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CID PARA TEA: Guia Completo de Diagnóstico e Tratamento

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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurológica que afeta o desenvolvimento social, comportamental e de comunicação de indivíduos de todas as idades. Compreender o CID (Classificação Internacional de Doenças) que corresponde ao TEA é fundamental para profissionais de saúde, familiares e a sociedade, garantindo um diagnóstico preciso, tratamentos adequados e a implementação de políticas públicas eficientes.

Este guia completo abordará o CID para TEA, explorando o diagnóstico, o tratamento, as classificações atuais, dúvidas frequentes, além de apresentar uma análise detalhada por meio de tabelas, referências atualizadas e recomendações de especialistas.

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O que é o CID e sua importância no diagnóstico do TEA

O CID, criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é um sistema de classificação que oferece códigos padronizados para doenças, transtornos e outros problemas de saúde. Ele é utilizado por profissionais de saúde para registrar, relatar e analisar dados epidemiológicos e de saúde pública.

Importância do CID para TEA:- Padroniza o diagnóstico.- Facilita o acesso a tratamentos e intervenções.- Auxilia na elaboração de políticas públicas de saúde.- Permite a comparação de dados epidemiológicos entre diferentes regiões e países.

O CID para TEA: classificação atual e evolução

CID-10 e TEA

Até o momento, a classificação oficial do TEA no CID é a F84, que abrange diferentes transtornos do desenvolvimento neurológico. A seguir, apresentamos a detalhação:

CódigoDescriçãoComentários
F84.0Autismo maniaco/infantilTranstorno clássico do espectro autista.
F84.1Síndrome de RettTranstorno neurológico que afeta principalmente meninas.
F84.2Transtorno desintegrativo da infânciaPerda de habilidades após desenvolvimento normal.
F84.3Transtorno de AspergerCaracterizado por dificuldades sociais sem atraso cognitivo significativo.
F84.4Transtorno deslocatório do desenvolvimento não especificadoOutros transtornos do espectro autista.

Mudanças para o CID-11

Com a atualização para o CID-11, publicada em 2018 e implementada oficialmente em diferentes países, incluindo o Brasil, há uma simplificação e atualização dos códigos:

  • O TEA passou a estar classificado sob 6A02 (Transtorno do espectro autista), com subdivisões específicas:
CódigoDescrição
6A02.0Transtorno do espectro autista, tipo clássico
6A02.1Autismo de alto funcionamento (sem prejuízo intelectual)
6A02.8Outras formas específicas de TEA

A migração do CID-10 para o CID-11 visa melhorar o entendimento e o diagnóstico, além de facilitar o acesso a tratamentos personalizados.

Diagnóstico do TEA: critérios e profissionais envolvidos

Critérios diagnósticos segundo DSM-5 e CID-11

Embora o CID forneça códigos, a avaliação detalhada do TEA é realizada através de critérios clínicos específicos, que incluem:

  • Dificuldades na comunicação social.
  • Comportamentos repetitivos ou interesses restritos.
  • Dificuldades na adaptação social.
  • Essas características devem estar presentes na primeira infância e impactar o desenvolvimento do indivíduo.

Profissionais envolvidos na avaliação

  • Psiquiatras.
  • Neuropediatras.
  • Psicólogos especializados em autismo.
  • Fonoaudiólogos.
  • Terapeutas ocupacionais.

Processo de diagnóstico

  1. Entrevistas clínicas e avaliações padronizadas.
  2. Observação do comportamento do paciente.
  3. Uso de escalas específicas, como ADOS-2 e CARS.

Tratamento do TEA e o papel do CID

O tratamento do TEA é multidisciplinar, visando melhorar a qualidade de vida do indivíduo. O CID é essencial para formalizar o diagnóstico, garantir o acesso a tratamentos e facilitar a comunicação entre profissionais e familiares.

Abordagens de tratamento

Terapias comportamentais

  • Análise do Comportamento Aplicada (ABA).
  • Treinamento de habilidades sociais.
  • Intervenções educacionais especializadas.

Terapias de suporte

  • Fonoaudiologia.
  • Terapia ocupacional.
  • Psicoterapia para suporte emocional.

Medicamentos

Embora não exista cura para o TEA, certos medicamentos podem ajudar a controlar sintomas como irritabilidade, hiperatividade e ansiedade.

Tabela comparativa: CID-10 vs CID-11 para TEA

AspectoCID-10 (F84)CID-11 (6A02)
ClassificaçãoVários códigos específicosCódigo único com subdivisões
AbrangênciaDiagnósticos separadosCategorias mais integradas
AtualizaçãoDesde 1992Desde 2018 (implementação gradual)
Cada códigoDiferenciado por tipos específicosClassificação mais moderna e inclusiva

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Como saber se meu filho tem TEA?

O diagnóstico deve ser realizado por profissionais especializados, que avaliarão comportamentos, comunicação, interação social e interesses do seu filho, usando critérios do CID-11 ou DSM-5.

2. O CID para TEA mudou recentemente?

Sim, a atualização do CID-10 para o CID-11 trouxe uma classificação mais integrada, facilitando o entendimento clínico e o acesso ao tratamento.

3. Como o CID ajuda no tratamento do TEA?

A classificação correta permite que o indivíduo tenha acesso a intervenções específicas, medicamentos, terapias e benefícios sociais previstos por lei.

4. Quais as principais abordagens terapêuticas para TEA?

Terapias comportamentais, suporte psicológico, intervenções educativas e medicamentos, dependendo do caso, são essenciais para melhorar o desenvolvimento e a qualidade de vida.

5. O que fazer após o diagnóstico?

Procure uma equipe multidisciplinar especializada em TEA para montar um plano de tratamento personalizado e garantir o suporte necessário.

Conclusão

O entendimento do CID para TEA é fundamental para uma abordagem eficaz do transtorno, garantindo diagnóstico preciso e acesso às melhores opções de tratamento. A atualização para o CID-11 representa um avanço na classificação, promovendo maior compreensão e inclusão.

A sociedade, profissionais de saúde e familiares precisam estar atentos aos sinais e buscar ajuda especializada o quanto antes. Como afirmou o neurocientista Dr. Antonio Damásio: "Compreender o cérebro é entender nossas ações, e no caso do TEA, isso é fundamental para promover inclusão e desenvolvimento."

Investir em conhecimento, intervenção precoce e apoio contínuo são passos essenciais para promover o bem-estar de indivíduos com TEA.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde. CID-10. 1992. OMS - CID-10
  2. Organização Mundial da Saúde. CID-11. 2018. OMS - CID-11
  3. American Psychiatric Association. DSM-5. 2013. DSM-5
  4. Ministério da Saúde do Brasil. Manual de Diagnóstico do TEA. 2020.
  5. Sociedade Brasileira de Autismo. Protocolos de intervenção. SBAutismo

Este artigo foi elaborado para oferecer um panorama completo sobre o CID para TEA, promovendo conhecimento atualizado e acessível para todos os interessados na temática.