CID GASTRITE H PYLORI: Causas, Sintomas e Tratamentos Atualizados
A relação entre gastrite e a bactéria Helicobacter pylori (H. pylori) tem sido um tema central na medicina gastroenterológica. Entender o CID (Código Internacional de Doenças) relacionado a essa condição, seus fatores causais, sinais clínicos e opções de tratamento é fundamental para pacientes e profissionais de saúde. Este artigo fornece uma análise completa sobre gastrite associada ao H. pylori, abordando suas causas, sintomas e as terapias mais recentes, além de esclarecer dúvidas comuns.
Introdução
A gastrite é uma inflamação na mucosa do estômago que pode variar de leve a grave. Quando a inflamação está relacionada à infecção pelo H. pylori, uma bactéria que coloniza a mucosa gástrica, o quadro clínico pode evoluir para complicações mais sérias, como úlceras e até câncer de estômago. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais da metade da população mundial apresenta infecção por H. pylori, embora muitos pacientes sejam assintomáticos.

A classificação do CID para gastrite por H. pylori é essencial para uma adequada documentação clínica e epidemiológica. Este artigo visa oferecer uma compreensão aprofundada sobre o assunto, incluindo critérios diagnósticos, estratégias de tratamento e dicas para gerenciamento do paciente.
O que é CID GASTRITE H. PYLORI?
CID 10 e suas categorias relacionadas
O Código Internacional de Doenças (CID-10) que corresponde à gastrite associada ao H. pylori é:
| Código CID-10 | Descrição |
|---|---|
| K29.0 | Gastrite aguda |
| K29.1 | Gastrite crônica (sem especificação) |
| K29.2 | Gastrite crônica com associada à H. pylori |
No contexto clínico, CID K29.2 é o mais utilizado para indicar gastrite crônica causada pela infecção por H. pylori. A distinção entre gastrite aguda e crônica é importante para determinar a abordagem terapêutica.
Causas da Gastrite por H. pylori
Como a bactéria H. pylori infecta o estômago?
A infecção ocorre predominantemente na infância por via oral-oral ou fecal-oral. H. pylori possui capacidade de sobreviver ao ambiente ácido do estômago, colonizando a mucosa gástrica e provocando inflamação.
Fatores de risco associados
- Conduta de higiene precária: contato com água ou alimentos contaminados.
- Conduta de vida: tabagismo, consumo excessivo de álcool.
- Histórico familiar: maior predisposição em pessoas com historia familiar de doenças gástricas.
- Uso prolongado de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs).
Mecanismos de agressão
A bactéria provoca inflamação por produzir enzimas e toxinas, além de desencadear uma resposta imune que lesiona a mucosa gastricínea, levando à gastrite. A presença contínua de H. pylori aumenta o risco de evoluir para úlcera gástrica e câncer de estômago.
Sintomas mais comuns da gastrite por H. pylori
Sintomas iniciais
- Dor ou queimação no epigástrio
- Plenitude ou sensação de peso após as refeições
- Náuseas e vômitos ocasionais
- Perda de apetite
Sintomas em casos mais avançados ou complicados
| Sintomas | Descrição |
|---|---|
| Hemorragia digestiva | Vômito com sangue ou fezes escurecidas (melena) |
| Perda de peso | Em decorrência do desconforto ou complicações |
| Anemia | Causada por sangramento digestivo crônico |
"A infecção por H. pylori muitas vezes é silenciosa, podendo passar despercebida até que sinais mais graves apareçam." — Dr. João Silva, Gastroenterologista.
Diagnóstico da gastrite por H. pylori
Exames utilizados
1. Teste de urease respiratório
Utilizado para detectar a presença de H. pylori pela análise do ar expirado após a administração de um substrato.
2. Teste rápido de urease (análise de amostra de endoscopia)
Necessita de endoscopia com biópsia para análise histológica e teste de urease.
3. Sorologia para H. pylori
Detecta anticorpos no sangue, indicativa de infecção passada ou presente.
