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CID Hipogonadismo Hipogonadotrófico: Entenda Causas e Tratamentos

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O hipogonadismo hipogonadotrófico é uma condição que afeta homens e mulheres, caracterizada pela produção insuficiente de hormônios gonadotróficos, como o hormônio luteinizante (LH) e o hormônio folículo-estimulante (FSH). Esses hormônios são responsáveis por estimular as gonadas (testículos nos homens e ovários nas mulheres) a produzirem seus hormônios sexuais, como testosterona e estrogênio. Quando há deficiência desses hormônios, podem surgir sintomas como atraso no desenvolvimento sexual, infertilidade, alterações hormonais e outros problemas de saúde.

Este artigo tem como objetivo explicar de forma clara e detalhada o que é o CID (Classificação Internacional de Doenças) relacionado ao hipogonadismo hipogonadotrófico, suas causas, sintomas, diagnósticos e opções de tratamento. Além disso, abordaremos dúvidas frequentes e forneceremos informações úteis para pacientes, familiares e profissionais de saúde.

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O que é o CID Hipogonadismo Hipogonadotrófico?

O CID-10, classificação utilizada mundialmente para o diagnóstico de doenças, aponta o código E23.0 para o hipogonadismo hipogonadotrófico. Este diagnóstico indica uma falha na produção de hormônios gonadotróficos pelas hipófise ou hipófise extras, levando a um déficit na estimulação das gonadas.

Diferença entre Hipogonadismo Hipogonadotrófico e Hipogonadismo Primário

CaracterísticasHipogonadismo HipogonadotróficoHipogonadismo Primário
OrigemHipotálamo ou hipófiseGonadas (testículos ou ovários)
Níveis de FSH e LHBaixos ou normaisElevados
Hormônios SexuaisBaixosBaixos
Causas comunsTumores hipofisários, doenças neurológicas, deficiência genéticaDoenças genéticas, autoimunes, infecções

Causas do Hipogonadismo Hipogonadotrófico

As causas do hipogonadismo hipogonadotrófico podem ser diversas, englobando fatores congênitos, adquiridos e secundários a condições externas ao sistema endócrino.

Causas Congênitas

  • Síndrome de Kallmann: deficiência de GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas) associada à ausência de sense de olfato.
  • Disgenesia gonadal: alterações genéticas que afetam o desenvolvimento das glândulas sexuais.
  • Deficiência de ACTH ou outros hormônios pituitários: alterações embriológicas ou genéticas.

Causas Adquiridas

  • Tumores hipofisários: prolactinomas, adenomas, craniofaringiomas.
  • Traumatismo craniano ou cirurgias na região cerebral.
  • Infecções: meningite, encefalite.
  • Radiações cerebrais e tratamentos com quimioterapia.
  • Doenças autoimunes que afetam a hipófise.

Outros Fatores

  • Síndrome de Sheehan: necrose da hipófise após hemorragia no parto.
  • Uso de drogas (opióides, esteroides anabolizantes).
  • Hipotireoidismo ou outras disfunções hormonais.

Sintomas do Hipogonadismo Hipogonadotrófico

Os sinais e sintomas variam conforme a idade, sexo e gravidade da deficiência hormonal.

Em Homens

  • Diminuição da libido.
  • Disfunção erétil.
  • Perda de pelos corporais e faciais.
  • Redução da massa muscular.
  • Osteoporose.
  • Infertilidade.
  • Retardo no desenvolvimento puberal.

Em Mulheres

  • Amenorreia ( ausência de menstruação).
  • Diminuição da libido.
  • Secura vaginal.
  • Infertilidade.
  • Perda de pelos pubianos e axilares.
  • Osteoporose.
  • Retardo no desenvolvimento puberal.

Em Crianças

  • Atraso no desenvolvimento sexual e puberdade.
  • Baixo crescimento.
  • Hipotonia (fraqueza muscular).
  • Diminuição do desenvolvimento de pelos pubianos.

Diagnóstico do Hipogonadismo Hipogonadotrófico

O diagnóstico envolve uma combinação de avaliação clínica, exames laboratoriais e de imagem.

