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CID Paciente Fingindo Doença: Sinais, Diagnóstico e Consequências

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A sala de atendimento médico frequentemente apresenta desafios que vão além da simples avaliação clínica. Um deles é a identificação de pacientes que fingem estar doentes, uma condição que pode ser atribuída ao transtorno factício, transtorno de conversão ou a outras questões comportamentais. O conceito de "paciente fingindo doença" é complexo e exige uma compreensão aprofundada para que o profissional de saúde possa agir de forma adequada, promovendo diagnóstico preciso e tratamento eficaz. Neste artigo, abordaremos os sinais que indicam um paciente fingindo doença, os métodos de diagnóstico usados pelos profissionais, as possíveis consequências e questões relacionadas ao CID (Código Internacional de Doenças).

O Que É um Paciente Fingindo Doença?

Um paciente fingindo doença, muitas vezes referido como "malingering", é aquele que simula ou exagera sintomas de uma condição de saúde com a intenção de obter benefícios, seja financeiro, social ou psicológico. É importante destacar que a falsificação de sinais clínicos não deve ser confundida com condições psíquicas legítimas, como transtornos de conversão ou factícios, onde há mecanismos subconscientes envolvidos.

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Definição de Malingering:

"Malingering é a produção intencional de sintomas ou sinais que uma pessoa apresenta para obter algum benefício externo, como dinheiro, ausência ao trabalho ou evitar responsabilidades." - (Fonte: Organização Mundial da Saúde, OMS)

Diferenças Entre Fingimento de Doença e Outros Quadros Psicológicos

AspectoFingimento de Doença (Malingering)Transtorno de ConversãoTranstorno Factício
IntençãoIntencional (controle consciente)InconscienteInconsciente
MotivoBenefício externoConflitos internos, sem benefício externo diretoDesejo de assumir papel de doente, sem benefício externo
ConsciênciaPlena consciência da farsaDesconscienteGeralmente não consciente da farsa

Sinais que Podem Indicar um Paciente Fingindo Doença

Detectar um paciente que está fingindo doença é uma tarefa delicada que requer atenção aos detalhes. Alguns sinais comuns incluem:

Sinais Clínicos e Comportamentais

  • Inconsistências na história clínica: informações que variam ou não condizem com os exames realizados.
  • Sintomas que não condizem com sinais físicos: queixas exageradas ou sintomas desproporcionais.
  • Resistência a exames objetivos: relutância em realizar testes diagnósticos ou se recusar a colaborar.
  • Design de sintomas habituais: queixas como dores, fraqueza ou problemas neurológicos que seguem um padrão típico de fingimento.
  • Busca constante por atenções ou benefícios: mediante a apresentação de sintomas.

Sinais Psicológicos

  • Motivação aparente: por benefícios financeiros, trabalhadores, previdenciários ou sociais.
  • Mudanças de sintomas ao serem observados ou testados.
  • Histórico de múltiplas consultas ou diagnósticos repetidos.
  • Relutância em aceitar diagnósticos ou tratamentos.

Como o Profissional Pode Diagnosticar um Paciente Fingindo Doença?

O diagnóstico diferencial é fundamental na rotina médica. Algumas estratégias incluem:

Avaliação Clínica Minuciosa

Realizar uma anamnese detalhada e exame clínico criterioso, buscando inconsistências e sinais de fingimento. É importante manter uma postura neutra e empática para não provocar resistência.

Uso de Exames Complementares

Exames laboratoriais e de imagem ajudam a verificar a veracidade dos sintomas apresentados. Sintomas que não se justificam por achados objetivos indicam a necessidade de uma maior investigação.

Observação e Monitoramento

Acompanhamento a longo prazo pode revelar padrões de fingimento ou problemas psíquicos subjacentes. Uma equipe multidisciplinar, incluindo psiquiatras, pode contribuir significativamente.

Testes de Simulação e Avaliações Psicológicas

Testes específicos podem ajudar a detectar sinais de fingimento, sobretudo em contextos legais ou previdenciários.

Consequências do Fingimento de Doença

Fingir doença pode ter diversas repercussões, tanto para o paciente quanto para o sistema de saúde e a sociedade:

ConsequênciasDescrição
Para o pacienteAtrapalha o diagnóstico correto de doenças reais, prejudica o tratamento e causa possível estigma social.
Para o sistema de saúdeUso indevido de recursos, aumento de custos e dificuldades na gestão de casos reais.
Para a sociedadePerda de recursos públicos, falhas na assistência e desconfiança nas avaliações clínicas.

CID e Pacientes Fingindo Doença

O Código Internacional de Doenças (CID) classifica as condições relacionadas ao fingimento de doença com base na causa e na origem dos sintomas.

Exemplos de CID relacionados

CIDDescriçãoCategoria
F68.1Transtorno de somatização de origem não orgânicaTranstornos neurológicos e psiquiátricos
F60.8Outros transtornos de personalidade notadosTranstornos de comportamento
Z76.4Ausência, abandono de residência ou de trabalho, fingimento de doençaCondições relacionadas ao fingimento para benefícios sociais

Observação: Ainda que o CID identifique as categorias, é imprescindível uma avaliação cuidadosa na prática clínica, pois nem todo comportamento de fingimento tem uma classificação específica e pode estar associado a transtornos mentais mais complexos.

Como a Equipe de Saúde Deve Proceder?

Quando suspeitar de fingimento de doença, a equipe deve:

  • Manter uma postura ética e empática.
  • Documentar cuidadosamente as alegações e comportamentos.
  • Encaminhar o paciente para avaliação psiquiátrica especializada.
  • Evitar julgamentos precipitados, priorizando um diagnóstico preciso.
  • Buscar uma abordagem interdisciplinar, envolvendo médicos, psicólogos e assistentes sociais quando necessário.

Perguntas Frequentes

1. Quais são as principais diferenças entre um paciente fingindo doença e um doente real?

A principal diferença está na intenção consciente do paciente de simular sintomas para obter benefício externo, enquanto doentes reais apresentam sintomas que decorrem de condições fisiológicas ou psicológicas legítimas.

2. Como os profissionais podem evitar erros de diagnóstico?

Realizando uma avaliação clínica detalhada, utilizando exames objetivos, monitorando o comportamento ao longo do tempo e, se necessário, recorrendo a avaliação psiquiátrica especializada.

3. Quais são os benefícios de uma abordagem multidisciplinar?

Permite uma avaliação mais precisa, auxiliando na diferenciação entre fingimento e condições psiquiátricas legítimas, além de promover um tratamento adequado e ético.

Conclusão

Reconhecer um paciente fingindo doença é um desafio complexo que exige atenção, ética e conhecimento técnico. A correta utilização do CID junto com uma avaliação clínica minuciosa evita diagnósticos equivocados e garante uma abordagem justa e eficaz. A sensibilização dos profissionais de saúde e a formação contínua são essenciais para lidar com esses casos de forma ética e responsável.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). 2013.
  2. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5). Washington, DC: APA, 2013.
  3. Almeida, E. M. et al. (2016). "Malingering: avaliação clínica e aspectos éticos." Revista Brasileira de Medicina Legal.

Para aprofundar seus conhecimentos sobre avaliação clínica e diagnóstico de transtornos mentais, acesse Site da Associação Brasileira de Psiquiatria.
Para entender mais sobre os aspectos legais do fingimento de doença, consulte Portal Ciências Criminais.