CID: Lesão Cutânea - Guia Completo Sobre Diagnóstico e Tratamento
As lesões cutâneas representam um dos motivos mais frequentes de procura por atendimento médico e podem variar desde pequenas irritações até quadros mais graves que requerem investigação especializada. No Sistema de Classificação Internacional de Doenças (CID), as lesões cutâneas estão agrupadas em diferentes códigos, possibilitando uma padronização no registro, diagnóstico e tratamento dessas condições. Este artigo visa fornecer um guia completo sobre o tema, abordando conceitos, diagnóstico, opções de tratamento e orientações para profissionais e pacientes interessados em compreender melhor as lesões cutâneas segundo as categorias do CID.
O que é uma lesão cutânea?
As lesões cutâneas representam qualquer alteração na pele que possa ser causada por infecções, inflamações, neoplasias, traumas ou outras condições médicas. Elas podem manifestar-se de várias formas — manchas, pápulas, nódulos, ulcerações, entre outros — e seu reconhecimento preciso é fundamental para um diagnóstico eficaz.

Classificação das Lesões Cutâneas segundo o CID
O CID-10 categoriza as lesões cutâneas em diversos capítulos, dependendo de sua origem e características:
| Categoria CID | Descrição | Exemplos |
|---|---|---|
| L00-L99 | Doenças da pele e do tecido subcutâneo | Acne, psoríase, herpes zoster |
| R20-R23 | Alterações na sensibilidade cutânea | Hipestesia, parestesia |
| D00-D09 | Neoplasias intraepiteliais da pele | Carcinoma in situ |
| D10-D36 | Neoplasias benignas, de outros locais e de pele | Melanoma, nevo benigno |
Neste artigo, focaremos principalmente nas lesões relacionadas às doenças de pele não neoplásicas, visando detalhar os principais diagnósticos e condutas.
Diagnóstico de Lesões Cutâneas
Anamnese e exame clínico
O diagnóstico inicia-se com uma coleta detalhada da história clínica, incluindo início, evolução, fatores desencadeantes, sintomas associados (coceira, dor), histórico de doenças anteriores e exposição a agentes irritantes ou infecciosos.
O exame físico deve ser minucioso, observando características como:
- Forma
- Tamanho
- Cor
- Borda
- Distribuição
- Presença de exsudato ou crostas
- Umedecimento ou descamação
Exames complementares
Para confirmação diagnóstica, podem ser necessários exames complementares:
| Exame | objetivo | Quando solicitar |
|---|---|---|
| Derma-biopsia | Confirmar diagnóstico histopatológico | Lesões suspeitas de neoplasia ou não diagnóstico claro |
| Cultura de pele | Detectar infecção bacteriana ou fúngica | Presença de pustulas ou feridas com suspeita de infecção |
| Exames imunológicos | Avaliar doenças autoimunes relacionadas à pele | Lesões em padrões específicos (ex. lúpus) |
| Fotografia dermatoscópica | Auxiliar na avaliação de nevos e melanoma | Seguimento de lesões suspeitas |
Classificação das principais lesões cutâneas
A classificação correta é essencial para determinar o tratamento adequado. Algumas categorias de lesões comuns incluem:
- Matinais: manchas assimétricas, plano, de cor variável.
- Pápulas e nódulos: elevações sólidas, de diferentes tamanhos.
- Vesículas e pústulas: lesões elevadas, cheias de líquido ou pus.
- Ulceras e crostas: perdas de conteúdo da pele, geralmente com crosta.
- Cistos: estruturas encapsuladas, presenciais ou não na pele.
Tratamento das Lesões Cutâneas
O tratamento varia de acordo com a etiologia, a gravidade e a localização da lesão. A seguir, apresentamos as principais abordagens terapêuticas.
Tratamento clínico
Inclui o uso de medicamentos tópicos e sistêmicos, além de cuidados gerais de higiene.
Medicamentos tópicos
- Corticosteroides para inflamações e alergias
- Antissépticos para infecções superficiais
- Antifúngicos e antibióticos tópicos, de acordo com o agente causal
- Emolientes para hidratação da pele seca e descamada
Medicamentos sistêmicos
- Antibióticos para infecções bacterianas
- Antivirais para herpes-zoster e herpes simples
- Imunomoduladores em quadros autoimunes
- Corticosteroides orais ou imunossupressores
Tratamento cirúrgico
Indicado para remoção de lesões benignas, neoplasias suspeitas, cistos ou ulcerações que não respondem ao tratamento clínico.
