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CID Leishmaniose Cutânea: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

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A leishmaniose cutânea é uma doença parasitária que representa um importante problema de saúde pública em várias regiões do Brasil e do mundo. Causada pelo protozoário Leishmania, ela é transmitida pela picada de insetos vetores, principalmente fêmeas do gênero Lutzomyia. O Código Internacional de Doenças (CID) referente a essa condição é o B55.0 (Leishmaniose cutânea), sendo fundamental entender seus aspectos clínicos, epidemiológicos, diagnósticos e terapêuticos para um manejo adequado.

Este artigo visa fornecer informações detalhadas sobre a CID da leishmaniose cutânea, direcionando profissionais de saúde, estudantes e o público geral interessados no tema. Abordaremos sintomas, formas de diagnóstico, opções de tratamento e estratégias de prevenção, além de responder às perguntas mais frequentes sobre a doença.

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O que é a Leishmaniose Cutânea?

A leishmaniose cutânea é uma infecção causada pelo protozoário Leishmania, transmitida por insetos flebótomos infectados. Após a picada, o parasita invade os macrófagos da pele, formando lesões que podem evoluir de diversas formas. É considerada uma das principais doenças zoonóticas do Brasil e apresenta prevalência em diversas regiões, especialmente na área amazônica, Centro-Oeste e Nordeste.

Estatísticas recentes indicam que a leishmaniose cutânea acomete milhares de pessoas anualmente, provocando impactos sociais e de saúde significativa.

Etiologia e Vetores

O parasita Leishmania possui várias espécies, algumas das quais estão associadas exclusivamente à forma cutânea da doença, como L. major e L. tropica (predominantes em outros continentes), enquanto no Brasil a espécie mais comum é L. braziliensis. A transmissão ocorre através da picada do inseto vetor, que se infecta ao se alimentar do sangue de animais silvestres ou humanos infectados.

Panorama epidemiológico

Segundo dados do Ministério da Saúde, a leishmaniose visceral e cutânea apresenta concentração elevada em regiões específicas, sendo considerada uma doença de notificação compulsória. Sua incidência tem aumentado devido a fatores como desmatamento, urbanização desordenada e mudanças climáticas.

Sintomas da Leishmaniose Cutânea (CID B55.0)

Os sintomas podem variar dependendo da espécie do parasita, do sistema imunológico do infectado e do tempo de infecção. A manifestação clínica principal é a formação de lesões na pele, que podem evoluir de diferentes formas.

H3: Lesões Cutâneas

As lesões iniciais surgem geralmente no local da picada, com vermelhidão e edema, evoluindo para uma úlcera de bordas elevadas e centro necrosado. Com o tempo, podem formar cicatrizes permanentes se não tratadas.

H3: Outros Sintomas Associados

Algumas formas da doença podem apresentar sintomas adicionais, como:

  • Prurido (coceira)
  • Descamação da pele ao redor da lesão
  • Dor localizada (em alguns casos)
  • Formação de pápulas, nódulos ou placas pré-ulceradas

H3: Manifestação de formas paucibacilares e multibacilares

Embora a leishmaniose cutânea seja predominantemente localizada, ocasionalmente pode evoluir para formas mais graves, especialmente em imunossuprimidos, com múltiplas lesões ou comprometimento de mucosas (quando há a forma mucocutânea).

Diagnóstico da CID Leishmaniose Cutânea

O diagnóstico precoce e preciso é essencial para evitar complicações e cicatrizes permanentes.

H2: Métodos de diagnóstico

MétodoDescriçãoVantagensDesvantagens
Exame ClínicoAvaliação das lesões na pele e história clínicaRápido e de fácil realizaçãoPode não ser conclusivo sem exames complementares
Coloração de raspados ou biópsia de pelePesquisa do parasita na amostra de tecido ou material de lesãoAlta especificidadeRequer laboratório bem equipado
Teste de Montenegro (leishmaniose Montenegro)Teste intradérmico que evidencia resposta imune ao parasita na peleEconômico, de fácil execuçãoPode apresentar resultados falso-negativos em imunossuprimidos
SorologiaDetecção de anticorpos específicos contra LeishmaniaAuxilia no diagnóstico quando a lesão é amplamente disseminadaMenor sensibilidade em formas primárias
Cultura de LeishmaniaIsolamento do parasita em meios específicosDiagnóstico definitivoDemorado e requer técnicas especiais
PCR (Reação em Cadeia da Polimerase)Diagnóstico molecular do DNA do parasitaAlta sensibilidade e especificidadeCusto elevado e necessidade de tecnologia avançada

Importante: O diagnóstico deve ser realizado por profissionais de saúde qualificados, considerando a história clínica e exames laboratoriais complementares.

