CID N92: Diagnóstico e Tratamento de Transtornos de Sono
Os transtornos do sono representam uma preocupação crescente na saúde pública mundial, afetando milhões de pessoas de diferentes idades e estilos de vida. Entre esses transtornos, o CID N92 refere-se especificamente a condições que envolvem alterações na frequência ou qualidade do sono, causando impacto significativo na saúde física, mental e na qualidade de vida do indivíduo. Compreender o CID N92, suas causas, sintomas, diagnósticos e opções de tratamento é fundamental para promover uma intervenção eficaz e melhorar o bem-estar dos pacientes.
Este artigo explora em detalhes o CID N92, abordando desde sua definição até as estratégias de tratamento mais atualizadas, além de fornecer dicas práticas para quem enfrenta problemas relacionados ao sono.

O que é o CID N92?
Definição e classificação
O CID N92 é uma classificação utilizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que se refere aos transtornos do ritmo circadiano do sono. Estes transtornos envolvem alterações nos padrões de sono, levando a dificuldades em iniciar ou manter o sono ou até mesmo a uma incompatibilidade entre o horário de sono e as atividades diárias.
Segundo a classificação internacional de doenças (CID-10), o código N92 abrange diversos distúrbios que afetam o ciclo sono-vigília, incluindo:
- Insônia
- Hipersonia
- Desajustes do ritmo circadiano: por exemplo, o distúrbio do sono por trabalho por turnos
- Síndrome do atraso de fase do sono
- Síndrome do adiantamento de fase do sono
Importância do diagnóstico correto
A correta classificação dos transtornos de sono sob o CID N92 possibilita uma abordagem terapêutica mais eficaz, direcionando tratamentos específicos para cada tipo de transtorno, além de facilitar o acompanhamento clínico e a coleta de dados epidemiológicos.
Causas dos Transtornos de Sono CID N92
As causas dos transtornos classificados sob o CID N92 são multifatoriais, podendo envolver fatores biomecânicos, ambientais, comportamentais e psicoemocionais.
Fatores fisiológicos
- Alterações nos mecanismos neuroquímicos que regulam o ciclo sono-vigília
- Problemas com o relógio biológico interno
- Condições médicas como apneia do sono, síndrome das pernas inquietas e outras doenças neurológicas
Fatores ambientais e comportamentais
- Exposição irregular a luz e escuridão
- Uso excessivo de dispositivos eletrônicos antes de dormir
- Consumo de substâncias estimulantes como cafeína e álcool próximo ao horário de dormir
- Trabalho por turnos ou horários irregulares
Fatores psicoemocionais
- Estresse excessivo
- Ansiedade
- Depressão
Sintomas mais comuns
Os sintomas variam dependendo do tipo de transtorno do sono, mas alguns sinais frequentes incluem:
| Sintomas | Descrição |
|---|---|
| Dificuldade para dormir | Insônia, dificuldade em iniciar ou manter o sono |
| Sonolência excessiva | Sensação constante de sono durante o dia |
| Fadiga e cansaço | Sensação de exaustão mesmo após horas de descanso |
| Dificuldade de concentração | Problemas de atenção e memória |
| Alterações de humor | Irritabilidade, ansiedade, depressão |
| Desregulação do ciclo sono-vigília | Descompasso entre horário de dormir e atividade diária |
Diagnóstico do CID N92
Avaliação clínica
O primeiro passo para o diagnóstico é a entrevista detalhada com o paciente, na qual se investiga o histórico de sono, rotina diária, fatores ambientais e emocionais, além de uma análise dos sintomas apresentados.
Exames complementares
- Polissonografia: estudo do sono realizado durante a noite para avaliar diferentes fases do sono e identificar possíveis distúrbios concomitantes.
- Actigrafia: monitoramento do ciclo sono-vigília por um período de até duas semanas.
- Questionários e escalas de avaliação: instrumentos específicos, como o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh, auxiliam na quantificação dos sintomas.
Critérios diagnósticos
De acordo com o DSM-5 e critérios da CID-10, o diagnóstico envolve a presença de sintomas persistentes por mais de três meses, que causem prejuízos significativos na rotina do paciente.
Tratamento dos Transtornos de Sono CID N92
O tratamento varia conforme o tipo de transtorno, sua causa e a gravidade dos sintomas. A abordagem geralmente multidisciplinar envolve orientações comportamentais, uso de medicações e, em alguns casos, terapias complementares.