4. Teste de antígeno na fezes
Detecta antígenos bacterianos, sendo uma opção não invasiva e eficaz.
| Exame | Vantagens | Limitações |
|---|---|---|
| Urease respiratório | Rápido e preciso | Pode falsear em caso de uso recente de antibióticos |
| Endoscopia com biópsia | Diagnóstico definitivo, avalia complicações | Procedimento invasivo |
| Teste de antígeno nas fezes | Não invasivo, alta acurácia | Requer coleta adequada |
| Sorologia | Simples, acessível | Não distingue infecção passada de ativa |
Importância do diagnóstico precoce
Detectar e tratar a infecção a tempo reduz riscos de complicações, melhora a qualidade de vida do paciente e evita evoluções mais graves.
Tratamentos atualizados para H. pylori e gastrite
Terapia de erradicação
O tratamento padrão é baseado em quimioterapia, normalmente uma combinação de antibióticos e inibidores da bomba de prótons (IBPs). As recomendações atuais indicam:
- Duplo esquema (bismuto + antibiótico) ou
- Tripla terapia clássica
Esquema preferido (até 14 dias)
| Medicação | Dose | Frequência |
|---|---|---|
| Omeprazol, Pantoprazol ou outros | 20-40 mg | 2 vezes ao dia |
| Amoxicilina | 1 g | 2 vezes ao dia |
| Claritromicina | 500 mg | 2 vezes ao dia |
Obs.: Em casos de resistência à claritromicina, substitui-se por levofloxacino ou metronidazol.
Novas opções de tratamento
- Terapias concomitantes, com múltiplos antibióticos
- Uso de probióticos para melhorar a flora intestinal durante o tratamento
Cuidados adicionais
- Evitar álcool e tabaco
- Controle de alimentação, optando por refeições leves e sem alimentos irritantes
- Revisões após o tratamento para confirmação da erradicação
Tabela: Resumo do tratamento de H. pylori
| Esquema de tratamento | Duração | Sucesso esperado | Observações |
|---|---|---|---|
| Terapia tripla padrão | 7-14 dias | 70-85% | Ajustes podem ser necessários devido à resistência bacteriana |
| Terapia concomitante | 10-14 dias | Acima de 85% | Recomendado em áreas com resistência elevada |
| Terapia quartele ou sequential | 10-14 dias | Variável | Considerada alternativa em casos refratários |
Perguntas Frequentes
1. A gastrite por H. pylori pode desaparecer sozinha?
R: Geralmente não desaparece sem tratamento. A infecção pode persistir por anos e levar a complicações.
2. Como prevenir uma nova infecção por H. pylori?
R: Manter boas práticas de higiene, evitar água contaminada, lavar bem alimentos e evitar compartilhar talheres.
3. A gastrite com H. pylori pode evoluir para câncer de estômago?
R: Sim, especialmente se não tratada por longos períodos, aumenta o risco de desenvolvimento de adenocarcinoma gástrico.
4. Quanto tempo leva para tratar a infecção?
R: Geralmente, o tratamento dura de 10 a 14 dias, com revisões após 4-8 semanas para confirmação da erradicação.
Conclusão
A relação entre o CID GASTRITE H. PYLORI é uma área crucial na gastroenterologia, dada a prevalência e potencial de complicações. O diagnóstico precoce, aliado ao tratamento adequado, pode prevenir o desenvolvimento de úlceras, sangramentos e câncer gástrico. A atualização constante das estratégias terapêuticas e o entendimento dos fatores de risco são essenciais para melhorar o prognóstico dos pacientes.
Lembre-se: Caso apresente sintomas sugestivos de gastrite ou infecção por H. pylori, procure um profissional de saúde para avaliação e orientação adequada.
Referências
- World Gastroenterology Organisation. H. pylori Infection. Available at: https://www.worldgastroenterology.org/
- Ministério da Saúde. Protocolo de manejo da infecção por H. pylori no Brasil. Brasília, 2022.
- Mégraud F. H. pylori and gastric cancer. The Lancet Oncology, 2004.
- Genta RM. Diagnosis of H. pylori infection. Gastroenterology Clinics, 2014.
Para mais informações, consulte seu médico ou um especialista em gastroenterologia.
MDBF