CID Inventar Doença: Como Criar Novas Classificações Médicas
A Classificação Internacional de Doenças (CID), atualmente gerenciada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é um sistema global utilizado para categorizar doenças, transtornos e outros eventos relacionados à saúde. Essa ferramenta é fundamental para padronizar registros médicos, facilitar pesquisas e orientar políticas públicas de saúde. No entanto, em alguns contextos, pode surgir a necessidade de criar novas categorias ou “inventar” doenças para atender a demandas específicas de pesquisa, diagnóstico ou até para fins comerciais.
Este artigo aborda o processo de criar novas classificações dentro do sistema CID, destacando os aspectos éticos, técnicos e práticos envolvidos nesse procedimento. Além disso, discutiremos o impacto dessa prática na comunidade médica, na saúde pública e na sociedade como um todo.

O que é o CID e sua importância
O CID é uma classificação padronizada que permite a codificação de doenças e condições de saúde em todo o mundo. Sua utilização é obrigatória na emissão de diagnósticos médicos, registros de saúde, estatísticas epidemiológicas e planejamento de políticas de saúde pública.
História do CID
O sistema foi criado na década de 1890 e passou por diversas revisões ao longo dos anos, culminando na versão atual, a CID-11, publicada pela OMS em 2018. Essa versão reflete avanços científicos e tecnológicos, além de incorporar novas condições de saúde emergentes.
Como funciona a classificação
Cada condição de saúde recebe um código alfanumérico específico, facilitando sua identificação e análise. Por exemplo, o código F32 refere-se a episódios depressivos, enquanto J45 corresponde a asma.
Como criar uma nova classificação ou "inventar" uma doença no CID
Apesar de ser um sistema rigoroso, há situações em que a necessidade de incluir novas categorias surge. A criação de uma nova doença ou condição dentro do CID envolve processos altamente regulados e deve seguir critérios científicos e éticos.
Processo de solicitação à Organização Mundial da Saúde (OMS)
- Identificação da necessidade: pesquisadores ou entidades de saúde identificam uma condição de saúde que não possui classificação adequada.
- Reuniões técnicas: com especialistas em saúde, epidemiologistas e representantes de diferentes países.
- Submissão de proposta: documentos detalhados que justificam a inclusão de uma nova condição, dados epidemiológicos, critérios diagnósticos, entre outros.
- Revisão e validação: comissões técnicas avaliam a relevância, evidências e impacto da nova classificação.
- Aprovação e publicação: caso aprovada, a nova classificação é publicada em atualizações subsequentes do CID.
“A classificação de doenças deve refletir a realidade clínica e epidemiológica, sempre visando melhorar o cuidado com o paciente.” — Dr. João Silva, especialista em saúde pública.
Ética na invenção de doenças
Inovar no campo da classificação médica exige responsabilidade para evitar mal-entendidos, uso indevido ou manipulação de dados. É fundamental que qualquer nova condição seja baseada em evidências científicas sólidas e não em interesses comerciais ou sociais questionáveis.
Exemplos hipotéticos de criação de novas categorias
Supor uma nova condição relacionada ao uso excessivo de tecnologias digitais ou uma doença caracterizada por sintomas psicossomáticos específicos, pode ser necessário para melhor entendimento e tratamento.
Impacto da invenção de doenças na sociedade
A criação de novas categorias no CID pode ter diversas implicações:
| Aspecto | Impacto Positivo | Impacto Negativo |
|---|---|---|
| Diagnóstico | Melhor reconhecimento de novas condições | Diagnóstico errado ou superdiagnóstico |
| Pesquisa | Estímulo à investigação científica | Manipulação de dados ou buscas por interesses econômicos |
| Políticas públicas | Melhor direcionamento de recursos | Priorização inadequada de problemas fictícios |
| Saúde pública | Aprimoramento de intervenções | Estigmatização de grupos ou condições |
É imprescindível que qualquer novidade seja avaliada com rigor para garantir que melhore a assistência aos pacientes e o conhecimento científico.
Como as atualizações do CID influenciam o diagnóstico médico
As versões mais recentes do CID incorporam avanços científicos, mudanças na nomenclatura e inclusão de novas doenças, alinhando-se às necessidades do sistema de saúde global. Médicos e profissionais de saúde devem estar atentos às atualizações para oferecer diagnósticos precisos, tratamentos adequados e registros corretos.
Para conhecer mais sobre as mudanças na CID-11, acesse aqui.
Perguntas frequentes
1. É ético inventar uma doença para alguma finalidade?
Não, a invenção de doenças ou categorias sem respaldo científico adequado é considerada antiética e pode prejudicar a credibilidade da comunidade médica e a saúde dos pacientes.
2. Como a OMS avalia propostas de novas categorias?
Através de comitês especializados que analisam evidências científicas, relevância clínica e impacto social, garantindo que apenas condições legítimas sejam incluídas na CID.
3. É possível criar uma doença fictícia apenas para fins comerciais?
Essa prática é antiética e pode configurar manipulação de dados, além de prejudicar a saúde pública e a credibilidade do sistema de classificação.
4. Como os pesquisadores podem contribuir para a atualização do CID?
Submetendo propostas fundamentadas em estudos científicos, dados epidemiológicos sólidos e seguindo os processos estabelecidos pela OMS.
Conclusão
A criação de novas classificações no sistema CID é um processo complexo e rigoroso, que deve se basear em evidências científicas, ética e necessidade clínica. Embora a ideia de “inventar” uma doença possa parecer uma solução para lacunas no diagnóstico, ela deve ser evitada para preservar a integridade do sistema de saúde global.
A modernização e atualização contínua do CID representam avanços importantes na medicina, permitindo uma melhor compreensão das doenças e uma assistência mais precisa aos pacientes. Assim, a colaboração entre pesquisadores, profissionais de saúde, instituições e a OMS é essencial para o desenvolvimento de classificações que realmente beneficiem a sociedade.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. CID-11 - Classificação Internacional de Doenças. Disponível em: https://www.who.int/standards/classifications/classification-of-diseases.
- Ministério da Saúde. Sistema de Classificações e Codificações. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-z/c/classificacao-internacional-de-doencas.
MDBF