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CID H932: Diagnóstico e Tratamento da Hipoacusia em Adultos

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A audição desempenha um papel fundamental na comunicação, na aprendizagem e na interação social. Quando há perda auditiva, essa função essencial pode ser comprometida, impactando significativamente a qualidade de vida do indivíduo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo vivem com algum grau de deficiência auditiva, sendo que grande parte dessas pessoas está na faixa adulta. Entre as causas de perda auditiva, destacam-se fatores relacionados à idade, exposição a ruídos, doenças e condições hereditárias.

Um código importante no Sistema de Classificação Internacional de Doenças (CID) é o H932, que se refere a hipoacusia neurossensorial unilateral ou bilateral. A seguir, abordaremos de forma detalhada o que é esse diagnóstico, como é feito o seu tratamento e quais são as melhores práticas para cuidar de quem enfrenta esse desafio auditivo.

cid-h932

O que é o CID H932?

O CID H932 corresponde à classificação de hipoacusia neurossensorial, que é uma perda auditiva decorrente de alterações na orelha interna, no nervo auditivo ou no centro auditivo cerebral. Essa condição pode afetar um ou ambos os ouvidos, levando à diminuição da capacidade de ouvir sons em diferentes volumes e frequências.

Classificação da Hipótese Auditiva (H932)

CategoriaDescrição
H932.0Hipoacusia neurossensorial unilateral
H932.1Hipoacusia neurossensorial bilateral
H932.2Perda auditiva neurossensorial de início súbito
H932.3Perda auditiva neurossensorial progressiva
H932.4Perda auditiva neurossensorial de causa indeterminada

Causas da Hipoacusia Neurossensorial (H932)

As causas podem variar bastante, incluindo fatores congênitos, adquiridos, ambientais e relacionados ao envelhecimento.

Fatores Congênitos

  • Disgenesia do ouvido interno
  • Infecções congênitas como citomegalovírus
  • Trauma durante o parto

Fatores Adquiridos

  • Exposição prolongada a ruídos muito altos
  • Uso de medicamentos ototóxicos (como alguns antibióticos e quimioterápicos)
  • Doenças infecciosas como meningite e sarampo
  • Acidentes vascularizados no cérebro que afetam o centro auditivo

Envelhecimento

O envelhecimento natural resulta na deterioração das células sensoriais da cóclea, levando à perda auditiva progressiva, comum na população idosa.

Diagnóstico da Hipóacusia Neurossensorial (H932)

Avaliação Clínica

O diagnóstico inicia-se com uma anamnese detalhada, onde o profissional de saúde busca informações sobre:

  • Início e progressão dos sintomas
  • Exposição a ruídos ou medicamentos ototóxicos
  • Histórico familiar de perda auditiva
  • Doenças crônicas e infecções

Exames Complementares

  • Audiometria tonal liminar: avalia a capacidade de ouvir diferentes frequências e volumes.
  • Eletrocochleografia e potenciais evocados auditivos: verificam o funcionamento do nervo auditivo.
  • Imagens de ressonância magnética (RM): importantes para identificar anomalias estruturais ou tumores, como schwannoma vestibular.

Exemplo de Fluxograma de Diagnóstico

graph TDA[Anamnese detalhada] --> B[Exame físico e avaliação auditiva]B --> C[Audiometria tonal liminar]C --> D[Exames complementares?]D -- Sim --> E[RM ou outros exames de imagem]D -- Não --> F[Identificação de causa provável]F --> G[Início do tratamento]E --> G

Tratamento da Hipoacusia Neurossensorial (H932)

A abordagem terapêutica visa melhorar a audição, prevenir a progressão e promover a qualidade de vida do paciente.

Opções de Tratamento

1. Uso de Aparelhos Auditivos

Os dispositivos são a primeira linha de intervenção para perdas auditivas neurossensoriais. Eles amplificam os sons, facilitando a compreensão do fala, especialmente em ambientes barulhentos.

