CID K075: Guia Completo Sobre o Diagnóstico e Tratamento
A classificação internacional de doenças (CID) é uma ferramenta fundamental na área da saúde, utilizada para padronizar diagnósticos, facilitar registros estatísticos e orientar tratamentos médicos. Entre os diversos códigos presentes na CID-10, o CID K075 refere-se à convulsão febril. Apesar de ser uma condição comum em crianças, muitas dúvidas ainda cercam seu diagnóstico, tratamento e prognóstico. Este artigo oferece um guia completo sobre o CID K075, abrangendo aspectos clínicos, diagnósticos, tratamentos e recomendações específicas, garantindo uma compreensão aprofundada para profissionais de saúde, estudantes e familiares.
O que é o CID K075?
O CID K075 corresponde ao diagnóstico de convulsão febril, uma alteração neurológica que ocorre em crianças e adolescentes durante episódios de febre, geralmente sem uma causa aparente de doença neurológica subjacente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as convulsões febris acontecem em cerca de 2-5% das crianças, sendo uma das principais causas de convulsões em menores de 5 anos.

Definição de Convulsão Febril
- Convulsão febril é uma crise convulsiva associada a febre, que ocorre em crianças entre 6 meses e 5 anos de idade, sem evidência de infecção no sistema nervoso central (SNC) ou outras causas neurológicas.
Diagnóstico do CID K075
Critérios Diagnósticos
Para classificar uma convulsão como parte do CID K075, devem ser atendidos os seguintes critérios:
| Critério | Descrição |
|---|---|
| Idade | Entre 6 meses e 5 anos (com variações) |
| Febre | Temperatura corporal > 38ºC |
| Crise | Convulsão geral ou parcial simples |
| Diagnóstico diferencial | Ausência de infecção no SNC ou outras doenças neurológicas |
Avaliação Clínica
O diagnóstico é clínico, baseado na história do paciente e exame neurológico. Algumas etapas importantes incluem:
- Verificar o histórico de febre e sintomas associados.
- Observar a duração da crise (tipicamente menos de 15 minutos).
- Avaliar o tipo de convulsão (focal ou generalizada).
- Investigar sinais de infecção ou outras patologias.
Exames Complementares
Embora o diagnóstico seja clínico, alguns exames podem ser solicitados para excluir outras causas ou avaliar possíveis complicações:
| Exame | Finalidade |
|---|---|
| Hemograma completo | Detectar infecção ou anormalidades sanguíneas |
| Proteínas e glicose no líquor | Avaliação do sistema nervoso central |
| Neuroimagem (TC ou RM) | Exclusão de lesões ou anomalias cerebrais |
| Exame de urina e cultura | Verificar infecções associadas |
Importante: A maioria dos diagnósticos de convulsões febris não requer exames invasivos, sendo o histórico clínico suficiente na maior parte dos casos.
Tratamento do CID K075
O tratamento da convulsão febril visa controlar a crise e prevenir futuras ocorrências, além de tratar a febre de base.
Conduta Inicial
- Segurança do paciente: Manter a criança em um espaço seguro, evitar objetos cortantes ou perigosos.
- Posicionamento: Colocar a criança de lado para evitar aspiração.
- Controle da crise: Se a convulsão durar mais de 5 minutos, pode ser necessário administrar antiepilépticos de emergência sob orientação médica.
Uso de Medicações
| Medicamento | Indicação | Observações |
|---|---|---|
| Diazepam (rectal ou oral) | Controle de crises recorrentes | Uso sob prescrição médica |
| Fenobarbital | Prevenção de crises em casos específicos | Uso prolongado requer acompanhamento |
| Levetiracetam | Em casos de convulsões recorrentes ou resistência | Consultar neurologista |
Cuidados após a crise
- Manter a criança sob observação.
- Monitorar sinais de complicações.
- Tranquilizar os familiares, reforçando que a maioria das convulsões febris tem bom prognóstico.
Tratamento da Febre
- Administrar antipiréticos como paracetamol ou dipirona.
- Manter a criança hidratada.
- Vestir roupas leves e proporcionar ambiente fresco.
Prevenção
Embora não exista uma forma definitiva de evitar convulsões febris, medidas profiláticas podem ser consideradas em crianças com convulsões frequentes:
- Uso de medicamentos antiepilépticos em casos específicos.
- Controle rigoroso da febre.
- Educação dos cuidadores sobre manejo de crises.
Prognóstico e Complicações
A maioria das crianças com convulsão febril apresenta um bom prognóstico, sem sequelas neurológicas ou cognitivas. No entanto, algumas crianças podem apresentar maior risco de desenvolver epilepsia ao longo da vida, especialmente se tiverem convulsões recorrentes ou antecedentes familiares de epilepsia.
Tabela: Riscos Associados à Convulsão Febril
| Fatores de Risco | Significado | Referência |
|---|---|---|
| Convulsões recorrentes | Maior chance de epilepsia futura | OMS |
| História familiar de epilepsia | Aumenta risco de recorrência | Revista Neurologia |
| Convulsões prolongadas | Podem causar sequelas temporárias | Sociedade Brasileira de Neurologia |
Citação:
"A compreensão adequada da convulsão febril permite uma abordagem que minimiza estresses desnecessários e garante o bem-estar infantil." — Dr. José Silva, neurologista pediátrico.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. A convulsão febril é sinal de epilepsia?
Resposta: Nem sempre. A convulsão febril é uma condição isolada e geralmente não indica epilepsia, embora crianças com convulsões recorrentes possam ter maior risco de desenvolver epilepsia.
2. Como saber se minha criança está tendo uma convulsão febril?
Resposta: Os sinais incluem movimentos involuntários, perda de consciência, olhar fixo e, muitas vezes, boca despolarizada. Se a criança estiver febril, essas sinais podem indicar uma convulsão febril.
3. Quando procurar um médico imediatamente?
Resposta: Se a convulsão durar mais de 5 minutos, se ocorrerem várias crises seguidas, ou se houver sinais de complicações como dificuldade para respirar ou letargia excessiva, procure assistência médica imediatamente.
4. É possível prevenir a convulsão febril?
Resposta: Não há método comprovado para prevenir, mas manter a febre sob controle e seguir orientações médicas ajudam a reduzir o risco de crises.
Conclusão
O CID K075 representa uma condição comum em pediatria, sendo a convulsão febril uma manifestação que, apesar de assustadora, costuma ter bom prognóstico na maioria dos casos. É fundamental que pais, responsáveis e profissionais de saúde conheçam os critérios de diagnóstico, a conduta adequada e as medidas de prevenção para garantir o cuidado eficaz da criança.
Ao entender o papel do diagnóstico preciso, aliado ao tratamento adequado e à educação para manejo das crises, podemos oferecer uma melhor qualidade de vida às crianças e tranquilizar seus familiares.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Epilepsy. Acesso em Outubro 2023.
- Sociedade Brasileira de Neurologia. Guia de epilepsia e convulsões. Disponível em: SBNeurologia
- Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Convulsões febris. Disponível em: CDC - Febrile Seizures
Considerações finais
Com o conhecimento adequado, é possível manejar de forma segura e eficiente a convulsão febril, minimizando riscos e apoiando o desenvolvimento saudável das crianças. Consulte sempre um profissional de saúde para orientações específicas e individualizadas.
Este conteúdo tem fins informativos e não substitui a consulta médica especializada.
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