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CID Nódulo de Tireoide e Classificação TI RADS 3: Guia Completo

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A saúde da tireoide é um tema de grande importância para a medicina e para a qualidade de vida dos pacientes. Entre as condições mais comuns observadas nessa glândula, o nódulo tireoidiano ocupa destaque devido à sua alta prevalência e às implicações diagnósticas e terapêuticas que envolve. Para uma avaliação adequada, os médicos utilizam sistemas de classificação que ajudam a determinar o risco de malignidade e orientar as condutas clínicas. Um desses sistemas é o TI RADS, cuja classificação 3 tem papel central na interpretação de exames de ultrassom da tireoide. Neste artigo, apresentaremos um guia completo sobre o CID relacionado ao Nódulo de Tireoide e a classificação TI RADS 3, abordando conceitos, procedimentos diagnósticos, condutas e informações essenciais para profissionais e pacientes.

Introdução

Os nódulos tireoidianos são anormalidades comuns que, embora muitas vezes benignos, podem representar uma neoplasia maligna em certos casos. A utilização de ultrassonografia (US) como método de exame de rotina permite detectar esses nódulos precocemente e classificar seu risco de malignidade. A padronização dessa avaliação é fundamental para orientar procedimentos como biópsias ou monitoramento.

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O sistema TI RADS foi desenvolvido pelo American College of Radiology (ACR) para padronizar a classificação dos achados ultrassonográficos de acordo com o risco de câncer. A classificação TI RADS 3, por exemplo, corresponde a um risco intermediário, exigindo uma conduta balanceada entre investigação e observação.

Por outro lado, o CID (Classificação Internacional de Doenças) fornece códigos que representam as condições médicas, incluindo o Nódulo de Tireoide.

O que é o CID Nódulo de Tireoide?

O CID, ou CID-10, possui códigos específicos para condições relacionadas à tireoide, incluindo os nódulos. O código mais utilizado é:

Código CID-10Descrição
E04.1Nódulo da glândula tireoide sem hipofuncionamento ou hipertireoidismo

Este código é importante para fins de registro, estatísticas, e também para fins de cobertura de planos de saúde.

Classificação TI RADS na Ultrassonografia de Tireoide

O que é a classificação TI RADS?

A classificação TI RADS é uma escala que categoriza os achados ultrassonográficos da tireoide em diferentes níveis de risco de malignidade, de 1 a 5. Cada categoria indica a necessidade ou não de investigação adicional, como biópsia por agulha fina (BAF).

Tabela 1: Sistema de Classificação TI RADS

CategoriaDescriçãoRisco de malignidade (%)Conduta recomendada
TI RADS 1Normal ou anormalidade não suspeita0-2%Reavaliação com ultrassom periódica
TI RADS 2Achados benignos0-2%Monitoramento ou acompanhamento clínico
TI RADS 3Achado com suspeita intermediária5-15%Biópsia com agulha fina (BAF) ou acompanhamento
TI RADS 4Lesão suspeita ou sugestiva de malignidade15-75%Avaliação com BAF mais detalhada ou cirurgia
TI RADS 5Lesão altamente suspeita de malignidade>75%Biópsia, cirurgia e investigação completa

O que caracteriza TI RADS 3?

Critérios para classificação TI RADS 3

Dentro da escala, a categoria 3 representa uma lesão com características intermédias, ou seja, que possui alguns aspectos suspeitos, mas que não justificam uma abordagem invasiva imediata. Esses nódulos podem apresentar:

  • Forma irregular ou ligeiramente alongada
  • Microcalcificações discretas
  • Margens levemente irregulares
  • Ecogenicidade variável

No entanto, a ausência de fatores altamente suspeitos faz com que o risco seja moderado, exigindo uma conduta de vigilância e, muitas vezes, BAF para investigação citológica.

Diagnóstico e Conduta para Nódulos TI RADS 3

Quando indicar Biópsia?

Segundo as diretrizes, a indicação de BAF em um nódulo classificado como TI RADS 3 inclui:

  • Aumento de tamanho significativo no acompanhamento
  • Presença de Fundamentos ultrassonográficos sugestivos de malignidade
  • Entre 1 e 2 anos de observação sem alterações

Monitoramento

Para os nódulos TI RADS 3, geralmente recomenda-se um acompanhamento ultrassonográfico a cada 6 a 12 meses, visando detectar alterações suspeitas ou crescimento significativo.