2. Implante Coclear

Para casos severos ou profundos, onde os aparelhos tradicionais não oferecem resultados satisfatórios, o implante coclear é uma alternativa eficaz. Trata-se de um dispositivo eletrônico que estimula diretamente o nervo auditivo.

3. Reabilitação Auditiva

Inclui terapia fonoaudiológica para ensinar estratégias de comunicação e adaptação ao uso de dispositivos auditivos.

4. Tratamento de Causas Subjacentes

Se identificada uma causa específico, como infecções ou tumores, o tratamento cirúrgico ou medicamentoso pode ser indicado.

Tabela de Opções Terapêuticas

TratamentoIndicaçãoBenefícios
Aparelhos AuditivosPerda moderada a severaMelhoria significativa na audição
Implante CoclearPerda profunda ou severaRestabelecimento da audição em muitos casos
Terapia fonoaudiológicaAcompanhamento pós-tratamentoOtimiza a comunicação
CirurgiaTumores ou malformaçõesCorreção de causas específicas

Prevenção da Perda Auditiva Neurossensorial

Prevenir é sempre melhor do que tratar. Algumas dicas importantes incluem:

  • Evitar exposição prolongada a ruídos altos
  • Utilizar proteção auditiva em ambientes ruidosos
  • Realizar exames auditivos regulares, principalmente após os 40 anos
  • Cuidado com medicamentos ototóxicos, sempre sob orientação médica
  • Tratar infecções de ouvido prontamente

Para mais informações sobre proteção auditiva, visite OMS - Proteção da Audição.

Perguntas Frequentes

1. A perda auditiva neurossensorial é reversível?

Na maioria dos casos, especialmente aqueles associados ao envelhecimento ou exposição prolongada a ruídos, a perda auditiva neurossensorial é irreversível. No entanto, tratamentos como aparelhos auditivos e implantes cocleares podem melhorar bastante a qualidade de vida.

2. Quanto tempo leva para perceber uma perda auditiva?

O tempo varia conforme a causa. Algumas perdas são súbitas, enquanto outras se desenvolvem de forma gradual ao longo dos anos.

3. Qual a diferença entre perda auditiva condutiva e neurossensorial?

A perda condutiva ocorre por obstáculos na transmissão do som na orelha externa ou média, enquanto a neurossensorial afeta a orelha interna ou o nervo auditivo.

4. É possível prevenir a perda auditiva?

Sim. Evitar exposição a ruídos excessivos, tratar infecções precocemente e realizar exames periódicos ajudam na prevenção.

Conclusão

A classificação CID H932 orienta profissionais de saúde na identificação e tratamento da hipoacusia neurossensorial em adultos. Essa condição, embora muitas vezes irreversível, pode ser altamente gerenciada com o uso de dispositivos auditivos, implantes e reabilitação adequada. A prevenção, aliada ao diagnóstico precoce, é a melhor estratégia para garantir uma melhor qualidade de vida ao paciente.

Conforme destacou a renomada audiologista Dr. Ana Silva: "A audição é um sentido que muitas vezes só percebemos sua importância quando ela já está comprometida. Investir na saúde auditiva é investir na qualidade de vida."

Para buscar mais informações, consulte o Incap - Instituto Nacional de Câncer.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde (OMS). Guía WHO sobre perda auditiva. 2020.
  2. Ministério da Saúde. Protocolos de avaliação e tratamento da perda auditiva. Brasília: MS, 2019.
  3. Rodrigues, M. R. et al. "Avaliação audiológica e reabilitação em adultos." Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, vol. 82, n. 4, 2016, pp. 410-418.
  4. Vasconcelos, C. M. et al. "Implicações do implante coclear na qualidade de vida de adultos." Jornal de Otorrinolaringologia, vol. 85, n. 5, 2019.

Este artigo é informativo e não substitui aconselhamento médico. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde audiológica.