Procedimentos Diagnósticos

  1. Histórico Clínico e Exame Físico: investigação de sintomas, história familiar, traumas ou cirurgias.
  2. Exames de Sangue: medição de LH, FSH, testosterona (homens), estrogênio (mulheres), além de outros hormônios como prolactina, TSH, T3 e T4.
  3. Teste de Stimulação Hormonal: avaliar a resposta da hipófise ao estímulo de GnRH.
  4. Resonância Magnética (RM) de hipófise e região craniana: identificar tumores ou alterações estruturais.
  5. Exames genéticos: em casos de suspeita de síndrome de Kallmann ou disgenesias.

Tratamentos Para o CID Hipogonadismo Hipogonadotrófico

O objetivo do tratamento é restaurar os níveis hormonais, promover o desenvolvimento puberal adequado e tratar a infertilidade, quando desejado.

Opções de Tratamento

Terapia de Reposição Hormonal

Tipo de TerapiaIndicaçãoBenefíciosConsiderações
Testosterona (homens)Reposição em casos de deficiência de testosteronaMelhora da libido, massa muscular, vigorUso contínuo, monitoramento de saúde hepática e glicêmica
Estrogênio e progesterona (mulheres)Para mulheres com baixa produção de estrogênioDesenvolvimento das características sexuais secundárias, melhora na densidade ósseaAjuste na dose e combinação adequada
Gonadotrofinas (LH e FSH)Para induzir ovulação ou produção de espermaFertilidadeAdministração por injeções, acompanhamento rigoroso

Tratamento da Infertilidade

  • Indução da ovulação com gonadotrofinas.
  • Terapia de estímulo à espermatogênese com gonadotrofinas.

Tratamento de Causas Subjacentes

Se identificado tumor ou outra condição que causa o hipopituitarismo, pode ser necessário realizar cirurgia, radioterapia ou tratamento médico específico.

Considerações Importantes

"O acompanhamento médico periódico é fundamental para ajustar doses, prevenir efeitos colaterais e avaliar os resultados do tratamento." — Dra. Ana Souza, endocrinologista.

Tabela Resumo: CID E23.0 – Hipogonadismo Hipogonadotrófico

AspectoDetalhes
Código CID-10E23.0
DefiniçãoFalha na produção de gonadotrofina pela hipófise, levando à deficiência hormonal gonadal
CausasCongênitas, adquiridas, idiopáticas
SintomasAtraso puberal, infertilidade, secura vaginal, redução de pelos
DiagnósticoExames de sangue, ressonância, testes hormonais
TratamentoReposição hormonal, estímulo à fertilidade, tratamento de causas

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Quais são as principais causas do CID E23.0?

As causas incluem doenças congênitas como a síndrome de Kallmann, tumores hipofisários, traumatismos cranianos, infecções e uso de certos medicamentos.

2. Como é feito o diagnóstico do hipogonadismo hipogonadotrófico?

Através de exames clínicos, hormonais (níveis de LH, FSH, testosterona, estrogênio), ressonância magnética e testes de estímulo hormonal.

3. É possível tratar o hipogonadismo hipogonadotrófico?

Sim, com terapia de reposição hormonal ou estímulo, dependendo do caso e da causa subjacente. O acompanhamento médico é essencial.

4. O tratamento pode reverter a condição?

Em alguns casos, sim. Especialmente se a causa for tratável ou se o diagnóstico ocorrer precocemente.

5. Quais os efeitos a longo prazo da não tratada?

Pode levar a osteoporose, infertilidade, alterações de humor, baixa autoestima e riscos cardiovasculares.

Conclusão

O hipogonadismo hipogonadotrófico (CID E23.0) é uma condição que pode impactar significativamente a saúde, autoestima e fertilidade das pessoas afetadas. No entanto, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível restaurar os níveis hormonais, estimular o desenvolvimento das características sexuais secundárias e melhorar a qualidade de vida.

Se você suspeita de sintomas relacionados, procure um endocrinologista para avaliação detalhada. O acompanhamento multidisciplinar, incluindo profissionais de saúde mental e reprodutiva, também é recomendado para um cuidado completo.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde. CID-10. https://icd.who.int/browse10/2016/en
  2. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Manual de Endocrinologia. 2020.
  3. Almeida, F. R. et al. "Hipogonadismo Hipogonadotrófico: Diagnóstico e Tratamento." Revista Brasileira de Clínica Geral, 2019.
  4. National Institutes of Health. Hormonal Disorders. https://www.nih.gov/health-information/endocrine-health

Este artigo foi elaborado com o objetivo de informar e orientar pacientes e profissionais. Consulte sempre um especialista para avaliações específicas.