Tratamento da CID Leishmaniose Cutânea

O tratamento adequado é fundamental para a resolução da lesão, cicatrização adequada e prevenção de complicações.

H2: Opções de tratamento

H3: Tratamento clínico

  • Pentecostais (como antimoniais pentavalentes): utilizados há décadas, são considerados padrão-ouro na maioria dos casos.
  • Azólicos tópicos ou sistêmicos: utilizados em casos leves ou para auxiliar na cicatrização.
  • Imunoterapia: em alguns casos, associados ao tratamento medicamentoso.

H3: Tratamento cirúrgico ou de curta duração

  • Procedimentos como curetagem ou crioterapia podem ser considerados em certos casos.

H2: Cuidados durante o tratamento

  • Manter higiene adequada da área
  • Evitar trauma na lesão
  • Uso de protetor solar na cicatriz para evitar hiperpigmentação

“O tratamento precoce da leishmaniose cutânea reduz significativamente o risco de cicatrizes permanentes e complicações secundárias.” — Ministério da Saúde

H3: Resultados esperados

A maioria das lesões cicatriza após o tratamento, embora possam surgir cicatrizes permanentes dependendo da profundidade e duração da lesão.

Prevenção da Leishmaniose Cutânea

A prevenção deve ser voltada à redução do contato com vetores e ao manejo de ambientes de risco.

H2: Medidas de proteção individual

  • Uso de roupas que cubram braços e pernas
  • Aplicação de repelentes próprios para insetos
  • Uso de telas e mosquiteiros em áreas de risco
  • Evitar atividades ao ar livre ao amanhecer e entardecer

H2: Controle ambiental

  • Eliminação de criadouros de flebótomos
  • Manutenção de áreas limpas e livres de lixo
  • Campanhas de combate ao vetor e zoonoses

Para maiores informações, consulte Ministério da Saúde - Leishmaniose.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. A leishmaniose cutânea é contagiosa de pessoa para pessoa?

Resposta: Não. A transmissão ocorre por vetores, não por contato direto entre pessoas.

2. Quanto tempo leva para uma lesão cicatrizar após o tratamento?

Resposta: O tempo varia, mas na maioria dos casos, as lesões começam a cicatrizar em até 8 semanas após o início do tratamento.

3. É possível prevenir a leishmaniose com vacinas?

Resposta: Atualmente, há pesquisas em andamento, mas ainda não existe uma vacina disponível comercialmente para uso amplo.

4. Quais são os riscos de não tratar a leishmaniose cutânea?

Resposta: Pode levar a cicatrizes permanentes, infecções secundárias, disseminação da doença ou progressão para formas mais graves (como a mucocutânea).

Conclusão

A leishmaniose cutânea, classificada pelo CID B55.0, representa um desafio relevante na saúde pública, especialmente em regiões rurais e de difícil acesso. O diagnóstico precoce, aliado ao tratamento adequado, pode evitar complicações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Medidas preventivas focadas na proteção individual e no controle ambiental são essenciais para reduzir a incidência da doença.

A informação e a conscientização da população, acompanhadas de ações governamentais eficazes, são estratégias cruciais para o controle dessa zoonose.

Referências

  1. Ministério da Saúde. (2023). Leishmaniose. Disponível em: https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/leishmaniose

  2. Brasil. Ministério da Saúde. (2021). Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose. Brasília: Ministério da Saúde.

  3. WHO. Leishmaniasis. World Health Organization. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/leishmaniasis

  4. Fraga, L. M., & Silva, M. G. (2020). Diagnóstico e tratamento da leishmaniose cutânea. Revista Brasileira de Dermatologia, 96(3), 276-283.

Lembre-se: Sempre procure orientação de um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequado.