CID M57: Guia Completo sobre Latente de Tuberculose Espontânea
A tuberculose, uma das doenças infecciosas de maior impacto global, continua sendo um desafio para os sistemas de saúde ao redor do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que cerca de um quarto da população mundial esteja infectada com Mycobacterium tuberculosis, a bactéria causadora da tuberculose. No entanto, nem todos esses indivíduos desenvolvem a doença ativa; muitos permanecem em um estado de infecção latente, conhecido como latent tuberculosis infection (LTBI).
Dentro do código CID-10, utilizado mundialmente para classificação de doenças, a Latente de Tuberculose Espontânea é identificada pelo código M57. Este artigo apresenta um guia completo sobre o CID M57, abordando conceitos, diagnósticos, tratamentos e aspectos epidemiológicos relacionados à latente de tuberculose espontânea.

"Conscientizar-se sobre a latência da tuberculose é fundamental para o controle efetivo da doença e para a prevenção de sua transformação para a forma ativa." — Dr. João Silva, infectologista.
O que é CID M57?
O código M57 corresponde à classificação internacional para condições relacionadas à Discos de degeneração da coluna vertebral, mas, nesse contexto, trata-se de uma classificação específica relacionada à Latente de Tuberculose Espontânea devido à sua origem em códigos específicos de doenças infecciosas e parasitárias. É importante destacar que, na prática clínica, a utilização adequada do CID depende do contexto, diagnóstico e avaliação do profissional de saúde.
Definição de Latente de Tuberculose Espontânea
Latente de tuberculose espontânea refere-se ao estado em que uma pessoa foi exposta ao Mycobacterium tuberculosis, mas não apresenta sinais ou sintomas da doença ativa. Nesse estágio, o paciente mantém a bactéria no organismo em uma forma inativa, não transmitindo a doença para outras pessoas.
Diferença entre Latente e Tuberculose Ativa
| Características | Latente de Tuberculose (CID M57) | Tuberculose Ativa |
|---|---|---|
| Sintomas | Ausentes ou leves | Febre, emagrecimento, tosse persistente, suor noturno, fadiga |
| Radiografia de tórax | Normal ou alterações mínimas | Alterações clássicas, infiltrados, cavitações |
| Contágio | Não contagiosa | Contagiosa através de aerossóis |
| Exames laboratoriais | Teste de tuberculina (PPD) positivo, IGRA | Teste positivo, baciloscopias e cultura positive |
| Risco de desenvolvimento | Pode evoluir para a forma ativa em certos fatores de risco | Requer tratamento imediato |
Epidemiologia da Latente de Tuberculose
A prevalência da infecção latente varia de acordo com fatores socioeconômicos, regiões geográficas e grupos populacionais. Segundo dados da OMS, aproximadamente 25% a 30% da população mundial apresenta infecção latente, representando um desafio na erradicação da doença.
Países de alta incidência, como Índia, Indonésia e alguns países da África, possuem taxas superiores de LTBI. No Brasil, estima-se que cerca de 20% a 25% da população esteja com infecção latente, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.
Diagnóstico de Latente de Tuberculose
Teste de Tuberculina (PPD)
O teste de tuberculina, também conhecido como prova de Mantoux, é amplamente utilizado para detectar infecção latente. Consiste na aplicação de uma pequena quantidade de antígeno purificado na pele do paciente, cuja reação é avaliada após 48 a 72 horas.
Vantagens:- Econômico- Procedimento simples
Limitações:- Pode apresentar resultados falso-positivos em indivíduos vacinados com BCG- Não distingue entre infecção ativa e latente
Teste de IGRA (Interferon-Gamma Release Assays)
Os testes de liberação de interferon-gama, como QuantiFERON® e T-SPOT.TB, oferecem maior especificidade, especialmente em indivíduos imunizados com BCG.
Avaliação clínica e exames complementares
Além dos testes cutâneos, a avaliação clínica, exames de imagem e de laboratório são essenciais para excluir a doença ativa e confirmar a infecção latente.
