infeccioso do pé ulcerado |
Diagnóstico do Pé Diabético Infectado
Anamnese
A avaliação inicial deve envolver perguntas sobre:
- Duração e características da ferida
- Presença de dor, edema e vermelhidão
- Sintomas sistêmicos como febre ou mal-estar
- Histórico de controle glicêmico
- Uso de medicamentos
- Presença de neuropatia ou vasculopatia
Exame físico
- Inspeção detalhada da ferida: tamanho, bordas, profundidade, presença de necrose, secreção e odor
- Palpação de pulsos periféricos
- Teste de sensibilidade (tato, temperatura, monofilamento de Semmes-Weinstein)
- Avaliação do grau de infecção usando escalas como a PEDIS (Perfusion, Extent, Depth, Infection, Sensation)
Exames complementares
| Exame | Finalidade | Recomendação |
|---|---|---|
| Hemograma completo | Identificar sinais de infecção sistêmica | Para avaliar gravidade e resposta ao tratamento |
| Cultura de material da ferida | Identificar o agente infeccioso específico | Sempre que possível para direcionar antibioticoterapia |
| Radiografia do pé | Detectar osteomielite, fraturas ou qualquer envolvimento ósseo | Solicitar no início do tratamento |
| Doppler arterial | Avaliar fluxo sanguíneo e vasculopatia | Essencial para planejamento de revascularização |
| Exames de glicemia e HbA1c | Avaliar controle glicêmico | Fundamental para a cura e prevenção de complicações |
Classificação da Infecção do Pé Diabético
A classificação mais utilizada é a escala PEDIS, que avalia cinco fatores essenciais:
| Parâmetro | Descrição | Grau |
|---|---|---|
| Perfusão | Fluxo sanguíneo arterial | 0: normal; 1: moderada; 2: grave |
| Extensão | Tamanho da ferida | 1: <2cm; 2: 2-4cm; 3: >4cm |
| Profundidade | Grau de envolvimento dos planos profundos | 0: superficial; 1: profundo (músculos, tendões); 2: ósseo |
| Infecção | Sinais de inflamação e infecção | 0: ausente; 1: moderada; 2: grave |
| Sensação | Presença de neuropatia | 0: preservada; 1: reduzida; 2: ausente |
Tabela 1: Escala PEDIS para classificação da infecção do pé diabético.
Tratamento do CID Pé Diabético Infectado
Abordagem multidisciplinar
O tratamento eficaz implica uma combinação de medidas clínicas, cirúrgicas e de controle glicêmico. Envolver equipes de endocrinologia, cirurgia vascular, infectologia, podologia e enfermagem é fundamental.
Cuidados Gerais
- Controle rigoroso da glicemia
- Offloading (descompressão da área afetada) com uso de botas, meia dee ou cadeira de rodas
- Manutenção da higiene local com limpeza adequada e, se necessário, curativos estéreis
- Uso de antimicrobianos conforme cultura e sensibilidade
Antibioticoterapia
A escolha do antibiótico deve ser orientada por cultura, mas, enquanto os resultados não estão disponíveis, iniciar empiricamente com antibióticos de amplo espectro, considerando os principais patógenos (Staphylococcus aureus e Streptococcus spp.).
Duração
Geralmente, 2 a 3 semanas, dependendo da resposta clínica e cicatrização, supervisão constante.
Cirurgia
- Desbridamento dos tecidos necrosados
- Controle de abscessos
- Retirada de tecidos infectados ou gangrenosos
- Em casos graves, amputação parcial ou total do pé para controle da infecção
Revascularização
Para pacientes com vasculopatia grave, técnicas de revascularização podem ser indicadas para melhorar o fluxo sanguíneo.
Tratamentos complementares
- Terapia com fatores de crescimento
- Terapias adjuvantes como hiperbarismo (quando indicado e disponível)
- Educação do paciente sobre cuidados com os pés
Prevenção e Cuidados
A prevenção do pé diabético infectado passa por:
- Controles rigorosos de glicemia
- Inspeção diária dos pés
- Uso de calçados apropriados
- Consulta com podólogo regularmente
- Tratamento precoce de quaisquer lesões ou feridas
Perguntas Frequentes
1. Como prevenir o CID do pé diabético infectado?
A prevenção envolve controle glicêmico eficiente, higienização diária, inspeções frequentes dos pés e uso de calçados adequados. A atenção precoce a pequenas feridas diminui riscos de infecção mais grave.
2. Qual a importância da cultura na infecção do pé diabético?
A cultura permite identificar o agente causador específico, orientando a escolha do antibiótico mais eficaz e reduzindo o risco de resistência bacteriana.
3. Quais fatores aumentam o risco de infecção no pé diabético?
Neuropatia periférica, vasculopatia arterial, imunossupressão, maus hábitos de higiene e calçados inadequados contribuem para o desenvolvimento e agravamento das infecções.
4. Quando é indicada a amputação?
Quando a infecção não responde ao tratamento conservador, há gangrena extensa ou risco de disseminação sistêmica, a amputação se torna necessária para salvar a vida do paciente.
Conclusão
O CID do pé diabético infectado representa uma condição complexa, que demanda diagnóstico precoce e manejo adequado. A multidisciplinaridade, aliada ao controle rigoroso do diabetes e ao cuidado com os pés, é imprescindível para reduzir complicações, melhorar a qualidade de vida do paciente e evitar amputações.
A implementação de estratégias preventivas e um tratamento individualizado facilitam a recuperação e a cicatrização, além de promover uma abordagem baseada em evidências e boas práticas clínicas.
Referências
- American Diabetes Association. Standards of Medical Care in Diabetes — 2023. Diabetes Care. 2023;46(Suppl 1):S1-S144.
- Monteiro-Soares M, Boykoa V, Frykberg RG, et al. The independent contribution of diabetic foot ulcer to mortality and amputation risk. Diabetes Metab Res Rev. 2020;36(7):e3299.
- Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da SBND 2023. Disponível em: https://sbdiabetes.org.br/diretrizes/
- Minas Gerais. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção à Saúde do Diabetes Mellitus. 2019.
Fontes externas relevantes
- World Health Organization - Diabetic Foot Problems
- European Wound Management Association - Consensus Guidelines on the Management of Diabetic Foot
Este artigo foi elaborado para fornecer um guia completo e atualizado sobre o CID do pé diabético infectado, contribuindo para uma prática clínica mais segura e eficaz.
MDBF