Mudanças no estilo de vida e higiene do sono
- Manter horários regulares para dormir e despertar
- Evitar estimulantes à noite
- Criar um ambiente propício ao sono: escuro, silencioso e ventilado
- Limitar o uso de telas antes de dormir
Terapias comportamentais e cognitivas (TCC)
A terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) é considerada uma das intervenções mais eficazes, ajudando o paciente a identificar e modificar pensamentos e comportamentos que prejudicam o sono.
Uso de medicamentos
A farmacoterapia deve ser utilizada sob orientação médica, com avaliação de riscos e benefícios. Pode incluir:
| Tipo de medicamento | Exemplos | Considerações |
|---|---|---|
| Hipnóticos benzodiazepínicos | Diazepam, lorazepam | Uso a curto prazo para evitar dependência |
| Agentes não-benzodiazepínicos | Zolpidem, zaleplon | Geralmente mais seguros para uso pontual |
| Antidepressivos sedativos | Trazodona | Para transtornos com componente depressivo |
| Medicamentos para distúrbios específicos | Levodopa (síndrome das pernas inquietas) | Tratamento de condições associadas |
Intervenções adicionais
- Fototerapia: uso de luz controlada para regular o ritmo circadiano
- Estimulação de rotina: manter horários consistentes de alimentação e atividades diárias
Prevenção e dicas práticas
- Regularidade: mantenha horários consistentes de sono e vigília
- Ambiente adequado: invista em um quarto escuro, silencioso e confortável
- Evitar estimulantes: cafeína, nicotina e álcool à noite
- Tecnologia: limite o uso de aparelhos eletrônicos antes de dormir, preferindo atividades relaxantes como leitura ou meditação
- Atividade física: exercite-se durante o dia, mas evite exercícios intensos perto da hora de dormir
- Gerenciamento do estresse: técnicas de relaxamento, terapia e mindfulness podem ser eficazes
Perguntas Frequentes
1. O que é o CID N92?
O CID N92 é um código utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que abrange transtornos do ritmo circadiano do sono, incluindo insônia, hipersonia e outros distúrbios relacionados ao ciclo sono-vigília.
2. Quais são as causas mais comuns do CID N92?
As principais causas incluem fatores fisiológicos, ambientais, comportamentais e psicoemocionais, como estresse, uso de dispositivos eletrônicos, horários irregulares de trabalho e condições médicas associadas.
3. Como é feito o diagnóstico desses transtornos?
Através de avaliação clínica detalhada, exames complementares como polissonografia e actigrafia, além de questionários específicos que auxiliam na identificação e classificação do transtorno.
4. Quais são as opções de tratamento mais eficazes?
Mudanças na rotina e higiene do sono, terapia cognitivo-comportamental, medicamentos sob orientação médica e intervenções específicas como fototerapia e estimulação de rotina.
5. Como prevenir problemas relacionados ao sono?
Manter uma rotina regular, criar um ambiente propício ao sono, evitar estimulantes à noite, limitar o uso de telas e gerenciar o estresse são estratégias importantes.
Conclusão
Os transtornos de sono classificados sob o CID N92 representam uma condição complexa, cuja incidência e impacto na qualidade de vida demandam atenção especializada. O diagnóstico precoce, aliado a uma abordagem multidisciplinar que inclui mudanças de hábitos, terapia e, quando necessário, medicação, pode promover melhorias significativas na qualidade do sono e na saúde geral do paciente.
A compreensão sobre o CID N92 também reforça a importância de hábitos saudáveis para o sono e a necessidade de ações preventivas, sobretudo em uma sociedade cada vez mais atarefada e conectada.
Se você enfrenta dificuldades para dormir ou sintomas relacionados, procure orientação médica especializada para uma avaliação completa.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-10). Geneva, 2019.
- American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5). 2013.
- Rechtschaffen, A., & Kales, A. (1968). A manual of standardized terminology, techniques and scoring system for sleep stages of human subjects. Public Health Service, U.S. Government Printing Office.
- Morin, C. M., Colella, B., & Savard, J. (2006). Insomnia. In J. M. Hersen & T. J. Barlow (Eds.), Handbook of Clinical Psychology (pp. 105-133). Elsevier.
Para mais informações sobre saúde do sono e tratamentos eficazes, consulte o portal Sociedade Brasileira de Sono e National Sleep Foundation Brasil.
MDBF