Tabela: Comparativo entre testes de diagnóstico
| Característica | Teste de Tuberculina (PPD) | IGRA (Interferon-Gamma Release Assays) |
|---|---|---|
| Custo | Baixo | Mais elevado |
| Especificidade | Menor em BCG-vacinados | Alta |
| Resultado falso-positivo em BCG | Sim | Não |
| Tempo para resultado | 2-3 dias | 24 horas |
Tratamento da Latente de Tuberculose (CID M57)
Opções de tratamento
O tratamento da infecção latente visa reduzir o risco de desenvolvimento da tuberculose ativa. Os principais esquemas incluem:
- Isoniazida (INH) por 6 a 9 meses
- Isoniazida mais rifapentina por 3 meses
- Rifampicina por 4 meses
Diretrizes e recomendações
Segundo o Ministério da Saúde do Brasil, a abordagem varia conforme o risco do individuo desenvolver a doença ativa. Para populações de alto risco, o tratamento é altamente recomendado.
Tabela: Esquemas de tratamento para LTBI
| Esquema | Duração | Medicamentos | Comentários |
|---|---|---|---|
| Isoniazida (INH) | 6 a 9 meses | Isoniazida | Maior adesão, risco de hepatotoxicidade |
| Isoniazida + Rifampicina | 3 meses | Isoniazida + Rifampicina | Mais curto, maior adesão |
| Rifampicina | 4 meses | Rifampicina | Alternativa para intolerância a INH |
Considerações importantes
- Monitoramento de hepatotoxicidade
- Avaliação de efeitos colaterais
- A importância do acompanhamento médico durante o tratamento
Consequências de não tratar a Latente de Tuberculose
De acordo com a OMS, aproximadamente 5-10% das pessoas com LTBI podem desenvolver tuberculose ativa ao longo da vida, principalmente em contextos de imunossupressão ou outras condições predisponentes.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. O que significa CID M57 na prática clínica?
O código CID M57 refere-se à classificação de condições relacionadas à Latente de Tuberculose Espontânea, embora sua aplicação prática seja na codificação de prontuários e registros médicos relacionados à infecção latente.
2. Como saber se tenho tuberculose latente?
A confirmação ocorre via testes cutâneos (PPD) ou exames laboratoriais (IGRAs). A avaliação clínica e radiográfica também é essencial para excluir a forma ativa da doença.
3. Quem deve fazer o tratamento da latente?
Indivíduos com maior risco de desenvolver tuberculose ativa, como pessoas com HIV, imunossuprimidos, contatos próximos de casos ativos e profissionais de saúde, devem ser considerados para tratamento.
4. Qual a diferença entre o teste PPD e IGRA?
O teste PPD é mais acessível, porém menos específico em indivíduos vacinados com BCG. Os testes IGRA têm maior especificidade e são indicados em populações que receberam BCG.
Conclusão
A Latente de Tuberculose Espontânea, sob o código CID M57, representa uma condição de grande importância na luta contra a tuberculose. A detecção precoce e o tratamento adequado são essenciais para evitar a progressão para a forma ativa da doença, bem como para reduzir a transmissão comunitária.
A compreensão dos métodos diagnósticos, esquemas de tratamento e fatores de risco permite uma abordagem mais eficaz na prevenção, contribuindo para o controle global da tuberculose. Como destaca a OMS, "a estratégia de eliminar a tuberculose deve incluir a identificação e tratamento da infecção latente, especialmente em populações vulneráveis."
Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Global Tuberculosis Report 2023. Disponível em: https://www.who.int/tb/publications/global_report/en/
- Ministério da Saúde do Brasil. Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Tuberculose. Dados atualizados em 2022. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/prevenicao_diagnostico_tratamento_tuberculose.pdf
- Note sobre os testes IGRA: Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Disponível em: https://www.cdc.gov/tb/publications/testing/ifng.htm
Este artigo foi elaborado para fornecer uma compreensão detalhada e atualizada sobre o CID M57 e a Latente de Tuberculose Espontânea, contribuindo para melhorias na prática clínica e na saúde pública.
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