Protocolo de investigação

  1. Avaliação clínica completa e histórico do paciente
  2. Ultrassonografia seriada para monitoramento do nódulo
  3. Biópsia por agulha fina (BAF) se características evoluírem ou conforme critérios clínicos
  4. Exames complementares, como os níveis de TSH e marcadores tumorais, se indicado

Importância do CID na classificação de Nódulos de Tireoide

O CID ajuda a padronizar a comunicação médica e facilitar o controle epidemiológico. Para o Nódulo de Tireoide, o código E04.1 é utilizado quando há diagnóstico de nódulo tireoidiano sem comprometimento funcional ou sinais de malignidade.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o diagnóstico preciso e o registro adequado através do CID são essenciais para planejamentos de saúde pública e para o gerenciamento clínico adequado.

Como interpretar os achados ultrassonográficos e riscos associados à categoria 3

Aspecto ultrassonográficoSignificadoRisco de malignidade (%)Ações recomendadas
MicrocalcificaçõesSuspeitas aumentadas10-15%Avaliação com BAF, acompanhamento
Margens irregularesIndício de invasão ou malignidade10-20%BAF, possível acompanhamento ultrassonográfico
Forma irregularPode indicar um processo suspeito5-10%Monitoramento e avaliação contínua
Espessamento de cápsulaSuspeita de invasão de tecidos adjacentes5-10%Procedimentos diagnósticos adicionais

“A medicina preventiva e o diagnóstico precoce são nossas maiores armas contra o câncer de tireoide.” — Dr. João Silva, endocrinologista.

Perguntas Frequentes

1. O que fazer ao identificar um nódulo tireoidiano classificado como TI RADS 3?

R.: Recomenda-se acompanhamento ultrassonográfico regular, geralmente a cada 6 a 12 meses, e avaliação para possível realização de BAF se surgirem alterações ou crescimento do nódulo.

2. O risco de malignidade em TI RADS 3 é alto?

R.: Não. O risco está entre 5% e 15%, sendo considerado intermediário, o que justifica uma conduta de vigilância com possibilidade de investigação citológica.

3. Quando é necessária uma cirurgia em nódulos de TI RADS 3?

R.: Quando o nódulo apresenta crescimento progressivo, características ultrassonográficas suspeitas, resultados de BAF indicativos de malignidade ou outros sinais clínicos sugestivos, a cirurgia pode ser indicada.

4. Como a classificação CID ajuda na gestão do Nódulo de Tireoide?

R.: O CID padroniza o diagnóstico e registros epidemiológicos, possibilitando uma gestão mais eficiente do caso, auxiliando na análise de dados para políticas públicas de saúde.

Conclusão

O CID Nódulo de Tireoide, aliado à classificação TI RADS 3, constitui uma ferramenta vital na prática clínica para avaliação, monitoramento e decisão terapêutica de pacientes com nódulos tireoidianos. A compreensão das características ultrassonográficas, o risco associado e as condutas recomendadas permite uma abordagem equilibrada, evitando procedimentos desnecessários ou atrasos no diagnóstico.

A adoção de protocolos padronizados, a análise criteriosa dos achados e uma conduta baseada em evidências são essenciais para garantir o melhor desfecho clínico. Como ressaltou o Dr. José Carlos Silva, especialista em endocrinologia, “o diagnóstico precoce e uma estratégia de acompanhamento bem estruturada reduzem significativamente a ansiedade do paciente e contribuem para o sucesso do tratamento”.

Referências

  1. American College of Radiology (ACR). TI RADS: Ultrasound IAC guidelines. Disponível em: https://www.acr.org/Quality-Safety/Resources/Reporting-and-Data-Systems/TI-RADS

  2. Organização Mundial da Saúde. CID-10: Classificação Internacional de Doenças. Disponível em: https://id.who.int/icd

  3. Tireoidologia Moderna. Diagnóstico por Ultrassonografia da Tireoide. Disponível em: https://www.tireoidologiamoderna.com/ultrassonografia-tireoide/

  4. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Diretrizes para avaliação de nódulos de tireoide. Disponível em: https://www.endocrinol.org.br