CID Para Intoxicação Alimentar: Guia Completo de Diagnóstico
A intoxicação alimentar é uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo a cada ano, causando sintomas desagradáveis e, em muitos casos, levando a complicações sérias. Sua identificação precisa é fundamental para o tratamento adequado e também para a geração de dados epidemiológicos que auxiliam na prevenção de novos casos. Nesse contexto, o Código Internacional de Doenças (CID) desempenha papel vital na classificação e na documentação clínica dessas manifestações.
Este artigo apresenta um guia completo sobre o CID para intoxicação alimentar, abordando os códigos utilizados, critérios de diagnóstico, diferenças entre intoxicação alimentar e outras patologias similares, além de responder às perguntas mais frequentes sobre o tema.

O que é o CID e sua importância no diagnóstico de intoxicação alimentar?
O CID, sigla para Classificação Internacional de Doenças, é um sistema de codificação padronizado utilizado em todo o mundo para classificar doenças, sintomas, condições de saúde e motivos de consultas médicas. Criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), seu objetivo é garantir uniformidade na documentação e facilitar a coleta de dados estatísticos de saúde pública.
No caso da intoxicação alimentar, o uso correto do CID é essencial para:
- Registrar adequadamente o diagnóstico clínico;
- Orientar tratamentos específicos;
- Contribuir para pesquisas epidemiológicas;
- Formular políticas de vigilância sanitária e saúde pública.
Códigos CID relevantes para intoxicação alimentar
Diagnóstico principal: CID-10
Na classificação CID-10, utilizada atualmente na maioria dos sistemas de saúde, os códigos relacionados à intoxicação alimentar estão principalmente na categoria T60-T65 — “Intoxicações por agentes específicos, alimentos e substâncias químicas”. A seguir, os principais códigos utilizados:
| Código CID | Descrição | Situação de uso |
|---|---|---|
| T61.0 | Intoxicação por mieloide (toxina de bactérias específicas) | Quando há confirmação de intoxicação por bactérias específicas como Salmonella, Shigella, etc. |
| T60.0 | Intoxicação por pesticidas e outros agentes químicos nocivos | Para intoxicações relacionadas ao consumo de alimentos contaminados por pesticidas. |
| T63.0 | Intoxicação por frutos do mar e outros alimentos | Quando a intoxicação ocorre após o consumo de frutos do mar contaminados. |
| T88.7 | Secundária a intoxicação por agentes alimentares | Para casos onde há confirmação de intoxicação alimentar como causa secundária de uma condição mais geral. |
| K52.2 | Enterocolite hemorrágica, não especificada, por bactéria alimentar | Uso comum em casos de quadros intestinais por intoxicação alimentar não especificada ou não confirmada. |
Exemplos de códigos específicos
- A00.0 - Cólera
- A02.0 - Salmonelose intestinal
- A04.0 - Disenteria bacilar
- A09 - Diarreia e gastroenterite de presumível origem infecciosa
Importante: Para uma classificação correta, o profissional de saúde deve realizar uma avaliação detalhada do paciente, confirmando o agente etiológico, quando possível.
Critérios para diagnóstico de intoxicação alimentar
Sintomas comuns
- Náusea
- Vômito
- Diarreia
- Dor abdominal
- Febre (em alguns casos)
Diagnóstico clínico e laboratorial
O diagnóstico baseia-se na história clínica, na suspeita contextual de ingestão de alimentos contaminados e, quando possível, na confirmação laboratorial do agente causador. Uma coleta adequada de amostras e o envio para análise ajudam na identificação do agente etiológico e na escolha do CID correto.
Importância do contexto epidemiológico
Investigar casos ou surtos de intoxicação alimentar é fundamental para determinar o agente causal, ambiente de contaminação e alimentos implicados.
Diferenças entre intoxicação alimentar e infecção alimentar
| Aspecto | Intoxicação Alimentar | Infecção Alimentar |
|---|---|---|
| Causa | Substância tóxica presente no alimento | Microorganismos que infectam o hospedeiro |
| Tempo de aparecimento | Geralmente algumas horas após ingestão | Algumas horas a dias após ingestão |
| Sintomas principais | Náusea, vômito, diarreia, dor abdominal | Febre, diarreia, dor abdominal, febre |
| Diagnóstico | Suspeita clínica, análise do alimento e teste toxina | Confirmado por cultura, exames laboratoriais |
Como realizar a codificação correta no CID
Para uma codificação eficiente, algumas recomendações importantes incluem:
- Registrar a história clínica detalhada;
- Investigar e documentar o alimento implicado;
- Solicitar exames laboratoriais sempre que possível;
- Utilizar o código mais específico disponível de acordo com o agente causal identificado.
