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CID Hepatocarcinoma: Guia Completo Sobre o Câncer de Fígado

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O hepatocarcinoma, também conhecido como câncer de fígado, é uma das neoplasias malignas mais comuns no mundo, responsável por uma grande quantidade de óbitos devido à sua rápida progressão e diagnóstico tardio. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de fígado é o sexto tipo de câncer mais comum globalmente e a terceira causa de mortes relacionadas ao câncer.

Este artigo tem como objetivo fornecer um guia completo sobre o hepatocarcinoma, abordando desde sua classificação pelo CID até métodos de diagnóstico, fatores de risco, tratamentos e cuidados preventivos. Com informações claras e atualizadas, buscamos auxiliar profissionais de saúde, pacientes e familiares a compreenderem melhor esta doença.

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O que é o CID do Hepatocarcinoma?

O CID (Código Internacional de Doenças) é um sistema utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para classificação de patologias e doenças. Para o hepatocarcinoma, o CID é C22.0.

Tabela de Códigos CID relacionados ao câncer de fígado

Código CIDDescriçãoNota
C22.0Carcinoma hepatocelular (hepatocarcinoma)Forma mais comum de câncer de fígado
C22.1Carcinoma intrahepático da vesícula biliar ou vias biliaresOutros tipos de câncer de fígado
C22.9Neoplasia maligna do fígado, de localização não especificadaCaso de dúvida no diagnóstico

O que é o Hepatocarcinoma?

Definição

O hepatocarcinoma é um tumor maligno que se origina nas células do fígado, principalmente nos hepatócitos. Ele representa aproximadamente 75% a 85% dos cânceres primários de fígado e é altamente agressivo, podendo se disseminar rapidamente para outras regiões do corpo.

Epidemiologia

A incidência do hepatocarcinoma apresenta variações geográficas, sendo mais comum em países com alta prevalência de hepatite B e C, como Ásia e África. No Brasil, observa-se um aumento nas notificações devido ao crescimento de fatores de risco, como hepatite viral e cirrose alcoólica.

Fatores de risco

  • Infecção crônica por hepatite B (HBV) e hepatite C (HCV)
  • Cirrose hepática de qualquer etiologia
  • Consumo excessivo de álcool
  • Esteatose hepática não alcoólica (NASH)
  • Exposição a aflatoxinas, substância produzida por fungos presentes em alimentos armazenados de forma inadequada
  • Doenças metabólicas hereditárias, como deficiência de alfa-1 antitripsina

Diagnóstico do Hepatocarcinoma

Sinais e sintomas

Muitos pacientes permanecem assintomáticos em fases iniciais. Quando aparecem, podem incluir:

  • Dor abdominal na parte superior direita
  • Perda de peso involuntária
  • Fadiga
  • Icterícia
  • Ascite

Exames laboratoriais

  • ALT e AST (enzimas hepáticas)
  • Alfa-fetoproteína (AFP): marcador tumoral que pode estar elevado, mas não é específico
  • Hemograma completo e testes de função hepática

Exames de imagem

ExameDescriçãoImportância
Ultrassonografia abdominalDetecção de nódulos e alterações estruturaisPrimeira linha em rastreamento
Tomografia computadorizada (TC)Avaliação detalhada de tumores, invasões e metástasesConfirmatória e estadiamento
Ressonância magnética (RM)Avaliação de lesões complexasComplementar à TC

Biópsia hepática

Utilizada em casos duvidosos, especialmente quando os exames de imagem não são conclusivos. Deve ser realizada com cautela devido ao risco de disseminação tumoral.

Classificação do Hepatocarcinoma

O estadiamento do câncer determina o prognóstico e o tratamento adequado. Uma classificação amplamente utilizada é a Sistema de Barcelona Clinic Liver Cancer (BCLC).

