CID Para TDAH: Guia Completo de Diagnóstico e Tratamento
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurodesenvolvimental que afeta crianças, adolescentes e adultos, impactando significativamente a vida cotidiana. Para facilitar o diagnóstico e a padronização do tratamento, a classificação internacional de doenças (CID) desempenha um papel fundamental. Neste artigo, abordaremos detalhadamente o CID para TDAH, incluindo seu código, critérios diagnósticos, opções de tratamento e orientações importantes para profissionais de saúde, pacientes e familiares.
O que é o CID e sua importância no diagnóstico do TDAH?
A Classificação Internacional de Doenças (CID), atualmente reconhecida na versão CID-11, é uma ferramenta desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para categorizar doenças e transtornos. Ela fornece códigos específicos que ajudam na padronização dos diagnósticos, na coleta de dados epidemiológicos e na orientação de tratamentos.

No caso do TDAH, a codificação no CID é essencial para garantir que os profissionais de saúde tenham uma referência clara ao identificar o transtorno, facilitando o acesso a tratamentos adequados e às políticas de saúde pública.
CID para TDAH: Código e Classificação
Código CID-11 para TDAH
Na CID-11, o TDAH está classificado sob o código 6A05. A seguir, uma tabela com as principais informações:
| Classificação | Código CID-11 | Descrição |
|---|---|---|
| Transtorno de hiperatividade e déficit de atenção | 6A05 | TDAH, incluindo dificuldades de atenção, hiperatividade e impulsividade |
Classificação segundo o ICD-10
Antes da CID-11, o TDAH era classificado na CID-10 sob o código F90 – Transtorno de hiperatividade com déficit de atenção.
| Classificação | Código CID-10 | Descrição |
|---|---|---|
| Transtorno de hiperatividade e defic. de atenção | F90 | TDAH em crianças e adolescentes, transtorno neurodesenvolvimental |
Critérios diagnósticos segundo a CID-11
O diagnóstico do TDAH é baseado em critérios clínicos específicos que envolvem sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade persistentes, com impacto na vida social, acadêmica ou profissional.
Sintomas principais
- Desatenção: dificuldades em manter o foco, cometer erros por descuido, desorganização.
- Hiperatividade: inquietação, dificuldade em ficar sentado, sensação de inquietação.
- Impulsividade: tomar decisões precipitadas, interrupções, dificuldades em esperar a sua vez.
Diagnóstico na CID-11
Para um diagnóstico de TDAH na CID-11, o paciente deve apresentar pelo menos seis sintomas em pelo menos um desses grupos (desatenção, hiperatividade ou impulsividade) por um período mínimo de seis meses. Além disso, os sintomas devem estar presentes antes dos 12 anos e causar prejuízos em mais de uma área da vida.
Aspectos clínicos e fatores de risco
Predisposições genéticas
Estudos indicam que o TDAH possui forte componente genético, com maior incidência em familiares de indivíduos diagnosticados.
Fatores ambientais
Exposição a toxinas, dificuldades no parto ou crescimento em ambientes adversos podem contribuir para o desenvolvimento do transtorno.
Comorbidade
O TDAH frequentemente coexistente com outros transtornos como ansiedade, depressão, transtornos de aprendizagem e transtornos de conduta.
Diagnóstico do TDAH: passo a passo
Avaliação clínica
A avaliação inclui entrevistas, preenchimento de questionários e observação comportamental, além de acompanhamento escolar ou profissional.
Instrumentos utilizados
- Escalas de avaliação padronizadas (exemplo: Conners, SNAP-IV).
- Anamnese detalhada.
- Exames complementares para descartar outras condições.
Importância de um diagnóstico precoce
O diagnóstico oportuno possibilita intervenções que podem melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente.
Tratamento do TDAH
Tratamento medicamentoso
Os medicamentos estimulantes, como metilfenidato e amfetaminas, são considerados a primeira linha de tratamento, sob orientação médica.
Tratamento não farmacológico
Envolve terapia comportamental, orientação aos pais, intervenções psicopedagógicas e estratégias de organização.
Tabela de opções de tratamento
| Tipo de Tratamento | Exemplos | Objetivo |
|---|---|---|
| Medicamentoso | Metilfenidato, anfetaminas, atomoxetina | Reduzir sintomas de hiperatividade e impulsividade |
| Psicoterapias | Terapia cognitivo-comportamental | Melhorar habilidades sociais e autorregulação emocional |
| Intervenções escolares | Acompanhamento pedagógico | Adaptar o ambiente de aprendizagem |
Considerações importantes
- Seguir prescrição médica rigorosamente.
- Acompanhar o progresso e ajustar o tratamento sempre que necessário.
- Educar familiares e professores sobre o transtorno.
- Promover ambientes favoráveis ao desenvolvimento do paciente.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Qual é o código CID para TDAH atualmente?
O código CID-11 é 6A05, enquanto na CID-10 era classificado como F90.
2. O TDAH desaparece com o tempo?
O TDAH é um transtorno neurodesenvolvimental que pode persistir na vida adulta, embora os sintomas possam diminuir ou modificar-se ao longo do tempo.
3. É possível tratar o TDAH sem medicamentos?
Sim, o tratamento psicossocial, incluindo terapia comportamental, é eficaz, especialmente em casos leves ou em combinação com medicação.
4. Existem testes laboratoriais para o diagnóstico?
Não há exames laboratoriais específicos; o diagnóstico baseia-se na avaliação clínica e nos critérios estabelecidos na CID.
5. Como a escola pode ajudar uma criança com TDAH?
Adotando estratégias pedagógicas específicas, como rotina estruturada, reforço positivo e adaptações no ambiente de aprendizagem.
Conclusão
O CID para TDAH, atualmente representado pelo código 6A05 na CID-11, é uma ferramenta crucial para a definição e compreensão do transtorno. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado — que combina medicamentos, terapia e intervenções ambientais — podem promover uma melhora significativa na qualidade de vida do indivíduo. É fundamental que profissionais, familiares e educadores estejam informados sobre o transtorno para oferecer suporte eficaz e promover um desenvolvimento saudável.
Como afirmou Dr. Daniel G. Amen, renomado psiquiatra: "A compreensão do cérebro é a chave para transformar vidas, especialmente de quem convive com o TDAH."
Se você deseja aprender mais sobre o tratamento e manejo do TDAH, recomendamos consultar recursos como o Site da Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA) e o Ministério da Saúde.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. CID-11. https://icd.who.int/
- Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA). Guia de TDAH. Disponível em: https://www.a-bda.org
- American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). 2013.
- Faraone, S. V., et al. (2021). "The global prevalence of ADHD: a meta-regression analysis." World Psychiatry.
Este artigo é informativo e não substitui uma avaliação médica especializada.
MDBF