Planejando a abordagem do diagnóstico na prática clínica
- Anamnese detalhada: pergunte sobre alimentos consumidos, tempo de início dos sintomas, história de surtos ou epidemias na região.
- Exame físico completo: sinais de desidratação, febre.
- Solicitação de exames laboratoriais: coproculturas, exames toxicológicos, sorologias.
- Agrupamento dos dados: relacionar os achados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais para definir o CID mais adequado.
Link externo relevante
Para entender melhor os agentes patogênicos causadores de intoxicação alimentar, acesse Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Tabela de códigos CID mais utilizados na intoxicação alimentar
| Código CID | Descrição | Tipo de intoxicação | Exemplo de agente causador |
|---|---|---|---|
| A02.0 | Salmonelose intestinal | Infecção bacteriana que causa intoxicação | Salmonella spp. |
| A04.0 | Disenteria bacilar | Bactéria que pode provocar intoxicação alimentar | Shigella spp. |
| T60.0 | Intoxicação por pesticidas e outros agentes químicos nocivos | Contaminação por substâncias químicas nocivas | Pesticidas, metais pesados |
| T63.0 | Intoxicação por frutos do mar | Intoxicação por alimentos marinhos contaminados | Peixe, moluscos contaminados |
| T61.0 | Intoxicação por toxina de bactérias específicas | Toxinas produzidas por bactérias em alimentos | Staphylococcus aureus, Bacillus cereus |
Perguntas frequentes
1. Qual é o código CID mais comum para intoxicação alimentar?
O código mais utilizado em casos gerais é K52.2, que corresponde à enterocolite hemorrágica não especificada, mas a classificação ideal depende do agente etiológico ou do quadro clínico detalhado.
2. Como posso saber se uma intoxicação alimentar é grave?
Sinais de gravidade incluem desidratação severa, febre alta, sangue na diarreia, vômito persistente e sinais de choque. Nesses casos, o código pode ser complementado e o paciente deve buscar atendimento médico de urgência.
3. Posso usar um código genérico para intoxicação alimentar?
Sim, em casos de dúvida ou quando o agente específico não pode ser identificado, o código K52.2 serve como uma classificação geral.
4. Como registrar um surto de intoxicação alimentar na análise epidemiológica?
Deve-se coletar informações sobre o número de casos, alimentos contaminados, local, tempo do episódio, e usar códigos CID específicos para cada agente causador, além de reportar ao órgão de vigilância sanitária.
Conclusão
A correta utilização do CID para intoxicação alimentar é fundamental tanto para a prática clínica quanto para a saúde pública. Conhecer os códigos específicos e seus critérios de uso permite uma melhor documentação do caso, contribuindo para estratégias de controle, prevenção e tratamento efetivo.
Lembre-se sempre de realizar uma investigação completa, solicitar exames diagnósticos quando necessário e reportar casos suspeitos às autoridades sanitárias. Assim, é possível reduzir a incidência de intoxicações e promover um ambiente mais seguro para a população.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. (2019). Classificação Internacional de Doenças, 11ª revisão (CID-11). Disponível em: https://icd.who.int/
- Ministério da Saúde. (2022). Protocolo de Vigilância de Intoxicações por Alimentos. Brasília: Ministério da Saúde.
- Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Guia de Vigilância Epidemiológica de Intoxicação Alimentar. Disponível em: https://www.paho.org/pt/categorias/infecciosas-e-helmintos
Perguntas frequentes
1. Existe um Código CID específico para intoxicação alimentar por vírus?
Não. Geralmente, as intoxicações alimentares por vírus como Norovírus ou Hepatite A são classificadas na categoria geral de infecções virais, e a documentação pode indicar o agente no campo de anotações clínicas.
2. Como atualizar os códigos CID em ambientes de prontuário eletrônico?
Certifique-se de que sua base de dados esteja atualizada com a última versão do CID, e utilize os códigos específicos de acordo com a classificação oficial ao fazer registros de atendimento.
Este artigo foi elaborado para oferecer uma compreensão aprofundada sobre o CID para intoxicação alimentar, contribuindo para a prática clínica e para a saúde pública.
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