Tabela de Estadiamento BCLC

EstágioCaracterísticasTratamento recomendadoPrognóstico
0 (Muito precoce)Lesões menores que 2 cm, bem diferenciadas, sem cirrose avançadaCirurgia ou ablação percutâneaAlta sobrevida
A (Precoce)Tumores menores que 3 cm, sem invasão vascular ou metastasesCirurgia, ablação, transplanteBueno
B (Avançado...)Tumores múltiplos, mas sem invasão vascularQuimioterapia, embolizaçãoModerado
C (Terminal)Invasão vascular, metastasesCuidados paliativosPobre

Tratamentos disponíveis para o hepatocarcinoma

O tratamento do câncer de fígado depende do estágio da doença, da função hepática e do estado geral do paciente. A seguir, apresentamos as principais opções.

Cirurgia de resecção hepática

Indicada para pacientes com tumores solitários, sem cirrose avançada ou invasão vascular. Pode oferecer cura em caso de remoção completa do tumor.

Transplante de fígado

Ideal para pacientes com cirrose e tumores dentro dos critérios de Milan (um tumor até 5 cm ou até 3 tumores de até 3 cm cada). Oferece a possibilidade de cura definitiva.

Ablação percutânea

Utiliza técnicas como radiofrequência ou etanolização para destruir o tumor. Indicada em pacientes que não podem realizar cirurgia.

Terapias locorregionais

  • Embolização (TACE): bloqueio da circulação sanguínea do tumor com quimioterapia ou agentes citotóxicos.
  • Quimioembolização transarterial: combinação de embolização e quimioterapia.

Tratamentos sistêmicos

Compostos por medicamentos como sorafenibe, lenvatinibe e outros inibidores de tirosina quinase, utilizados em estágios avançados.

Cuidados preventivos e rastreamento

A prevenção do hepatocarcinoma passa por controle dos fatores de risco e vigilância. Recomenda-se:

  • Vacinação contra hepatite B
  • Tratamento adequado para hepatite C
  • Controle de cirrose e abstinência alcoólica
  • Alimentação saudável, redução da exposição a aflatoxinas
  • Monitoramento regular em pacientes com cirrose, com exames de ultrassonografia e AFP a cada seis meses.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Qual a principal causa do hepatocarcinoma?
A principal causa é a infecção crônica por hepatite B e C, responsáveis por grande parte dos casos de câncer de fígado em todo o mundo.

2. É possível prevenir o hepatocarcinoma?
Sim. A vacinação contra hepatite B, evitar álcool e drogas, controle da cirrose, e o rastreamento de pacientes de risco ajudam a prevenir e detectar precocemente.

3. Quais são os sinais de alerta do câncer de fígado?
Dor abdominal, perda de peso, icterícia, ascite, fadiga e aumento do volume abdominal.

4. O hepatocarcinoma pode ser curado?
Sim, principalmente quando detectado precocemente através de cirurgia, transplante ou ablação. O prognóstico piora com o avançar da doença.

5. Como é feito o diagnóstico do hepatocarcinoma?
Por meio de exames de imagem como ultrassonografia, TC, RM, além de exames laboratoriais e, em alguns casos, biópsia.

Conclusão

O hepatocarcinoma é uma doença de grande impacto social e de alta mortalidade, exigindo atenção especial na vigilância de pacientes com fatores de risco. O entendimento do CID C22.0 é fundamental para padronizar diagnósticos e tratamentos, além de facilitar o monitoramento epidemiológico.

O diagnóstico precoce aliado a tratamentos modernos oferece excelentes possibilidades de cura, mas a conscientização e ações preventivas continuam sendo a melhor estratégia para reduzir o impacto dessa enfermidade.

Como afirmou o renomado hepatologista Dr. Carlos Rico:
"A prevenção e o rastreamento são as armas mais eficazes contra o câncer de fígado. Quanto mais cedo identificarmos a doença, melhor será o prognóstico."

Para aprofundar seus conhecimentos, consulte os sites da Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde. Câncer de fígado: dados e estatísticas. Disponível em: https://who.int
  2. Silva Junior, W. et al. "Guia de Diagnóstico e Tratamento do Câncer de Fígado," Revista Brasileira de Hepatologia, 2021.
  3. Ministério da Saúde. Protocolo de vigilância para hepatocarcinoma em pacientes com cirrose. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
  4. European Association for the Study of the Liver (EASL). Clinical Practice Guidelines: Management of Hepatocellular Carcinoma. 2018.

Este artigo foi elaborado para fins informativos e não substitui a avaliação médica especializada.