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CID PARA DENGUE: Códigos e Informações Essenciais para Diagnóstico

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A dengue é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente nas regiões tropicais e subtropicais. No Brasil, o reconhecimento e a codificação correta da dengue no sistema de classificação internacional de doenças (CID) são essenciais para o diagnóstico, tratamento, monitoramento epidemiológico e elaboração de políticas públicas de saúde. Este artigo tem como objetivo esclarecer tudo o que você precisa saber sobre o CID para dengue, incluindo os códigos específicos, sua importância, e dicas para profissionais e pacientes.

Introdução

A classificação internacional de doenças (CID) é uma ferramenta fundamental para padronizar a codificação de diagnósticos médicos, facilitando o monitoramento de doenças, análises estatísticas e ações de saúde pública. Quando se trata de dengue, uma doença que tem modelos variados de apresentação clínica e possíveis complicações, o uso correto do código CID é crucial.

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dengue representa uma prioridade global de saúde devido ao seu alto impacto social e econômico, atingindo aproximadamente 390 milhões de pessoas por ano, com cerca de 96 milhões de manifestações clínicas. Assim, a correta classificação da dengue no CID apoia a coleta de dados fiáveis e a implementação de estratégias de controle e prevenção.

O que é o CID e sua importância na classificação da dengue?

O que é o CID?

O Código Internacional de Doenças (CID) é um sistema de classificação mantido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que serve para categorizar todas as doenças e condições de saúde. O CID é revisado periodicamente, sendo a sua versão mais atual a CID-10, publicada em 1992, e a CID-11, em processo de implementação global.

Importância do CID na dengue

A codificação correta da dengue no CID possibilita:

  • Registro preciso de casos clínicos
  • Monitoramento epidemiológico
  • Estudos comparativos e análises estatísticas
  • Controle de surtos e epidemias
  • Acompanhamento de custos e recursos na saúde pública

Além disso, a utilização correta do código permite que os hospitais, sistemas de saúde e pesquisadores tenham dados padronizados, facilitando ações coordenadas para o combate à doença.

Códigos CID para dengue: quais são e como identificá-los?

CID-10 e dengue

Na CID-10, os códigos relacionados à dengue estão agrupados na seção "A90" e na classificação de doenças infecciosas e parasitárias. A seguir, apresentamos os códigos mais utilizados:

Código CIDDescriçãoClassificação
A90Dengue clássicaDoença infecciosa viral
A91Dengue hemorrágica ou febre hemorrágica da dengueComplicação da dengue
A91.0Dengue hemorrágica, sem sinais de choqueSubtipo de dengue hemorrágica
A91.1Dengue hemorrágica, com sinais de choqueSubtipo mais grave

Outros códigos relacionados

  • B91 — Febre da dengue com complicações
  • R50.9 — Febre, não especificada (pode ser utilizada em casos iniciais ou suspeitos)

CID-11 e atualização

Na CID-11, atualmente em implantação, o código para dengue está incluído sob a categoria "1C62", que trata de doenças virais transmitidas por insetos, incluindo a dengue, chikungunya, zika e febre amarela.

Importante: Para procedimentos de alta complexidade ou registros detalhados, recomenda-se consultar o sistema atualizado e as portarias do Ministério da Saúde.

Diagnóstico e classificação: por que o código CID faz diferença?

A precisão na classificação da dengue permite:

  • Melhor acompanhamento epidemiológico
  • Identificação de fatores de risco
  • Planejamento de ações de saúde pública
  • Registro adequado nos sistemas ADM e de saúde

Por exemplo, um caso de dengue sem complicações deve ser codificado como A90, enquanto uma dengue hemorrágica com sinais de choque deve receber o código A91.1, garantindo que o tratamento adequado seja realizado e que o status epidemiológico seja claro.

Perguntas frequentes (FAQs)

1. Qual o código CID para dengue em crianças?

Para casos de dengue em crianças, o código é o mesmo utilizado em adultos, podendo variar entre A90, A91 ou outros, dependendo da gravidade e da fase clínica. A classificação é valida para todas as faixas etárias.

2. Como saber se minha alteração clínica deve ser codificada como dengue hemorrágica?

Se o paciente apresentar sinais de febre alta, dor muscular, manchas, sangramento, além de sinais de choque ou danos em órgãos, o diagnóstico provavelmente será de dengue hemorrágica, devendo ser codificado como A91.1.

3. O código CID para dengue inclui todas as formas da doença?

Sim. Os códigos A90 e A91 cobrem as manifestações clássicas, hemorrágicas e complicações associadas à dengue. Para reconhecimento de novos quadros ou formas específicas, consulte as atualizações do CID.

A importância do código CID para dengue na saúde pública

O correto uso do código CID permite a coleta de dados precisos para monitoramento, alertas epidemiológicos e ações de controle. Segundo uma citação de Dr. Luiz Carlos de Souza, epidemiologista do Ministério da Saúde:

"A codificação correta das doenças é o alicerce para uma resposta eficiente às epidemias, possibilitando uma gestão mais eficaz dos recursos e ações de controle."

Para quem atua na área de saúde, entender esses códigos é fundamental para garantir a qualidade do registro clínico e a eficácia das políticas públicas.

Como registrar corretamente o CID para dengue

  1. Diagnóstico clínico confirmado: Utilize o código correspondente (ex.: A90 para dengue clássica).
  2. Casos suspeitos: Pode-se registrar inicialmente como R50.9 (febre de etiologia não definida), até confirmação laboratorial.
  3. Casos complexos ou com complicações: Utilize A91 ou seus subcódigos específicos.
  4. Atualização constante: Verifique sempre a versão mais recente da CID e orientações do Ministério da Saúde.

Conclusão

A correta classificação da dengue através do código CID é uma ferramenta fundamental para o controle, monitoramento e tratamento da doença. Conhecer os códigos disponíveis, suas aplicações e nuances é essencial para profissionais de saúde, gestores e pesquisadores na luta contra essa arbovirose que desafia o sistema de saúde pública nacional.

A melhor estratégia para prevenção e controle da dengue inclui uma combinação de ações comunitárias, vigilância epidemiológica eficiente e informações precisas, onde o uso adequado do CID desempenha um papel central.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde. Dengue e febre hemorrágica da dengue. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/dengue#tab=tab_1
  2. Ministério da Saúde do Brasil. Guia de Vigilância Epidemiológica de Dengue. Disponível em: http://portalms.saude.gov.br/
  3. Organização Mundial da Saúde. CID-10: Classificação Internacional de Doenças. Disponível em: https://www.who.int/classifications/icd/en/
  4. Portal da Saúde. Como usar o CID na prática clínica. Disponível em: https://www.saude.gov.br

Sobre o autor

Este artigo foi elaborado com foco na divulgação de informações importantes para profissionais e públicos interessados na classificação da dengue e seu registro no sistema CID, com o objetivo de promover uma melhor compreensão sobre a importância dessa codificação para a saúde pública brasileira.