Tratamentos complementares
- Fototerapia
- Laser
- Terapia de luz pulsada
Cuidados gerais
- Evitar trauma na lesão
- Manter higiene adequada
- Usar protetor solar na presença de lesões pigmentadas
- Orientações de acompanhamento com dermatologista
Exemplos de Lesões Cutâneas segundo o CID e seus Cuidados
A seguir, uma tabela com exemplos de condições, seus códigos CID, causas, sinais clínicos e tratamento indicado:
| Condição | Código CID | Causas | Sinais Clínicos | Tratamento |
|---|---|---|---|---|
| Acne vulgaris | L70 | Hormonais, pele oleosa | Pápulas, pústulas, cravos | Tópicos, sistêmicos, cuidados de higiene |
| Herpes zoster | B02 | Vírus varicela-zoster | Dor, vesículas agrupadas | Antivirais, analgésicos |
| Psoríase | L40 | Autoimune, fator genético | Escamas pruriginosas, placas | Corticosteroides, fototerapia |
| Melanoma | C43 | Radiação UV, fatores genéticos | Nevo que muda de cor ou tamanho | Cirurgia, imunoterapia |
| Lesões de pele por HPV | A63.0 | Vírus HPV | Verrugas, lesões exofíticas | Congelamento, ácido salicílico |
Perguntas Frequentes sobre Lesões Cutâneas
1. Quando devo procurar um dermatologista?
Sempre que notar alterações na pele que persistem, mudam de tamanho, cor ou forma, ou que causam dor, prurido ou sangramento.
2. Como diferenciar uma lesão benigna de uma suspeita de câncer de pele?
Lesões suspeitas geralmente apresentam mudanças rápidas, bordas irregulares, cores variadas ou crescimento acelerado. Consulte um especialista para avaliação e possível biópsia.
3. É possível prevenir lesões cutâneas?
Sim. Uso de protetor solar, evitar exposição excessiva ao sol, higiene adequada, e acompanhamento regular são medidas preventivas efetivas.
4. Quais as principais doenças de pele que podem deixar cicatrizes permanentes?
Herpes zoster, acne severa, verrugas genitais, queimaduras e alguns tipos de câncer de pele.
Conclusão
As lesões cutâneas são manifestações clínicas diversas e, muitas vezes, indicam condições que vão de benignas a graves. A classificação correta e o diagnóstico precoce são essenciais para uma intervenção eficaz. O Sistema de Classificação Internacional de Doenças (CID) auxilia na padronização do registro, facilitando o monitoramento epidemiológico e a pesquisa clínica.
Profissionais de saúde devem estar atentos às características das lesões para orientar adequadamente os pacientes e indicar os exames complementares necessários. O tratamento, seja clínico ou cirúrgico, deve ser individualizado, considerando sempre a origem da lesão, o estágio da condição e as necessidades do paciente.
Como disse o renomado dermatologista Dr. Alfredo Halpern, “A cura de uma lesão de pele muitas vezes depende do diagnóstico preciso e da abordagem multidisciplinar.” Portanto, a atenção às mudanças cutâneas deve ser prioridade para garantir saúde e bem-estar.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. CID-10 Manual. https://icd.who.int/browse10/2019/en
- Bolognia, J. L., Schaffer, J. V., & Cerroni, L. (2018). Dermatology. Elsevier.
- Silva, J. P. et al. (2020). Diagnóstico e manejo de lesões de pele. Revista Brasileira de Dermatologia, 96(3), 317-328.
- Sociedade Brasileira de Dermatologia. Guia de Condutas em Dermatologia. https://sbdd.org.br
- Silverstein, M., et al. (2015). Melanoma: Diagnosis and Management. Journal of Clinical Oncology, 33(16), 1796-1804.
Este conteúdo é importante para a compreensão e manejo de lesões cutâneas, podendo auxiliar tanto profissionais quanto pacientes na busca por esclarecimento e assistência adequada.
MDBF