CID I340: Classificação Médica para Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada
A insuficiência cardíaca é uma condição clínica que representa um dos maiores desafios na cardiologia moderna, afetando milhões de pessoas ao redor do mundo. Dentre suas classificações, a Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFPE) tem ganhado atenção, especialmente por sua complexidade diagnóstica e tratamentos específicos. Conforme estabelecido pela Classificação Internacional de Doenças (CID), CID I340 é o código utilizado para essa condição, auxiliando na padronização de diagnósticos, tratamentos e estudos epidemiológicos.
Este artigo abordará de forma detalhada o significado de CID I340, suas implicações clínicas, critérios diagnósticos, além de discutir as diferenças entre fração de ejeção preservada e reduzida, com foco na importância de um diagnóstico preciso. Também apresentaremos perguntas frequentes, uma tabela comparativa entre os diferentes tipos de insuficiência cardíaca, referências relevantes e links úteis para ampliar seu entendimento.

O que é CID I340?
Significado do código CID I340
O código CID I340 refere-se à Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada, uma condição na qual o coração apresenta incapacidade de preencher adequadamente, levando à insuficiência, apesar de a fração de ejeção estar normal ou próxima do valor considerado padrão (>50%).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a classificação CID tem a finalidade de padronizar o diagnóstico, facilitar o registro epidemiológico e orientar a terapia clínica, colaborando para um cuidado mais eficiente e direcionado.
Classificação na CID-10
Na CID-10, o capítulo I (doenças do sistema circulatório) inclui o código I50 (Insuficiência cardíaca), subdividido em diferentes condições, onde o I340 refere-se especificamente à insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.
Compreendendo a Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFPE)
Definição clínica
A ICFPE é caracterizada por sinais clínicos e sintomas de insuficiência cardíaca, mas com uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo que permanece dentro de limites considerados normais. Essa diferenciação é fundamental para determinar o tratamento adequado e prognóstico.
Fisiopatologia
Ao contrário da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER), na ICFPE há uma disfunção diastólica — o coração tem dificuldade de relaxar e se encher corretamente, levando ao aumento da pressão de preenchimento, congestão pulmonar e sintomas relacionados, como falta de ar e fadiga.
Epidemiologia
Segundo estudos, a ICFPE representa aproximadamente 50% a 60% dos casos de insuficiência cardíaca, sendo mais comum em mulheres, idosos e pacientes com hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e obesidade.
Critérios Diagnósticos da ICFPE
Aspectos clínicos
- Presença de sintomas e sinais de insuficiência cardíaca (dispneia, edema, fadiga).
Avaliação esportiva e exames complementares
| Exame | Papel na avaliação | Valores de referência/considerações |
|---|---|---|
| Ecocardiograma | Confirmaçao da fração de ejeção e avaliação do enchimento diastólico | Fração de ejeção ≥50%; sinais de disfunção diastólica |
| Ressonância magnética | Avaliação detalhada da função cardíaca | Normalmente compatível com ecocardiografia |
| Exames laboratoriais | Avaliação de fatores de risco e disfunções associadas | BNP, NT-proBNP elevados em insuficiência |
| Teste de caminhada | Testa capacidade funcional | Limitações na tolerância ao esforço |
Critérios adicionais
- Fração de ejeção do ventrículo esquerdo ≥50%
- Presença de sinais de disfunção diastólica (ex., aumento na relação fator E/e', espessamento da parede do ventrículo esquerdo)
- Exclusão de outras causas de insuficiência cardíaca
Diferenças entre Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada e Reduzida
Embora ambos os tipos de insuficiência cardíaca apresentem sintomas similares, suas diferenças principais estão relacionadas à mecânica cardíaca e ao tratamento.
Tabela comparativa
| Características | ICFPE | ICFER |
|---|---|---|
| Fração de ejeção | ≥50% | ≤40% |
| Disfunção | Diastólica | Sistólica |
| Idade média | Mais comum em idosos | Mais comum em adultos jovens a de meia-idade |
| Sexo predominante | Mulheres | Homens |
| Tratamento | Controle de fatores de risco | Medicamentos que melhoram a contração do coração |
Tratamento e Gestão da CID I340
Abordagem clínica
O tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada envolve controle rigoroso dos fatores de risco, manejo de comorbidades e uso de medicamentos que visam aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida:
- Controle da pressão arterial
- Perda de peso
- Controle de diabetes
- Uso de diuréticos para aliviar congestão
- Betabloqueadores e antagonistas dos canais de cálcio, dependendo do caso
Personalização do tratamento
"Cada paciente é único; por isso, uma abordagem individualizada é essencial no manejo da insuficiência cardíaca," destaca a cardiologista Dra. Maria Silva.
Para uma visão mais aprofundada, consulte este artigo sobre novas perspectivas no tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Qual a diferença entre CID I340 e outros códigos de insuficiência cardíaca?
O CID I340 especifica a insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada. Outros códigos, como I50.1 ou I50.2, referem-se à insuficiência congestiva, comfração de ejeção reduzida ou misturada.
2. É possível reverter a insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada?
Embora não seja geralmente considerada reversível, o gerenciamento adequado de fatores de risco pode estabilizar ou melhorar os sintomas.
3. Como prevenir a insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada?
Controlar hipertensão arterial, evitar obesidade e sedentarismo, manter uma alimentação equilibrada e tratar com precisão as comorbidades são fundamentais.
4. Quais exames são essenciais para o diagnóstico?
Ecocardiograma é o exame principal, além de avaliações laboratoriais e testes de esforço.
Conclusão
A classificação CID I340 representa uma importante ferramenta na identificação, registro e tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada. Reconhecer as diferenças entre os tipos de insuficiência cardíaca é essencial para uma abordagem clínica eficaz, centrada na individualidade de cada paciente. Com o avanço da ciência, novas terapias e estratégias de manejo continuam sendo desenvolvidas, trazendo esperança de melhora na qualidade de vida daqueles que vivem com essa condição.
A atenção à prevenção, diagnóstico precoce e tratamento multidisciplinar é fundamental para diminuir o impacto dessa doença que afeta milhões de pessoas mundialmente.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. CID-10 – Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. Geneva: OMS, 2019.
- Yancy CW, Jessup M, Bozkurt B, et al. 2017 ACC/AHA/HFSA Focused Update of the 2013 ACCF/AHA Guideline for the Management of Heart Failure. Journal of the American College of Cardiology. 2017;70(6):776-803.
- Pesquero T, Oliveira M, Cardoso A. Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada: novas perspectivas. Revista Brasileira de Cardiologia. 2022; 45(3): 234-242.
Para mais informações, visite:
- Sociedade Brasileira de Cardiologia
- Banco de Dados de Classificação Internacional de Doenças
Este artigo foi elaborado para fornecer uma compreensão detalhada sobre o CID I340, promovendo uma abordagem informada e consciente na prática clínica.
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